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A resposta imunitária no tracto genital pode explicar a razão pela qual algumas mulheres expostas ao VIH não se infectam
As mulheres que são repetidamente expostas ao VIH mas que não se infectam, podem estar protegidas por anticorpos e respostas celulares especificas contra o VIH, produzidas no tracto genital, segundo os autores de um estudo realizado em trabalhadoras do sexo no Quénia, publicado na edição de 30 de Março da revista AIDS. Os autores do estudo esperam que estes resultados contribuam para a descoberta de uma vacina contra o VIH.
Os investigadores estudaram um grupo de mulheres que participaram num ensaio clínico que decorreu entre 1996 e 2002, no qual foram incluídas trabalhadoras de sexo com comportamentos de alto risco medicadas com antibióticos (Kaul, 2004). Neste ensaio clínico, o antibiótico administrado permitiu reduzir o risco de ocorrência de uma infecção de transmissão sexual, mas não diminuiu a transmissão da infecção pelo VIH.
Após a conclusão do estudo, 24 mulheres que se infectaram com o VIH foram comparadas com 89 mulheres que se mantiverem seronegativas, apesar de repetidas exposições ao VIH. Os investigadores estudaram as secreções cervico-vaginais (SCV) em ambos os grupos.
As amostras foram colhidas no inicio do estudo, permitindo assim observar se existiam alguns factores protectivos prévios.
Os resultados demonstraram que as secreções vaginais das mulheres repetidamente expostas que permaneceram seronegativas continham, com muito mais frequência, um tipo de anticorpo designado por imunoglobulina A (IgA), que era activo contra o VIH.
Estas mulheres tinham também uma proliferação celular especifica para o VIH, no tracto cervico-vaginal mais evidente do que as mulheres que se infectaram pelo VIH.
Diversas potenciais defesas imunitárias têm sido descritas neste tipo de mulheres repetidamente expostas ao VIH, incluindo células CD4 e CD8 especificas contra o VIH, assim como factores anti-virais CD8 e IgA neutralizadora do VIH.
Mas este estudo é o primeiro a demonstrar uma associação entre a redução da transmissão do VIH e a detecção prévia nas secreções vaginais de ambos os factores, IgA neutralizadora de VIH e proliferação celular especifica contra este vírus.
De facto, a transmissão do VIH foi mais baixa nas mulheres que apresentavam ambas as respostas imunitárias no início do ensaio clínico, o que sugere que estas respostas têm um efeito aditivo.
A actividade neutralizante do VIH foi observada mais frequentemente em determinados sub-tipos de VIH, sendo maior no sub-tipo C do que no sub-tipo A, embora este seja mais frequente no Quénia. No entanto, os autores afirmam que as diferentes amostras de VIH apresentavam grande grau de variação de sensibilidade neutralizante, o que obriga a uma análise de um maior número de amostras de sub-tipos A e C para que se possam retirar conclusões definitivas.
Acrescentam, ainda, que não podem provar que este tipo de resposta imunitária seja a razão pela qual as mulheres não se infectaram com o VIH, mas os dados sugerem que a indução deste tipo de resposta pode ser um alvo fundamental para o desenvolvimento de uma vacina.
Referência:
Hirbod TY et al. HIV-neutralizing immunoglobulin A and HIV-specific proliferation are independently associated with reduced HIV acquisition in Kenyan sex workers. AIDS 22: 727-735, 2008.
Kaul R et al. Monthly antibiotics chemoprophylaxis and incidence of sexually transmitted infections and HIV-1 infection in Kenyan sex workers: a randomized controlled trial. JAMA 291: 2555-2562, 2004.
Tradução pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT)
Os investigadores estudaram um grupo de mulheres que participaram num ensaio clínico que decorreu entre 1996 e 2002, no qual foram incluídas trabalhadoras de sexo com comportamentos de alto risco medicadas com antibióticos (Kaul, 2004). Neste ensaio clínico, o antibiótico administrado permitiu reduzir o risco de ocorrência de uma infecção de transmissão sexual, mas não diminuiu a transmissão da infecção pelo VIH.
Após a conclusão do estudo, 24 mulheres que se infectaram com o VIH foram comparadas com 89 mulheres que se mantiverem seronegativas, apesar de repetidas exposições ao VIH. Os investigadores estudaram as secreções cervico-vaginais (SCV) em ambos os grupos.
As amostras foram colhidas no inicio do estudo, permitindo assim observar se existiam alguns factores protectivos prévios.
Os resultados demonstraram que as secreções vaginais das mulheres repetidamente expostas que permaneceram seronegativas continham, com muito mais frequência, um tipo de anticorpo designado por imunoglobulina A (IgA), que era activo contra o VIH.
Estas mulheres tinham também uma proliferação celular especifica para o VIH, no tracto cervico-vaginal mais evidente do que as mulheres que se infectaram pelo VIH.
Diversas potenciais defesas imunitárias têm sido descritas neste tipo de mulheres repetidamente expostas ao VIH, incluindo células CD4 e CD8 especificas contra o VIH, assim como factores anti-virais CD8 e IgA neutralizadora do VIH.
Mas este estudo é o primeiro a demonstrar uma associação entre a redução da transmissão do VIH e a detecção prévia nas secreções vaginais de ambos os factores, IgA neutralizadora de VIH e proliferação celular especifica contra este vírus.
De facto, a transmissão do VIH foi mais baixa nas mulheres que apresentavam ambas as respostas imunitárias no início do ensaio clínico, o que sugere que estas respostas têm um efeito aditivo.
A actividade neutralizante do VIH foi observada mais frequentemente em determinados sub-tipos de VIH, sendo maior no sub-tipo C do que no sub-tipo A, embora este seja mais frequente no Quénia. No entanto, os autores afirmam que as diferentes amostras de VIH apresentavam grande grau de variação de sensibilidade neutralizante, o que obriga a uma análise de um maior número de amostras de sub-tipos A e C para que se possam retirar conclusões definitivas.
Acrescentam, ainda, que não podem provar que este tipo de resposta imunitária seja a razão pela qual as mulheres não se infectaram com o VIH, mas os dados sugerem que a indução deste tipo de resposta pode ser um alvo fundamental para o desenvolvimento de uma vacina.
Referência:
Hirbod TY et al. HIV-neutralizing immunoglobulin A and HIV-specific proliferation are independently associated with reduced HIV acquisition in Kenyan sex workers. AIDS 22: 727-735, 2008.
Kaul R et al. Monthly antibiotics chemoprophylaxis and incidence of sexually transmitted infections and HIV-1 infection in Kenyan sex workers: a randomized controlled trial. JAMA 291: 2555-2562, 2004.
Tradução pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT)
