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Associação entre depressão e infecções de transmissão sexual
Michael Carter, Tuesday, December 30, 2008
A depressão é comum nas pessoas com infecções de transmissão sexual (IST), de acordo com um artigo da autoria de investigadores canadianos publicado na edição de Dezembro da revista Sexually Transmitted Infections. Os investigadores sugerem que os programas devem contemplar o despiste da depressão nestas situações.

O tratamento das infecções de transmissão sexual é um aspecto importante no controle e na prevenção das mesmas. O diagnóstico de uma infecção de transmissão sexual pode ser um acontecimento emocional traumático, que pode conduzir ao desenvolvimento de depressão. Para além disso, a existência de depressão pode implicar que os doentes com sintomas não procurem atempadamente o necessário tratamento ou tomem precauções para se protegerem ou protegerem os outros.

A determinação da associação entre depressão e infecções de transmissão sexual pode ter implicações importantes para a saúde pública e nesse sentido os investigadores canadianos examinaram a prevalência de infecções de transmissão sexual e depressão na população em geral.

O amplo estudo envolveu 21 500 indivíduos que participaram no Inquérito de Saúde Comunitária em 2003. Tinham idades compreendidas entre 15 e 49 anos. O questionário incluía perguntas sobre dados demográficos, comportamentos sexuais, antecedentes de infecções de transmissão sexual, estado marital e uso de álcool e tabaco.

No total, 5% dos inquiridos tinha antecedentes de infecções de transmissão sexual e 8% referiu depressão. Os homens referiram menos episódios de infecções de transmissão sexual (5% vs. 6%) e depressão (6% vs. 10%) em comparação com as mulheres.

Nos homens, a existência de infecções de transmissão sexual aumentava o risco de depressão em 50% (adjusted odds ratio 1.5; 95% intervalo de confiança 1.1-2.2). Os investigadores encontraram um relação estatisticamente significativa entre depressão e infecções de transmissão sexual nos homens de idade inferior a 35 anos (p <0.01). Verificaram igualmente que entre os homens com um rendimento económico elevado e alto nível de escolaridade existia um risco aumentado de associação entre infecções de transmissão sexual e depressão. Sugerem que este facto pode ser devido ao estigma associado a este tipo de infecções e ao medo de que o diagnóstico possa pôr em perigo a sua posição ou status.

Entre as mulheres, as infecções de transmissão sexual aumentavam o risco de depressão em 80% (AOR, 1.8; 95% CI 1.4-2.3). Nenhuma característica individual aumentou esta associação.

“Os nossos dados que resultam do inquérito nacional apoiam o argumento de que existe uma associação entre infecções de transmissão sexual e depressão”, comentaram os investigadores.

E concluem, “as clínicas de saúde sexual devem estar saber sobre qual o tipo de doentes com IST que terá mais probabilidade de apresentar depressão. Os programas de proximidade devem igualmente ser desenhados de forma a despistar problemas de depressão entre os doentes com infecções de transmissão sexual.”

Referência:
Chen, Y. et al. Depression associated with sexually transmitted infection in Canada. Sex Transm Infect 84: 535-40, 2008.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA