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Um hospital de Londres irá testar uma nova vacina para o VIH
Gus Cairns, Friday, December 19, 2008
O St. Stephen’s AIDS Trust do hospital Chelsea e Westminster em Londres formou equipa com a IAVI (International AIDS Vaccine Iniciative), para testar a mais recente candidata a vacina para o VIH.

O AIDS Trust procura 32 homens e mulheres saudáveis e seronegativos para o VIH com baixo risco de contraírem o vírus para participarem no estudo.

Simultaneamente, terá lugar um outro estudo na Índia, usando a mesma vacina mas num programa diferente de doseamentos e uma vacina modificada para agir contra o tipo mais comum de VIH nessa região.

A vacina tem como objectivo estimular as células CD8 para eliminar as células infectadas com VIH. Tal significa que uma vacina bem sucedida não iria prevenir completamente a infecção pelo VIH mas iria permitir ao sistema imunitário a contenção do VIH, reduzindo a replicação viral, a carga viral e espera-se que atrase ou prevena o desenvolvimento da SIDA.

Este é o mesmo modo de acção da candidata a vacina do ensaio falhado STEP, que terminou no ano passado quando foi descoberto que a vacina era no melhor cenário ineficiente e, pior que isso, poderia ter tornado as pessoas ainda mais vulneráveis à infecção pelo VIH.

No entanto, os ensaios da nova vacina, nomeada de TBC-M4, diferem do ensaio da STEP em dois aspectos.

Primeiro, esta vacina usa um vírus inactivo diferente como “vector”. Os segmentos dos genes do VIH que (espera-se) irão estimular uma resposta imunitária estão contidos no invólucro de outro vírus que age de modo a estabelecer uma “falsa infecção”. O invólucro do outro vírus é chamado “vector”
As vacinas para o VIH deste tipo têm de usar outro vírus como vector dado que quando versões inteiras inactivas do próprio VIH foram utilizadas em ensaios clínicos com animais, houve reversão, levando a uma forma adiada de SIDA.

O vector viral neste estudo é um VMV (Vírus Modificado Vaccina), um vírus inactivado da família da varíola. Tem a vantagem de que os voluntários do estudo não têm nenhuma imunidade preexistente ao vector. A vacina Ad5 da Merck, utilizada no ensaio clínico STEP, usava um vírus inactivado da gripe comum como vector, e a imunidade preexistente que muitos voluntários tinham ao vírus pode ter sido um factor na sua ineficácia e possível nocividade.

Segundo, o novo estudo clínico usa um boost prévio. Neste tipo de vacina, genes seleccionados de VIH são injectados em primeiro lugar como ADN “nu”, sem qualquer vector viral. A ideia é a de que este método possa criar uma resposta imunitária mais forte à vacina do vector quando mais tarde esta for injectada. O pacote de genes ADN usado é denominado ADVAX e tem a vantagem de ser de produção relativamente barata. Não existe perigo de que o ADN “nu” se possa recombinar para formar um vírus que cause doença.

A vacina TBC-M4 já completou um ensaio clínico em Chennai, na Índia. Aqui a vacina un-primed produziu uma resposta imunitária descrita como “modesta” pelos investigadores. No entanto, provocou uma resposta imune em percentagens mais altas do que antes observadas – 82 por cento dos 16 voluntários que receberam uma dose baixa e 100 por cento dos 16 que receberam uma dose alta. Espera-se que o design do boost primário fortaleça a resposta imunitária.

Essa resposta imunitária será também medida de um modo diferente. Parte do problema com os ensaios clínicos da anterior vacina era que, enquanto os testes indicavam que em muitos casos produziam uma resposta imunitária significativa, em termos da activação de células, não se sabe qual o tipo específico de resposta imune que realmente suprime a replicação do VIH e a carga viral. O novo ensaio clínico da vacina, usará testes imunológicos padrão e também um teste que mede a actividade antiviral real.

A Dra. Jill Gilmour, Directora Clínica Sénior de Investigação,afirmou: “Os testes laboratoriais actualmente utilizados nos ensaios clínicos da vacina para o VIH [podem não ser] um predictor fiável para avaliar se a vacina poderá prevenir ou controlar a infecção por VIH. Este novo teste irá possibilitar aos investigadores a selecção dos candidatos mais promissores a vacina numa larga escala de testes de eficácia.”

O ensaio clínico é de fase I pequena que se destina a orientar os cientistas na selecção dos melhores candidatos a vacinas para o VIH; não tem como objectivo demonstrar eficácia clínica contra o VIH.

O investigador principal, Professor Brian Gazzard do St Stephen’s AIDS Trust disse: “Esperamos que este ensaio clínico possa contribuir para uma melhor compreensão de como induzir uma resposta imunitária através de uma vacina que proteja da infecção VIH e da SIDA.”

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA