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Metade dos doentes Russos com XRD-TB foram curados com tratamento agressivo
Investigadores dos E.U.A. e Russos relataram na edição on line de 25 de Agosto do The Lancet que quase metade dos 29 doentes diagnosticados com tuberculose extremamente resistente aos medicamentos (XDR-TB), num programa russo de tratamento da TB, foram curados com um tratamento agressivo entre 2000 e 2004.
A tuberculose (TB) é classificada como extremamente resistente quando é resistente aos medicamentos mais usados de segunda linha (qualquer medicamento para a TB aminoglicosídeo ou capreomicina e qualquer fluoroquinolona). Regra geral, surge como resultado da falência de múltiplos tratamentos para a TB devido a não adesão à terapêutica, a tratamentos incompletos, à má qualidade dos medicamentos ou a uma escolha incorrecta dos medicamentos de segunda linha.
A MDR (tuberculose multirresistente) e a XDR-TB podem ser transmitidas de uma pessoa para outra, em especial em ambientes onde um grande número de pessoas vulneráveis está reunido com ventilação insuficiente, tais como hospitais e prisões.
A XDR-TB é um problema crescente em muitas partes do mundo, sobretudo na África do Sul e é geralmente descrita, nos relatos da imprensa, como a “estirpe mortífera” ou como sendo intratável. No entanto, há pouca informação sobre a resposta ao tratamento das pessoas diagnosticadas com XDR-TB.
A Rússia tem uma incidência elevada de MDR-TB: em 2002, mais de 13% dos novos casos da TB na região de Tomsk eram multi-resistentes e 43% dos casos tratados previamente tinham MDR-TB, apesar da introdução de tratamentos curtos com toma directamente observada (TOD) para todos os casos de TB e de tratamentos individualizados de MDR-TB baseados no teste de susceptibilidade aos medicamentos, no período até 2002.
O estudo reportado no The Lancet foi conduzido pelo Dr. Salmaan Keshavjee do Departamento da Saúde Global e Medicina Social da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Neste estudo foi avaliada a resposta ao tratamento de 608 doentes diagnosticados com MDR-TB entre 2000 e 2004, no distrito de Tomsk. A medida de base da MDR-TB foi a resistência à isoniazida e rifampicina.
A MDR-TB foi diagnosticada através do teste da susceptibilidade a medicamentos e o tratamento subsequente era individualizado de acordo com o relatório das resistências aos medicamentos e com o historial de tratamentos prévios. A terapêutica prescrita continha pelo menos cinco medicamentos activos, sempre que era possível, e era administrado por toma directamente observada. Os doentes receberam tratamento em internamento durante toda a duração da terapêutica com tratamento intravenoso (seis a nove meses) e depois eram tratados na comunidade se não fossem alcoólicos, sem abrigo ou reclusos. A terapêutica durou, em regra, 18 meses após a negativação de cultura.
Vinte e nove dos 608 doentes tinham XDR-TB (4,8%). Menos de 1% de todos os doentes com MDR-TB eram seropositivos para o VIH e nenhum tinha XDR-TB.
Os resultados do tratamento eram significativamente melhores nos que tinham MDR-TB do que no grupo com XDR-TB, mas em quase metade dos doentes com XDR-TB (48%) foi possível obter a cura. Em comparação, foram curados 63% dos que tinham MDR-TB (p = 0,04).
Embora houvesse uma taxa significativamente superior de falência terapêutica nos doentes com XDR-TB (31% vs 8%, p=0,0008), não houve uma diferença significativa na taxa de morte (7% vs 5%), no tempo médio de negativação da cultura (dois meses), na adesão ou na taxa de efeitos secundários.
No editorial que acompanhava o artigo no The Lancet, Helen Cox e Cheryl McDermid, médicas que trabalham com os Médicos Sem Fronteiras na África do Sul, relatam a elevada taxa de cura que foi conseguida para a MDR-TB e evidenciam as características do serviço de saúde que conseguiu estes resultados. O programa resultou de uma parceria entre um programa regional para a TB e os serviços prisionais, um laboratório equipado para realizar testes de sensibilidade aos medicamentos e uma ONG internacional que melhorou as capacidades técnicas de tratar a MDR-TB.
A chave para o sucesso deste programa baseou-se no empenhamento do governo local no tratamento da tuberculose multi-resistente, tomando este assunto como seu.
No entanto, os investigadores sublinham a principal limitação do estudo: a baixa prevalência de infecção VIH entre os doentes tratados para a TB. Segundo os autores do estudo, “Devemos ser cautelosos na esperança de conseguir tais taxas de sucessos onde há elevada prevalência de VIH”. Recomendam que é necessário replicar urgentemente o estudo de Keshavjee em outros locais, sobretudo para pessoas seropositivas para o VIH.
Concluem que, apesar de tudo, “ o tratamento agressivo é a estratégia lógica para dar a melhor hipótese de cura e evitar o aparecimento de resistências adicionais aos medicamentos”.
Referências
Keshavjee S et al. Treatment of extensively drug-resistant tuberculosis in Tomsk, Rússia: a retrospective cohort study. The Lancet, publicado on line a 25 de Agosto de 2008.
Cox H, McDermid C XDR tuberculosis can be cured with aggressive treatment. The Lancet. publicado on line a 25 de Agosto de 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
A tuberculose (TB) é classificada como extremamente resistente quando é resistente aos medicamentos mais usados de segunda linha (qualquer medicamento para a TB aminoglicosídeo ou capreomicina e qualquer fluoroquinolona). Regra geral, surge como resultado da falência de múltiplos tratamentos para a TB devido a não adesão à terapêutica, a tratamentos incompletos, à má qualidade dos medicamentos ou a uma escolha incorrecta dos medicamentos de segunda linha.
A MDR (tuberculose multirresistente) e a XDR-TB podem ser transmitidas de uma pessoa para outra, em especial em ambientes onde um grande número de pessoas vulneráveis está reunido com ventilação insuficiente, tais como hospitais e prisões.
A XDR-TB é um problema crescente em muitas partes do mundo, sobretudo na África do Sul e é geralmente descrita, nos relatos da imprensa, como a “estirpe mortífera” ou como sendo intratável. No entanto, há pouca informação sobre a resposta ao tratamento das pessoas diagnosticadas com XDR-TB.
A Rússia tem uma incidência elevada de MDR-TB: em 2002, mais de 13% dos novos casos da TB na região de Tomsk eram multi-resistentes e 43% dos casos tratados previamente tinham MDR-TB, apesar da introdução de tratamentos curtos com toma directamente observada (TOD) para todos os casos de TB e de tratamentos individualizados de MDR-TB baseados no teste de susceptibilidade aos medicamentos, no período até 2002.
O estudo reportado no The Lancet foi conduzido pelo Dr. Salmaan Keshavjee do Departamento da Saúde Global e Medicina Social da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Neste estudo foi avaliada a resposta ao tratamento de 608 doentes diagnosticados com MDR-TB entre 2000 e 2004, no distrito de Tomsk. A medida de base da MDR-TB foi a resistência à isoniazida e rifampicina.
A MDR-TB foi diagnosticada através do teste da susceptibilidade a medicamentos e o tratamento subsequente era individualizado de acordo com o relatório das resistências aos medicamentos e com o historial de tratamentos prévios. A terapêutica prescrita continha pelo menos cinco medicamentos activos, sempre que era possível, e era administrado por toma directamente observada. Os doentes receberam tratamento em internamento durante toda a duração da terapêutica com tratamento intravenoso (seis a nove meses) e depois eram tratados na comunidade se não fossem alcoólicos, sem abrigo ou reclusos. A terapêutica durou, em regra, 18 meses após a negativação de cultura.
Vinte e nove dos 608 doentes tinham XDR-TB (4,8%). Menos de 1% de todos os doentes com MDR-TB eram seropositivos para o VIH e nenhum tinha XDR-TB.
Os resultados do tratamento eram significativamente melhores nos que tinham MDR-TB do que no grupo com XDR-TB, mas em quase metade dos doentes com XDR-TB (48%) foi possível obter a cura. Em comparação, foram curados 63% dos que tinham MDR-TB (p = 0,04).
Embora houvesse uma taxa significativamente superior de falência terapêutica nos doentes com XDR-TB (31% vs 8%, p=0,0008), não houve uma diferença significativa na taxa de morte (7% vs 5%), no tempo médio de negativação da cultura (dois meses), na adesão ou na taxa de efeitos secundários.
No editorial que acompanhava o artigo no The Lancet, Helen Cox e Cheryl McDermid, médicas que trabalham com os Médicos Sem Fronteiras na África do Sul, relatam a elevada taxa de cura que foi conseguida para a MDR-TB e evidenciam as características do serviço de saúde que conseguiu estes resultados. O programa resultou de uma parceria entre um programa regional para a TB e os serviços prisionais, um laboratório equipado para realizar testes de sensibilidade aos medicamentos e uma ONG internacional que melhorou as capacidades técnicas de tratar a MDR-TB.
A chave para o sucesso deste programa baseou-se no empenhamento do governo local no tratamento da tuberculose multi-resistente, tomando este assunto como seu.
No entanto, os investigadores sublinham a principal limitação do estudo: a baixa prevalência de infecção VIH entre os doentes tratados para a TB. Segundo os autores do estudo, “Devemos ser cautelosos na esperança de conseguir tais taxas de sucessos onde há elevada prevalência de VIH”. Recomendam que é necessário replicar urgentemente o estudo de Keshavjee em outros locais, sobretudo para pessoas seropositivas para o VIH.
Concluem que, apesar de tudo, “ o tratamento agressivo é a estratégia lógica para dar a melhor hipótese de cura e evitar o aparecimento de resistências adicionais aos medicamentos”.
Referências
Keshavjee S et al. Treatment of extensively drug-resistant tuberculosis in Tomsk, Rússia: a retrospective cohort study. The Lancet, publicado on line a 25 de Agosto de 2008.
Cox H, McDermid C XDR tuberculosis can be cured with aggressive treatment. The Lancet. publicado on line a 25 de Agosto de 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
