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A Gilead está a ensaiar em humanos um medicamento substituto do ritonavir
Keith Alcorn, Friday, August 01, 2008
A Gilead, a empresa produtora dos dois medicamentos para o VIH mais vendidos no mundo, tenofovir e emtricitabina, anunciou que está a realizar estudos em humanos de um produto que poderá substituir o ritonavir, enquanto agente anti-retroviral potenciador (booster) em algumas combinações de doses fixas.

O GS 9350, sigla pela qual o produto é conhecido, é um composto de toma única diária, estável à temperatura ambiente que pode ser co-formulado com outros agentes incluindo o tenofovir e o inibidor da integrase elvitegravir (que actualmente deve ser potenciado com ritonavir para manter níveis elevados no sangue).

O GS 9350 está a ser testado num estudo clínico de Fase 1 para ajuste de dose com doses únicas e múltiplas. O estudo é concebido para avaliar a segurança, tolerabilidade, farmacocinética e fármaco-dinâmica de doses únicas e crescentes de GS 9350 em voluntários saudáveis.

O ritonavir (Norvir), um inibidor da protease produzido pela Abbott, tem uma capacidade extraordinária de potenciar, no sangue, os níveis da maioria dos medicamentos anti-retrovirais processados através do citocromo P450 que controla o metabolismo de muitos compostos.

O ritonavir potencia os níveis dos medicamentos tornando mais lento o processamento através desta via, provocando níveis mais elevados de um outro medicamento no organismo. O ritonavir é o inibidor mais potente conhecido do citocromo P450 CYP 3A4, a via pela qual os inibidores da protease são metabolizados.

Todos os inibidores da protease actualmente no mercado, excepto o nelfinavir (Viracept), são geralmente potenciados com doses baixas de ritonavir e o inibidor da protease lopinavir da Abbott é co-formulado com uma dose baixa de ritonavir no medicamento Kaletra.

No entanto, há efeitos negativos provocados pelo uso do ritonavir como potenciador. O ritonavir causa um aumento dos triglicéridos mesmo em doses baixas, que por vezes deve ser controlado com medicação ou até obrigar a uma mudança para outra combinação de medicamentos. Pode também ter um papel no aparecimento de problemas gastrointestinais, tais como diarreia, flatulência e náuseas nos doentes que tomam inibidores da protease.

O ritonavir é considerado problemático pelas empresas farmacêuticas porque é da Abbott, que quintuplicou (nos EUA) o preço deste medicamento em Dezembro de 2003, para tornar mais atractivo o produto co-formulado Kaletra em relação aos outros inibidores da protease concorrentes que eram usados com ritonavir.

O facto de a Abbott ser proprietária do ritonavir torna impossível à concorrência co-formular os seus produtos com ritonavir.

O objectivo da Gilead é o de co-formular o GS 9350 num único comprimido com o seus inibidore da integrase em investigação, elvitegravir e com o tenofovir e emtricitabina. A empresa diz que os estudos preliminares têm mostrado que é possível.

Acordos de co-formulação com outras empresas podem seguir-se, sendo o atazanavir (Reyataz) da Bristol Myers-Sqibb um óbvio candidato. Um produto de dose fixa de segunda e terceira linha que combine o darunavir (Prezista) com elvitegravir e GS 9350 também é uma possibilidade se a dose de toma única de darunavir for potenciada pelo GS 9350 e for bem sucedida em doentes experientes com inibidores da protease.