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A interrupção do tratamento com efavirenze devido a efeitos secundários do CNS não está relacionada com os níveis do medicamento na corrente sanguínea
Michael Carter, Friday, October 23, 2009
Investigadores reportaram na edição de Outubro da revista AIDS que os níveis de efavirenze na corrente sanguínea não estão associados com a descontinuação do tratamento devido aos problemas neuropsiquiátricos.

Uma análise retrospectiva de um ensaio clínico randomizado demonstrou não existirem diferenças significativas nos níveis do medicamento no sangue entre os doentes que pararam a terapêutica devido a estes efeitos secundários e os que continuaram a tomar efavirenze durante mais tempo. Os resultados contrastam com um recente estudo Holandês que concluiu que a redução da dose do efavirenze em doentes com concentrações elevadas de sangue resultou em menos descontinuações relacionadas com a toxicidade do tratamento com efavirenze.

Uma descoberta intrigante do estudo foi a de que os fumadores apresentaram maior probabilidade de pararem a terapêutica com efavirenze devido a problemas neuropsicológicos, do que os não fumadores.

Os investigadores notaram que “os estudos epidemiológicos e clínicos demonstraram taxas elevadas de consumo de tabaco em adultos com problemas mentais.” (Paradoxalmente, um estudo reportado recentemente demonstrou que, em pessoas que têm uma predisposição genética para metabolizar o efavirenze mais depressa, os fumadores têm níveis mais baixos de efavirenze no sangue do que os não fumadores.)

O efavirenze (Stocrin®, também no comprimido de combinação Atripla®) é um medicamento antiretroviral potente, fácil de tomar e geralmente bem tolerado, que é recomendado como tratamento de primeira linha para o VIH.

No entanto, aproximadamente 50% dos doentes reportam efeitos secundários tais como tonturas, depressão e problemas de sono após iniciarem a terapêutica com este medicamento. Estes efeitos desaparecem na maioria dos doentes dentro de mais ou menos um mês, mas num pequeno número de indivíduos, os sintomas persistem e tornam-se tão problemáticos que o tratamento com efavirenze é interrompido.

Alguns estudos (mas não todos) demonstraram que os doentes que param o tratamento com efavirenze devido a efeitos secundários do foro neuropsiquiátrico têm concentrações elevadas do medicamento na corrente sanguínea.

Os investigadores do estudo INITIO, randomizado e controlado, compararam retrospectivamente os níveis de efavirenze no sangue de doentes que pararam a terapêutica com efavirenze após pelo menos quatro semanas de tratamento, devido a efeitos secundários do foro neuropsiquiátrico, com o sangue de doentes que continuaram com a terapêutica durante pelo menos seis meses.

Todos os doentes que tomaram o efavirenze em combinação com d4T (estavudina, Zerit®) e ddI (didadosina, Videx®), e alguns doentes foram também randomizados para tomarem o inibidor da protease, nelfinavir (Viracept®). Nenhum destes medicamentos é agora recomendado para usos de rotina nos países desenvolvidos.

As análises dos investigadores incluíram 35 doentes que pararam o tratamento com efavirenze e 75 indivíduos que tomaram o medicamento durante o período mais longo.
A única diferença importante entre estes dois grupos de doentes foi que os que pararam a terapêutica tinham uma maior probabilidade de serem fumadores (62 vs 27%, p = 0,0011).

Concentrações médias de efavirenze no sangue foram comparáveis entre os dois grupos de doentes (2259 vs 2085 mg/l), e os doentes que interromperam a terapêutica com o medicamente não apresentavam maior probabilidade de terem concentrações do medicamento no sangue superiores a 3000 mg/l (17% vs 27%), ou 4000 mg/l (7% vs 16%).

Apesar da conclusão de que os fumadores tinham maiores probabilidades de pararam o tratamento com efavirenze devido a efeitos secundários do foro neuropsiquiátrico, os níveis do medicamento no sangue foram comparáveis entre aqueles que fumavam e os que não fumavam (2254 vs 2048 mg/l).

“Num grande ensaio clínico randomizado, as concentrações de plasma não foram factores preditivos para a interrupção do medicamento devido a sintomas neuropsiquiátricos após pelo menos um mês de terapêutica,” escrevem os investigadores.

Concluem então que, “através destes resultados não podemos recomendar medidas aleatórias de concentrações de efavirenze no plasma sanguíneo para prever as toxicidades no sistema nervoso central.”

Outro estudo recente demonstrou que, com o passar das semanas, aumentos graduais na dose de efavirenze reduzem a incidência de efeitos secundários no sistema nervoso central, e que reduzir a dose de efavirenze é seguro para pessoas com uma predisposição genética para metabolizar lentamente este medicamento.

Referência
Reid TRH et al. Efavirenz plasma concentrations did not predict cessation of therapy due to neuropsychiatric symptoms in a large randomized trial. AIDS 23: 2222-23, 2009.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA