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Transmissão de VIH resistente é comum em grupos de indivíduos recentemente infectados
Investigadores suíços descobriram que 84% dos indivíduos recentemente diagnosticados com VIH, que estavam infectados com uma estirpe viral resistente aos medicamentos anti-retrovirais faziam parte de grupos compostos apenas por outros indivíduos recém-diagnosticados. O estudo, que foi publicado na edição on-line da revista AIDS, demonstrou também que 9% dos indivíduos diagnosticados recentemente estavam infectados com uma estirpe de VIH resistente aos medicamentos e que 53% dos indivíduos com infecções recentes pelo VIH podiam ser relacionados com um grupo transmissor.
“Indivíduos recentemente diagnosticados, que não estão a fazer tratamento, são uma fonte significativa de estirpes resistentes, o que sugere um importante mecanismo de auto-abastecimento para a transmissão de estirpes resistentes aos medicamentos”, escrevem os investigadores.
Os modos de transmissão do VIH estão deficientemente definidos e documentados. As evidências acumuladas com base em estudos que utilizam análises filogenéticas sugerem que indivíduos recém-infectados pelo VIH desempenham um papel importante na propagação deste vírus. Foram identificados grupos transmissores que são compostos por indivíduos recentemente infectados.
Contudo, o impacto destes grupos não foi plenamente avaliado no que diz respeito à frequência da transmissão do VIH resistente aos medicamentos. Os investigadores suíços analisaram sequências virais obtidas de todos os indivíduos recém diagnosticados com VIH em Genebra, entre 2000 e 2008.
Amostras de 637 indivíduos foram incluídas na análise dos investigadores. A resistência aos medicamentos anti-retrovirais estava presente em 54 pacientes (9%).
O aparecimento destas resistências era mais susceptível de ocorrer em indivíduos com as seguintes características: serem do sexo masculino (79% versus 63%, p = 0,02), serem mais velhos (38 versus 34 anos, p = 0.001), ter um valor mais elevado na contagem das células CD4 (452 células/ mm3 versus 339 células/mm3, p=0,02) e ter uma carga viral mais baixa (40,000 cópias/ml versus 75,000 cópias/ml, p =0,02).
A taxa global de transmissões de vírus resistentes aumentou significativamente durante o período de oito anos do estudo (p = 0,015). Isto foi inteiramente devido a um aumento das transmissões de vírus resistentes aos medicamentos Inibidores da Transcriptase Reversa não nucleósidos (ITRNN) (p – 0,002).
A análise filogenética mostrou que 222 indivíduos recém-diagnosticados (35%) faziam parte de 105 grupos transmissores ou clusters.
Estes clusters eram mais frequentes naqueles recentemente infectados com o VIH do que naqueles cuja duração da infecção pelo VIH era desconhecida (53% versus 30%, p<0,0001).
Dos 222 indivíduos recém-diagnosticados nos grupos transmissores, 147 (66%) pertenciam a grupos compostos exclusivamente por novos infectados.
Os indivíduos recém-diagnosticados com vírus resistentes aos medicamentos tinham maior probabilidade de pertencer a um grupo de transmissão ou cluster do que os indivíduos com estirpes virais sensíveis aos medicamentos (59% versus 33%, p <0,0001).
Dos 32 indivíduos recém-diagnosticados com vírus resistentes, 27 (84%) faziam parte de um grupo composto por indivíduos recém-infectados.
Consistente com estes resultados, a prevalência das transmissões resistentes era mais alta nos indivíduos que faziam parte dos grupos transmissores do que naqueles que não faziam (14% versus 5%, p <0,0001).
“As nossas descobertas sublinham o papel dos indivíduos recentemente diagnosticados, ainda não expostos aos medicamentos anti-retrovirais, no crescimento do número de indivíduos infectados por estirpes de VIH resistentes aos medicamentos”, concluem os investigadores.
Referência
Yerly S et al. The impact of transmission clusters on primary drug resistance in newly diagnosed HIV-1 infection. AIDS 23 (online edition), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
“Indivíduos recentemente diagnosticados, que não estão a fazer tratamento, são uma fonte significativa de estirpes resistentes, o que sugere um importante mecanismo de auto-abastecimento para a transmissão de estirpes resistentes aos medicamentos”, escrevem os investigadores.
Os modos de transmissão do VIH estão deficientemente definidos e documentados. As evidências acumuladas com base em estudos que utilizam análises filogenéticas sugerem que indivíduos recém-infectados pelo VIH desempenham um papel importante na propagação deste vírus. Foram identificados grupos transmissores que são compostos por indivíduos recentemente infectados.
Contudo, o impacto destes grupos não foi plenamente avaliado no que diz respeito à frequência da transmissão do VIH resistente aos medicamentos. Os investigadores suíços analisaram sequências virais obtidas de todos os indivíduos recém diagnosticados com VIH em Genebra, entre 2000 e 2008.
Amostras de 637 indivíduos foram incluídas na análise dos investigadores. A resistência aos medicamentos anti-retrovirais estava presente em 54 pacientes (9%).
O aparecimento destas resistências era mais susceptível de ocorrer em indivíduos com as seguintes características: serem do sexo masculino (79% versus 63%, p = 0,02), serem mais velhos (38 versus 34 anos, p = 0.001), ter um valor mais elevado na contagem das células CD4 (452 células/ mm3 versus 339 células/mm3, p=0,02) e ter uma carga viral mais baixa (40,000 cópias/ml versus 75,000 cópias/ml, p =0,02).
A taxa global de transmissões de vírus resistentes aumentou significativamente durante o período de oito anos do estudo (p = 0,015). Isto foi inteiramente devido a um aumento das transmissões de vírus resistentes aos medicamentos Inibidores da Transcriptase Reversa não nucleósidos (ITRNN) (p – 0,002).
A análise filogenética mostrou que 222 indivíduos recém-diagnosticados (35%) faziam parte de 105 grupos transmissores ou clusters.
Estes clusters eram mais frequentes naqueles recentemente infectados com o VIH do que naqueles cuja duração da infecção pelo VIH era desconhecida (53% versus 30%, p<0,0001).
Dos 222 indivíduos recém-diagnosticados nos grupos transmissores, 147 (66%) pertenciam a grupos compostos exclusivamente por novos infectados.
Os indivíduos recém-diagnosticados com vírus resistentes aos medicamentos tinham maior probabilidade de pertencer a um grupo de transmissão ou cluster do que os indivíduos com estirpes virais sensíveis aos medicamentos (59% versus 33%, p <0,0001).
Dos 32 indivíduos recém-diagnosticados com vírus resistentes, 27 (84%) faziam parte de um grupo composto por indivíduos recém-infectados.
Consistente com estes resultados, a prevalência das transmissões resistentes era mais alta nos indivíduos que faziam parte dos grupos transmissores do que naqueles que não faziam (14% versus 5%, p <0,0001).
“As nossas descobertas sublinham o papel dos indivíduos recentemente diagnosticados, ainda não expostos aos medicamentos anti-retrovirais, no crescimento do número de indivíduos infectados por estirpes de VIH resistentes aos medicamentos”, concluem os investigadores.
Referência
Yerly S et al. The impact of transmission clusters on primary drug resistance in newly diagnosed HIV-1 infection. AIDS 23 (online edition), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
