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Circuncisão reduz o risco de transmissão da infecção pelo VIH em 50% nos afro-americanos heterossexuais
De acordo com a investigação americana publicada a 1 de Janeiro de 2009, na edição do Journal of Infectious Diseases, a circuncisão reduziu o risco de infecção pelo VIH para 50% nos homens afro-americanos que tiveram contacto sexual com mulheres seropositivas para o VIH. A redução do risco de infecção nos homens circuncizados foi semelhante à observada nos três ensaios controlados e randomizados sobre a eficácia da circuncisão como método preventivo da infecção pelo VIH em África.
A circuncisão masculina tem sido foco de atenção considerável como método preventivo do VIH nos últimos anos. Foi demonstrado que as células do prepúcio são vulneráveis à infecção pelo VIH e que a circuncisão reduz o risco de infecção entre os homens na África sub-sahariana.
Existe ainda pouca informação sobre a eficácia da circuncisão como um método de prevenção do VIH nos E.U.A., nos homens heterossexuais. Em parte, isto é devido ao facto de os E.U.A. terem uma baixa prevalência de VIH (0,4%) e também porque a epidemia está concentrada nos homossexuais e em outros homens que têm sexo com homens, nos quais o efeito protector da circuncisão é menos claro.
De forma a avaliar a associação entre a circuncisão e o risco de infecção pelo VIH na população masculina afro-americana que frequentou clínicas de saúde sexual em Baltimore, os investigadores conduziram um estudo retrospectivo de 40.571 visitas efectuadas entre 1993 e 2000. Todos os doentes foram testados para o VIH, tendo a clínica registado os que eram circuncizados e quais não o eram e se tinham uma infecção de transmissão sexual uretral ou ulcerativa.
Os investigadores foram também capazes de identificar um subconjunto de 394 consultas que envolveram homens que sabiam terem sido expostos à infecção após um contacto sexual pénis-vagina com uma mulher cujo estatuto serológico era positivo para a infecção. Isto permitiu aos investigadores estudar a eficácia da circuncisão como um método de prevenção do VIH nos homens que sabiam ter sido expostos ao vírus.
A maioria (87%) era constituída por homens circuncizados. A prevalência do VIH era quatro vezes mais elevada no subgrupo das 394 consultas (efectuadas à clínica) devido a uma conhecida exposição à infecção do que nas 40.177 visitas realizadas por homens que não sabiam se tinha sido expostos à infecção pelo VIH (12% vs 3%).
Entre os 394 homens que foram à clínica devido a uma conhecida exposição à infecção, a circuncisão foi associada a uma redução significativa de 51% na prevalência do VIH (10% vs 22%).
Contudo, entre as 40.177 visitas realizadas pelos homens que não tinham qualquer conhecimento de exposição à infecção, não houve diferença na prevalência de VIH entre os homens circuncizados e os não circuncizados (ambos 3%). No entanto, neste grupo, a prevalência de VIH foi maior nos homens que tinham um infecção sexualmente transmissível ulcerativa (7%) do que aqueles com uma infecção uretral (2%).
Os investigadores comentam que "os cerca de 50% de redução na prevalência observada entre os homens com conhecida exposição à infecção pelo VIH são de magnitude comparável em relação aos riscos observados nos três ensaios realizados em África (variação de 48% para 60%)".
Concluem que "a circuncisão foi associada à significativa redução da prevalência do VIH entre uma coorte de homens heterossexuais afro-americanos com uma exposição sexual conhecida à infecção que frequentaram a clínica de saúde sexual de Baltimore...estas conclusões podem também demonstrar que os benefícios da circuncisão podem ser mais evidentes em estudos observacionais de populações masculinas com exposição documentada à infecção pelo VIH através de parceiras femininas seropositivas."
Os autores do editorial que acompanha o estudo notam que, embora a Academia Americana de Pediatras reconheça "potenciais benefícios médicos de efectuar a circuncisão masculina a recém-nascidos", acreditam que "os dados não são suficientes para recomendar a circuncisão como procedimento da rotina neonatal." Os autores afirmam que a taxa de circuncisão está a descer nos E.U.A. e que esta é baixa entre os afro-americanos e hispânicos, grupos com maior prevalência da infecção pelo VIH.
Esperam que estes resultados possam persuadir a Academia Americana de Pediatras a "reconhecer a importância desta cirurgia para a saúde pública para a prevenção da infecção pelo VIH em populações minoritárias nos E.U.A.".
Referência
Warner L et al. Male circumcision and risk of HIV infection among heterosexual African American men attending Baltimore sexually transmitted disease clinics. J Infect Dis 199: 59-65, 2009.
Gray RH et al. The role of male circumcision in the prevention of human papillomavirus and HIV infection. J Infect Dis 199: 1-3, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
A circuncisão masculina tem sido foco de atenção considerável como método preventivo do VIH nos últimos anos. Foi demonstrado que as células do prepúcio são vulneráveis à infecção pelo VIH e que a circuncisão reduz o risco de infecção entre os homens na África sub-sahariana.
Existe ainda pouca informação sobre a eficácia da circuncisão como um método de prevenção do VIH nos E.U.A., nos homens heterossexuais. Em parte, isto é devido ao facto de os E.U.A. terem uma baixa prevalência de VIH (0,4%) e também porque a epidemia está concentrada nos homossexuais e em outros homens que têm sexo com homens, nos quais o efeito protector da circuncisão é menos claro.
De forma a avaliar a associação entre a circuncisão e o risco de infecção pelo VIH na população masculina afro-americana que frequentou clínicas de saúde sexual em Baltimore, os investigadores conduziram um estudo retrospectivo de 40.571 visitas efectuadas entre 1993 e 2000. Todos os doentes foram testados para o VIH, tendo a clínica registado os que eram circuncizados e quais não o eram e se tinham uma infecção de transmissão sexual uretral ou ulcerativa.
Os investigadores foram também capazes de identificar um subconjunto de 394 consultas que envolveram homens que sabiam terem sido expostos à infecção após um contacto sexual pénis-vagina com uma mulher cujo estatuto serológico era positivo para a infecção. Isto permitiu aos investigadores estudar a eficácia da circuncisão como um método de prevenção do VIH nos homens que sabiam ter sido expostos ao vírus.
A maioria (87%) era constituída por homens circuncizados. A prevalência do VIH era quatro vezes mais elevada no subgrupo das 394 consultas (efectuadas à clínica) devido a uma conhecida exposição à infecção do que nas 40.177 visitas realizadas por homens que não sabiam se tinha sido expostos à infecção pelo VIH (12% vs 3%).
Entre os 394 homens que foram à clínica devido a uma conhecida exposição à infecção, a circuncisão foi associada a uma redução significativa de 51% na prevalência do VIH (10% vs 22%).
Contudo, entre as 40.177 visitas realizadas pelos homens que não tinham qualquer conhecimento de exposição à infecção, não houve diferença na prevalência de VIH entre os homens circuncizados e os não circuncizados (ambos 3%). No entanto, neste grupo, a prevalência de VIH foi maior nos homens que tinham um infecção sexualmente transmissível ulcerativa (7%) do que aqueles com uma infecção uretral (2%).
Os investigadores comentam que "os cerca de 50% de redução na prevalência observada entre os homens com conhecida exposição à infecção pelo VIH são de magnitude comparável em relação aos riscos observados nos três ensaios realizados em África (variação de 48% para 60%)".
Concluem que "a circuncisão foi associada à significativa redução da prevalência do VIH entre uma coorte de homens heterossexuais afro-americanos com uma exposição sexual conhecida à infecção que frequentaram a clínica de saúde sexual de Baltimore...estas conclusões podem também demonstrar que os benefícios da circuncisão podem ser mais evidentes em estudos observacionais de populações masculinas com exposição documentada à infecção pelo VIH através de parceiras femininas seropositivas."
Os autores do editorial que acompanha o estudo notam que, embora a Academia Americana de Pediatras reconheça "potenciais benefícios médicos de efectuar a circuncisão masculina a recém-nascidos", acreditam que "os dados não são suficientes para recomendar a circuncisão como procedimento da rotina neonatal." Os autores afirmam que a taxa de circuncisão está a descer nos E.U.A. e que esta é baixa entre os afro-americanos e hispânicos, grupos com maior prevalência da infecção pelo VIH.
Esperam que estes resultados possam persuadir a Academia Americana de Pediatras a "reconhecer a importância desta cirurgia para a saúde pública para a prevenção da infecção pelo VIH em populações minoritárias nos E.U.A.".
Referência
Warner L et al. Male circumcision and risk of HIV infection among heterosexual African American men attending Baltimore sexually transmitted disease clinics. J Infect Dis 199: 59-65, 2009.
Gray RH et al. The role of male circumcision in the prevention of human papillomavirus and HIV infection. J Infect Dis 199: 1-3, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
