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Factores preditivos da resposta ao tratamento da hepatite C nas pessoas co-infectadas (VIH/VHC): algumas respostas esperadas e algumas surpresas
Michael Carter, Tuesday, July 15, 2008
Os doentes que conseguem obter carga viral indetectável após quatro semanas de tratamento da hepatite C têm maior probabilidade de sucesso no tratamento desta infecção, de acordo com um estudo alemão apresentado no Quarto Workshop Internacional sobre co-infecção VIH/VHC, realizado em Madrid, no passado dia 20 de Junho. Os investigadores concluíram igualmente que a infecção pelo VIH estável, ou seja, sem necessidade de tratamento anti-retroviral, foi um bom factor preditivo de atingimento de carga viral indetectável do vírus da hepatite C, após 12 semanas de tratamento desta infecção.

Os investigadores das cidades de Bona e de Colónia pretendiam determinar quais os factores associados ao tratamento bem sucedido da hepatite C nos doentes co-infectados (VIH/VHC).

Para tal desenharam um estudo retrospectivo, que envolveu 227 pessoas que foram tratadas para o vírus da hepatite C com a combinação de interferão peguilado e ribaverina.

A maioria dos doentes eram homens (73%), com uma média de idades de 41 anos e 59% dos participantes estavam medicados com terapêutica anti-retroviral. A média da contagem de células CD4 no início do tratamento da hepatite C era de 531 células/mm3, a carga viral média apenas ligeiramente acima das 11.000 cópias/ml, o que reflectia o facto de 40% dos doentes não estar medicado com terapêutica anti-retroviral.

O genótipo do vírus da hepatite C mais comum e mais difícil de tratar, o genótipo 1, representou 56% da amostra, à qual se acrescentou 7% de doentes com genótipo 4, que também está associado a uma pior resposta ao tratamento.

No conjunto, 41% dos doentes atingiram uma resposta virológica mantida. Os autores debruçaram assim sobre os factores preditivos de sucesso ao tratamento.

O primeiro factor identificado foi, como esperado, a infecção com o genótipo mais fácil de tratar, ou seja os genótipos 2 e 3 (p<0.001). Uma “resposta virológica rápida” ao tratamento da hepatite C – carga viral do VHC indetectável às quatro semanas – esteve igualmente associada ao sucesso do tratamento (p<0.001), assim como a “resposta virológica precoce” – carga viral indetectável às 12 semanas de tratamento da hepatite C (p<0.001).

Quando os investigadores procuraram os factores associados a uma resposta virológica precoce, descobriram que estes incluíam mais uma vez os genótipos 2 e 3 (p<0.001), uma resposta virológica rápida (p<0.001), mas também a ausência de tratamento anti-retroviral.

Os autores ficaram surpreendidos com este último factor. Mas referiram que os doentes com contagens de células CD4 mais elevadas, e como tal sem necessidade de terapêutica da infecção pelo VIH, foram os que puderam evitar os possíveis efeitos tóxicos hepáticos relacionados com as interacções entre os medicamentos anti-retrovirais e a medicação para a hepatite C, aumentando a probabilidade de eliminação do vírus da hepatite C.

Referência
Labarga P. et al. Ribavirin plasma levels are predictive of HCV clearance after rescue therapy with peg-interferon-a2a plus weight-adjusted ribavirin in HIV/HCV co-infected patients. Fourth International Workshop on HIV and Hepatitis Coinfection, Madrid, abstract 13, 2008.


Dominguez S. et al. Early therapeutic drug monitoring of ribavirin is predictive of tolerability and sustained virological response in HIV-HCV coinfected patients. Fourth International Workshop on HIV and Hepatitis Coinfection, Madrid, abstract 41, 2008.


Labarga P. et al. Early virological efficacy and haematological safety of pegIFN alpha-2a plus high doses of ribavirin in HIV/HCV-coinfected patients (PERICO Study). Fourth International Workshop on HIV and Hepatitis Coinfection, Madrid, abstract 15, 2008.