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Um em cada cinco doentes quenianos sofre de graves interacções medicamentosas com a utilização da terapêutica anti-retroviral
No Quénia, quase 20% dos doentes incluídos num programa de tratamento para o VIH sofreu graves interacções entre a terapêutica anti-retroviral e outros medicamentos prescritos. Em metade destes casos, o resultado da interacção traduziu-se na diminuição significativa dos níveis dos medicamentos anti-retrovirais na corrente sanguínea.
O estudo retrospectivo dos processos clínicos dos doentes do AMPATH (Academic Model for the Prevention and Treatment of HIV/AIDS Providing Access to Health Care) /AIDS) constatou que no total, 30% dos doentes tinha sofrido consequências maiores ou menores devido a interacções medicamentosas.
Os resultados foram apresentados no Congress on Drug Therapy in HIV Infection, que se realizou no início do mês de Novembro, em Glasgow.
O orador, o Dr. Saye Khoo, da Universidade de Liverpool, comentou que o número de interacções identificadas foi muito baixo. Em primeiro lugar, muitos doentes podem ter sofrido interacções mas não as relataram aos profissionais de saúde. Em segundo, algumas classes de medicamentos não foram registadas nos processos clínicos dos doentes; um bom exemplo disto foi a prescrição de contraceptivos femininos, que podem causar interacções significativas. Os medicamentos tradicionais também não foram registados.
O Projecto AMPATH trata actualmente 55 000 pessoas infectadas pelo VIH na cidade de Eldoret e em redor, no noroeste do Quénia, com 2 000 novos registos mensais. O actual estudo correspondeu a uma auditoria retrospectiva de 1 000 doentes consecutivos que se inscreveram no programa, entre Janeiro de 2006 e Abril de 2007.
As interacções medicamentosas foram classificadas como interacções importantes (que poderiam por em risco a vida, exigiam internamento hospitalar ou tratamento), moderadas (as que provocavam deterioração do estado clínico e/ou requeriam uma alteração da dose de, pelo menos, um medicamento) e ligeiras (efeitos desagradáveis mas sem necessidade de intervenção médica).
A idade média dos doentes foi de 38 anos, a contagem basal de células CD4 situava-se em torno de 140/mm3 e cerca de dois terços dos doentes era do sexo feminino; estas características não variaram entre os doentes que apresentavam interacções medicamentosas e aqueles que não tinham qualquer tipo de interacção.
Os medicamentos anti-retrovirais mais utilizados foram, por esta ordem, 3TC, d4T, e nevirapina (distribuído largamente como um comprimido combinado, Triomune); depois AZT e efavirenze; em seguida, em menor número outros INTRs e inibidores da protease. Dos 1 000 doentes estudados sessenta e cinco seguiam um esquema terapêutico de segunda linha.
Quase 19% dos doentes tinham o registo de interacções medicamentosas graves no (seu) processo. As interacções severas mais frequentes foram entre a nevirapina e o efavirenze, dois inibidores não nucleósidos da transcriptase reversa, e a rifampicina, um antibiótico para a Tuberculose que diminui o nível de ARVs no organismo. Houve também uma série de interacções entre a nevirapina e os medicamentos antifúngicos, fluconazol e cetoconazol. Ocorreram 23 interacções graves envolvendo inibidores da protease (quase todas envolvendo lopinavir potenciado por ritonavir ou nelfinavir) e uma variedade de medicamentos que incluíram os antiácidos lansoprazol e omeprazol, rifampicina, um outro conjunto de interacções envolveram a fluoxetina (Prozac) e a combinação de antimaláricos arteméter e lumefantrina.
Interacções medicamentosas moderadas foram registadas em 14% dos doentes e foram dominadas pela interacção entre os INNTRs e os antimaláricos e, também, com o esteróide, prednisolona. Apenas pouco mais de 4% das interacções foram registadas como ligeiras, provavelmente porque estas reacções geralmente não são reportadas.
Duzentos e treze doentes tinham uma interacção registada, cinquenta e um doentes tinham duas, onze doentes tinham três e um doente, infelizmente, tinha quatro. Quarenta e sete por cento das interacções terão resultado na redução das concentrações de ARV.
Não houve um acompanhamento clínico sobre as consequências das interacções e, por isso, é impossível dizer se estiveram de algum modo envolvidas nas mortes subsequentes, embora tudo indique não terem ocorrido óbitos devido às interacções agudas.
Khoo comentou que, com a coexistência das epidemias de VIH, tuberculose e malária em África, não é surpreendente que um em cada quatro doentes sofra de interacções medicamentosas significativas e que os directores dos programas nacionais de tratamentos para o VIH precisam de melhores protocolos de forma a evitar interacções entre os medicamentos para estas três doenças.
Outras informações sobre interacções medicamentosas
O Dr. Saye Khoo e os seus colegas da Universidade de Liverpool disponibilizam um excelente site sobre interacções entre os medicamentos anti-retrovirais que é actualizado com frequência (consultar através do link http://www.hiv-druginteractions.org). O site permite verificar todas as possíveis interacções entre os medicamentos anti-retrovirais e outros tipos de medicamentos.
Poderá consultar mais informação sobre questões de interacções medicamentosas aqui, no aidsmap.com.
Referência:
Kigen G et al (presenter Khoo S). Prevalence of drug interactions between antiretroviral and co-administered drugs in Kenya. Ninth International Congress on Drug Therapy in HIV Infection, Glasgow. Abstract O121. 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
O estudo retrospectivo dos processos clínicos dos doentes do AMPATH (Academic Model for the Prevention and Treatment of HIV/AIDS Providing Access to Health Care) /AIDS) constatou que no total, 30% dos doentes tinha sofrido consequências maiores ou menores devido a interacções medicamentosas.
Os resultados foram apresentados no Congress on Drug Therapy in HIV Infection, que se realizou no início do mês de Novembro, em Glasgow.
O orador, o Dr. Saye Khoo, da Universidade de Liverpool, comentou que o número de interacções identificadas foi muito baixo. Em primeiro lugar, muitos doentes podem ter sofrido interacções mas não as relataram aos profissionais de saúde. Em segundo, algumas classes de medicamentos não foram registadas nos processos clínicos dos doentes; um bom exemplo disto foi a prescrição de contraceptivos femininos, que podem causar interacções significativas. Os medicamentos tradicionais também não foram registados.
O Projecto AMPATH trata actualmente 55 000 pessoas infectadas pelo VIH na cidade de Eldoret e em redor, no noroeste do Quénia, com 2 000 novos registos mensais. O actual estudo correspondeu a uma auditoria retrospectiva de 1 000 doentes consecutivos que se inscreveram no programa, entre Janeiro de 2006 e Abril de 2007.
As interacções medicamentosas foram classificadas como interacções importantes (que poderiam por em risco a vida, exigiam internamento hospitalar ou tratamento), moderadas (as que provocavam deterioração do estado clínico e/ou requeriam uma alteração da dose de, pelo menos, um medicamento) e ligeiras (efeitos desagradáveis mas sem necessidade de intervenção médica).
A idade média dos doentes foi de 38 anos, a contagem basal de células CD4 situava-se em torno de 140/mm3 e cerca de dois terços dos doentes era do sexo feminino; estas características não variaram entre os doentes que apresentavam interacções medicamentosas e aqueles que não tinham qualquer tipo de interacção.
Os medicamentos anti-retrovirais mais utilizados foram, por esta ordem, 3TC, d4T, e nevirapina (distribuído largamente como um comprimido combinado, Triomune); depois AZT e efavirenze; em seguida, em menor número outros INTRs e inibidores da protease. Dos 1 000 doentes estudados sessenta e cinco seguiam um esquema terapêutico de segunda linha.
Quase 19% dos doentes tinham o registo de interacções medicamentosas graves no (seu) processo. As interacções severas mais frequentes foram entre a nevirapina e o efavirenze, dois inibidores não nucleósidos da transcriptase reversa, e a rifampicina, um antibiótico para a Tuberculose que diminui o nível de ARVs no organismo. Houve também uma série de interacções entre a nevirapina e os medicamentos antifúngicos, fluconazol e cetoconazol. Ocorreram 23 interacções graves envolvendo inibidores da protease (quase todas envolvendo lopinavir potenciado por ritonavir ou nelfinavir) e uma variedade de medicamentos que incluíram os antiácidos lansoprazol e omeprazol, rifampicina, um outro conjunto de interacções envolveram a fluoxetina (Prozac) e a combinação de antimaláricos arteméter e lumefantrina.
Interacções medicamentosas moderadas foram registadas em 14% dos doentes e foram dominadas pela interacção entre os INNTRs e os antimaláricos e, também, com o esteróide, prednisolona. Apenas pouco mais de 4% das interacções foram registadas como ligeiras, provavelmente porque estas reacções geralmente não são reportadas.
Duzentos e treze doentes tinham uma interacção registada, cinquenta e um doentes tinham duas, onze doentes tinham três e um doente, infelizmente, tinha quatro. Quarenta e sete por cento das interacções terão resultado na redução das concentrações de ARV.
Não houve um acompanhamento clínico sobre as consequências das interacções e, por isso, é impossível dizer se estiveram de algum modo envolvidas nas mortes subsequentes, embora tudo indique não terem ocorrido óbitos devido às interacções agudas.
Khoo comentou que, com a coexistência das epidemias de VIH, tuberculose e malária em África, não é surpreendente que um em cada quatro doentes sofra de interacções medicamentosas significativas e que os directores dos programas nacionais de tratamentos para o VIH precisam de melhores protocolos de forma a evitar interacções entre os medicamentos para estas três doenças.
Outras informações sobre interacções medicamentosas
O Dr. Saye Khoo e os seus colegas da Universidade de Liverpool disponibilizam um excelente site sobre interacções entre os medicamentos anti-retrovirais que é actualizado com frequência (consultar através do link http://www.hiv-druginteractions.org). O site permite verificar todas as possíveis interacções entre os medicamentos anti-retrovirais e outros tipos de medicamentos.
Poderá consultar mais informação sobre questões de interacções medicamentosas aqui, no aidsmap.com.
Referência:
Kigen G et al (presenter Khoo S). Prevalence of drug interactions between antiretroviral and co-administered drugs in Kenya. Ninth International Congress on Drug Therapy in HIV Infection, Glasgow. Abstract O121. 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
