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A contagem inicial das células CD4 nas pessoas com seroconversão recente tem vindo a diminuir ao longo do tempo
Derek Thaczuk, Monday, November 17, 2008
De acordo com uma análise retrospectiva dos registos clínicos de um importante grupo de doentes levada a cabo pela equipa da Dra. Nina Crum-Cianflone, do AIDS Clinical Consortium, em Bethesda, nos EUA, a contagem das células CD4 e a percentagem de CD4s medidas logo após a infecção pelo VIH desceram significativamente entre 1985 e 2001. Esta tendência de descida parece ter abrandado e nivelado nos anos mais recentes.

O estudo foi desenhado para avaliar se a contagem das células CD4 nas pessoas recém-infectadas com o VIH (com seroconversão recente) tem vindo ou não a mudar ao longo do tempo.

A presença desta suposta alteração poderia reflectir, por exemplo, a existência de mudanças na virulência do vírus.

Muito poucos estudos têm abordado esta questão, e os que o têm feito, têm apresentado resultados contraditórios.

Apenas a título de exemplo, refira-se que uma análise em larga escala de múltiplos coortes da Europa, Austrália e Canadá (publicada em 2007), mostrou que as contagens iniciais dos CD4s desceram, entre 1985 e 2002.

O estudo agora em apreço analisou os dados relativos a 1944 doentes que seroconverteram entre os anos de 1985 e 2004. Os participantes eram de etnias distintas, pertenciam a áreas geográficas diversas, não tinham experiência de tratamentos e todos dispunham de uma análise laboratorial dos CD4s realizada nos primeiros seis meses depois do diagnóstico da infecção VIH. A maioria dos participantes era do sexo masculino e a idade média era de 29 anos (a idade média aumentou lentamente ao longo do estudo, passando de 27 para 30 anos; este dado foi tido em conta na análise estatística dos resultados).

A seroconversão foi documentada pela existência de testes com resultado “VIH-negativo” e “VIH-positivo” consecutivos. A maioria dos participantes (92%) dispunha de uma análise aos CD4s realizada nos primeiros 90 dias que se seguiam ao diagnóstico da infecção VIH.

A contagem média das células CD4s não ajustada, para o período de 1985 a 1990, foi de 632 células/mm3, foi de 555 para o período 1991-1995, 495 para o período 1996-2001, e 499 para o intervalo 2002-2004. A análise preliminar (sem ajustamento para nenhuma outra variável) mostrou que a contagem média dos CD4s pós-seroconversão decresceu em cerca de 133 células/mm3 entre 1985-1990 e 2002-2004.

Na análise integral, os valores das contagens de CD4s foram ajustados para o período de incerteza sobre a data exacta da seroconversão, o tempo decorrido entre o resultado positivo do teste e a primeira contagem de células CD4s, assim como para a idade, género, etnia, centro clínico a que pertencia e carga viral (no caso das 990 pessoas para as quais se dispunha de dados relativos a este item).

Esta análise ajustada revelou a presença de um declínio significativo até 2001, mas não daí para a frente. Em comparação com as pessoas que haviam sofrido seroconversão entre 1985-1990, as pessoas com seroconversão entre 1991-1995 apresentavam contagens de CD4s inferiores em 62 células, e as pessoas com seroconversão entre 1996-2001, em média 105 células/mm3 mais baixas (p <0.0001 para todos). O declínio entre 1996-2001 e 2002-2004 não foi, porém, significativo (p = 0.98).

Também se constatou a presença de uma tendência de descida tanto na percentagem das células CD4s, como no número total de linfócitos, mas não na contagem de CD8s. Uma contagem mais elevada das células CD4s pós-seroconversão também estava associada a uma carga viral inicial mais baixa, a um grupo etário mais baixo e a etnia branca/não –hispânica.

Os investigadores concluíram que “ocorreu um declínio significativo nas contagens iniciais de CD4s nas pessoas com seroconversão recente durante a primeira década da epidemia, com estabilização desde meados dos anos 90. Os padrões de mudança noutras células imunes (como os glóbulos brancos) não explicam este declínio. Estes dados constituem um bom correlato clínico dos estudos que sugerem que o VIH se pode ter adaptado ao hospedeiro, por adaptação HLA ou por escape dos linfócitos T citotóxicos, tendo como resultado uma infecção mais virulenta”.

Reference
Crum-Cianflone NF et al. Is HIV becoming more virulent? Initial CD4 cell counts among HIV seroconverters across the HIV epidemic: 1985-2007. 48th Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy, poster abstract H-4051, Washington DC, 2008.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA