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SIDA em 2031: Onde estaremos?
Keith Alcorn, Thursday, August 07, 2008
Especialistas na área da SIDA ao especularem sobre o estado da epidemia em 2031 alertaram, durante a Conferência Internacional sobre SIDA, para o facto de que será necessário aumentar a produção dos medicamentos anti-retrovirais de forma a tratar 110 milhões de pessoas. Os doadores internacionais precisam de pensar em termos de “fundos de pensão”, um plano de provisão para o aumento da necessidade de medicamentos anti-retrovirais em 2031.
O Dr. Tony Fauci e o Dr. Robert Siliciano alertaram, em sessões separadas, para a necessidade de redobrar os esforços, de forma a encontrar uma maneira de curar a infecção pelo VIH – ou pelo menos, de encontrar uma forma de gerir a doença sem a necessidade de tratamentos dispendiosos, durante toda a vida.

O AIDS 2031 é um projecto de investigação e de defesa dos direitos, lançado pela ONUSIDA, que reúne a opinião de vários especialistas da área e que pretende perceber quais as próximas medidas necessárias para responder à infecção do VIH até 2031. O programa abrangerá a área tecnológica, defesa dos direitos, financiamento, prevenção e irá apresentar as suas conclusões em 2009.

Durante as sessões de hoje, os participantes ouviram diferentes perspectivas sobre o desafio que o mundo enfrenta actualmente, de forma a poder responder à epidemia até 2031.

Mark Harrington, director executivo do Treatment Action Group (TAG), em Nova Iorque, afirmou que durante os próximos 23 anos, caso as novas infecções persistam na ordem dos 2,7 milhões por ano, um total de 81 milhões de pessoas serão somadas aos 33 milhões já infectadas com o VIH e que precisam da TARV. Isto requererá um aumento de quase quarenta vezes mais na produção de medicamentos, em comparação com a actual.

Segundo Harrington, “a manufactura e as implicações logísticas exigem um grande investimento na procura de uma cura”.

Chamou também a atenção para a urgência do acesso universal aos tratamentos nas mulheres, como medida eficaz de erradicar a transmissão da infecção entre mãe – filho, em conjunto com a continuidade de um movimento global para alcançar o acesso universal aos cuidados básicos de saúde, como a única opção de fortalecimento dos sistemas de saúde para que possam lidar com a sobrecarga provocada pela infecção pelo VIH e outras doenças infecciosas e crónicas.

Ao perguntarem “Onde precisaremos de estar em 2031?”, o director executivo da ONUSIDA, Peter Piot enumerou os seguintes acções:

  • A maioria das pessoas das comunidades em risco ou nas regiões de epidemia generalizada precisam de saber qual é o seu estatuto serológico;

  • O desenvolvimento de novos medicamentos de primeira e de segunda linha para acompanhar a evolução do desenvolvimento de resistências aos medicamentos, mais duráveis e melhor tolerados para todos os que os necessitam;

  • Uso eficaz da profilaxia pré-exposição com medicamentos anti-retrovirais e a utilização adequada da TARV para fins preventivos.


Mas acima de tudo, Peter Piot afirmou que, o que é realmente necessário é de uma cura, um tema seguido pelo Dr. Tony Fauci e Dr. Robert Siliciano.

Segundo Dr. Fauci, sendo previsível a falta de capacidade financeira e logística para alcançar e tratar todos aqueles que precisam, é fundamental alargar a investigação no sentido da erradicação do VIH – ou pelo menos, de forma a não ser necessário um tratamento para toda a vida.

Nos próximos anos, poderemos esperar mais investigação sobre a enorme potencialidade das interacções entre as proteínas do hospedeiro e o VIH, usando tecnologia genética. “Há uma infinidade de potenciais alvos intracelulares que poderemos utilizar para desenvolver novas intervenções terapêuticas”, afirmou o Dr. Fauci.

Mais investigação sobre o inicio da infecção do VIH – em particular, os primeiros dias – serão também cruciais para determinar se é possível erradicar a infecção e quais os doentes que terão melhor probabilidade de se curar.

O Dr. Robert Siliciano alargou a sua investigação sobre a erradicação do VIH na sessão plenária, explicando que provavelmente ainda não foram identificados todos os reservatórios de células cronicamente infectadas que contribuem para o reaparecimento da carga viral quando o tratamento é interrompido. Em situação idêntica, a combinação correcta de medicamentos de forma a reduzir a carga viral e a redução do número destes reservatórios durante a fase de primo-infecção, também não está ainda esclarecido apesar dos inibidores de integrase assumirem aqui um papel importante devido ao facto de poderem impedir o VIH de se integrar nas células do sistema imunitário.

Financiamento e Defesa dos direitos
Piot alertou para o facto de que existe uma crescente preocupação sobre a sustentabilidade do financiamento do acesso universal quer aos programas dos países, quer entre os doadores. Todos precisam de utilizar o dinheiro de forma mais eficaz – o que requer uma abordagem semelhante aos modelos de empresariais.

“O negócio da prevenção do VIH precisa de ser um verdadeiro negócio, utilizando estratégias de gestão e de marketing…provavelmente ajudaria se juntássemos pessoas do mundo dos negócios para o nosso bonito mundo de amadores de saúde pública”, afirma.

Enunciou também o modelo de fundos de pensão, como um meio de gestão dos custos da terapêutica anti-retroviral a longo prazo para as zonas do mundo em desenvolvimento, em vez de nos limitarmos a discutir os “direitos”.

Vuyiseka Dbula, da TAG de África do Sul, afirmou que está na altura de começar a aparecer uma nova geração de líderes e activistas no mundo, de forma a sustentar as campanhas para o acesso aos cuidados de saúde e defesa dos direitos humanos. Em particular, a defesa dos direitos das comunidades mais marginalizadas e vulneráveis. Afirmou também que é necessário desenvolver parcerias com outros movimentos sociais, cujos objectivos são comuns, como por exemplo, os que lutam pela independência económica das mulheres.