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Estudo encontra resposta CD4 mais baixa à terapêutica anti-retroviral após interrupções de tratamento
Kelly Safreed-Harmon, Wednesday, January 14, 2009
Os indivíduos infectados pelo VIH que fazem interrupções do tratamento anti-retroviral (param e recomeçam novamente) têm menores aumentos na contagem de células CD4, quando comparado com o início da combinação anti-retroviral pela primeira vez, de acordo com um estudo da edição de 15 de Dezembro do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes. As mais fracas respostas imunológicas foram observadas em participantes do estudo de idade mais avançada e cujas contagens de células CD4 eram mais baixas durante a interrupção do tratamento.

O estudo observacional baseou-se em dados do CASCADE, uma vasta rede Europeia de investigação que está a monitorizar a saúde de mais de 17 000 indivíduos seropositivos para o VIH. Os investigadores identificaram uma coorte de 216 participantes no estudo CASCADE que tinham interrompido as combinações anti-retrovirais após um período inicial de tratamento de pelo menos 90 dias, que retomaram após uma pausa de pelo menos 14 dias.

A descoberta mais intrigante foi que quando as pessoas resumiram o tratamento anti-retroviral, as contagens de células CD4 aumentaram inicialmente aproximadamente tanto quanto durante o primeiro período de tratamento, mas após três meses aumentaram a um ritmo mais lento. Por outras palavras, houve ganhos mais pequenos nas contagens de células CD4 a longo prazo após a interrupção do tratamento.

A duração média da interrupção do tratamento foi 6,2 meses e as contagens de células CD4 estavam disponíveis para uma média (IQR) de 19,4 (8,5 – 37,8) meses após resumo do tratamento.

Quando os investigadores compararam as taxas de aumento das células CD4 por mês no primeiro período de tratamento em relação ao segundo, encontraram o equivalente a aumentos médios de 106 (88 a 123) células/mm3 aos três meses durante o primeiro tratamento versus 99 (74 to 119) células/mm3 no mesmo ponto após resumo do tratamento; aos seis meses 119 (101 a 137) versus 107 (88 a 127) células/mm3; aos doze meses 145 (126 a 165) versus 125 (105 a 144) células/mm3; aos 24 meses 200 (170 a 230) versus 160 (135 a 185) células/mm3; e aos 36 meses 258 (213 a 302) versus 197 (162 a 231) células/mm3 (intervalo de confiança de 95% [IC]).

Os investigadores analisaram ainda as taxas de aumento das células CD4 após a interrupção do tratamento em relação aos níveis de contagens durante a interrupção do tratamento. Descobriram que apenas indivíduos com contagens de células CD4 superiores a 500/mm3 durante a interrupção do tratamento poderiam esperar atingir níveis de contagens quase normais dentro de três anos.

As pessoas com idade superior a 40 anos apresentaram aumentos menores das células CD4 durante os seus primeiros meses de regresso à terapêutica anti-retroviral, tal como os indivíduos que voltaram aos mesmos regimes anti-retrovirais.

As respostas virológicas durante os dois períodos de tratamento foram comparáveis, com cargas virais a decrescer para valores inferiores a 500 cópias/ml em 82% das pessoas que iniciaram terapêutica pela primeira vez e em 87% das pessoas a retomar a terapêutica anti-retroviral após interrupções de tratamento. Durante o primeiro período de tratamento foi necessário um tempo médio de 13,6 semanas (11,9 a 16,2) para que a carga viral diminuísse abaixo das 500 cópias/ml, e durante o segundo período de tratamento foi necessário um tempo médio de 12 semanas (11 a 15).

Os investigadores atribuem o aumento inicial acentuado nas contagens de células CD4 após resumo da terapêutica anti-retroviral à libertação de células CD4 sequestradas nos nódulos linfáticos quando a carga viral era elevada. O mesmo mecanismo é responsável pelos elevados aumentos iniciais quando alguém é colocado em terapia anti-retroviral pela primeira vez. O tempo para que novas células CD4 se formem é mais demorado, e portanto poderá ser esperada uma taxa de aumento mais lenta após os três meses.

No entanto, os investigadores comentam “o mecanismo biológico adjacente às diferenças observadas nestas taxas subsequentes de aumento das células CD4 durante (resumo da interrupção) … é praticamente desconhecido”. Não crêem que resistência viral previamente não detectada desde o primeiro tratamento pudesse ser responsável pelos resultados, uma vez que mesmo nas pessoas que mantiveram respostas virológicas a ambas as fases de tratamento foram observadas respostas imunológicas mais fracas após a interrupção de tratamento.

Muitos investigadores começaram a estudar os efeitos das interrupções planeadas do tratamento, também conhecidas como interrupções estruturadas de tratamento, após um estudo de caso de 1999 ter levantado a possibilidade de as pessoas poderem continuar a usufruir dos benefícios da terapêutica anti-retroviral em períodos de pausa na toma de medicamentos. No entanto, ensaios clínicos mais alargados sobre várias estratégias de interrupção de tratamento, não só falharam em confirmar a sua eficácia, como também levantaram preocupações em relação à sua segurança.

Embora seja pouco provável que as interrupções estruturadas do tratamento sejam algum dia aconselhadas a nível médico, a complexidade e toxicidade dos regimes anti-retrovirais levou muitas pessoas seropositivas a descontinuar o tratamento. Os autores do estudo de interrupção de tratamento CASCADE aconselham a uma monitorização clínica cuidadosa das interrupções de tratamento em indivíduos com mais de 40 anos e que tenham tido baixos níveis de células CD4 no passado.

Referência
Touloumi G et al. Rates and determinants of virologic and immunological response to HAART resumption after treatment interruption in HIV-1 clinical practice. J Acquir Immune Defic Syndr 49: 492–498, 2008.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA