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A empresa farmacêutica Merck cede a licença de um inibidor da fusão à International Partnership for Microbicides
Keith Alcorn, Thursday, March 20, 2008
A empresa Merck anunciou que cedeu a licença de um medicamento experimental da classe dos inibidores da fusão, denominado L’644, à International Partnership for Microbicides (IPM), para que esta investigue a sua utilização como potencial microbicida vaginal.

Os microbicidas apresentam-se sob a forma de gel, que pode ser aplicado antes da relação sexual e que contêm agentes que bloqueiam o VIH, impedindo-o de infectar as células vulneráveis da zona genital. Espera-se que as mulheres possam adoptar os microbicidas sem ter de negociar o seu uso com os seus parceiros, uma das grandes desvantagens dos preservativos.

Existe um interesse crescente na utilização dos medicamentos anti-retrovirais formulados como microbicidas, após os resultados decepcionantes dos ensaios clínicos dos microbicidas vaginais de primeira geração, tais como, o sulfato de celulose (UsherCell) e o Carraguard.

Existem algumas preocupações sobre a incorporação de medicamentos anti-retrovirais na formulação dos microbicidas pelo facto de estes poderem causar o desenvolvimento de resistências nas mulheres seropositivas, caso ultrapassem a parede vaginal e entrem na corrente sanguínea.

Os inibidores da entrada ou fusão, tal como, o L’644 parecem bastante interessantes como componentes dos microbicidas, uma vez que esta classe de anti-retrovirais não é amplamente utilizada nas combinações terapêuticas, especialmente nos países em desenvolvimento.

O composto da Merck é o sexto agente anti-retroviral a ser cedido à IPM e a cedência rege-se de forma semelhante ao acordo anteriormente realizado entre os dois parceiros em 2005, quando a empresa cedeu de forma graciosa a licença para o desenvolvimento de um outro composto, o L’167/CMPD167, que pertence à classe dos inibidores do CCR5.

“A Merck merece o nosso reconhecimento pelo seu empenhamento exemplar na investigação da prevenção do VIH,” afirmou a Drª. Zeda Rosenberg, directora da International Partnership for Microbicides. “Este acordo sobre o L’664 ajuda a IPM a prosseguir o desenvolvimento de agentes que actuam sobre o VIH em diversos ponto do seu ciclo de vida. Estamos a trabalhar para que chegue o dia em que milhares de mulheres em todo o mundo possam ter acesso a microbicidas seguros e eficazes – e estas parcerias ajudam-nos a atingir ao nosso objectivo.”

A IPM tem, para além da Merck, outros parceiros na indústria farmacêutica, como por exemplo, a Pfizer, que em Janeiro de 2008 acordou que o seu medicamento maraviroc, um inibidor do CCR5, fosse desenvolvido como um microbicida. Em Dezembro de 2006 a IPM e a CONRAD conseguiram acordos independentes com a Gilead Sciences para o desenvolvimento do gel de tenofovir (PMPA), um inibidor nucleótido da transcriptase reversa.

Em Outubro de 2005, a IPM entrou em negociações com a Merck e a Bristol –Myers Squibb para o desenvolvimento do inibidor do CCR5 e de um inibidor da fusão, que estavam ainda em fase inicial de investigação. Igualmente, em Março de 2004, esta instituição assinou um acordo com a empresa subsidiária da Johnson & Johnson, a Tibotec Pharmaceuticals, para o desenvolvimento do inibidor da transcriptase reversa não-nucleósido, dapivirine, como um microbicida e espera iniciar os ensaios clínicos de fase III, no final de 2009.