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BHIVA: A resposta clínica ao tratamento de primeira linha é semelhante entre os sub-tipo B e não- B do VIH
A terapêutica anti-retroviral nas pessoas sem história prévia de tratamento (naive) infectadas com VIH sub-tipo não B suprime a carga viral tão rapidamente como nas pessoas com VIH sub-tipo B, de acordo com o base de dados de resistências do VIH, do Reino Unido. Estas conclusões foram apresentadas na Conferência da Associação Britânica de VIH (BHIVA) que teve lugar em Belfast, na última semana de Abril.
Surpreendentemente, este estudo retrospectivo de mais de 2000 doentes demonstrou que as pessoas infectadas com os sub-tipos A e C conseguiam obter carga viral indetectável (definida como inferior a 50 cópias/ml), num tempo mais curto que os doentes com sub-tipo B, num valor estatisticamente significativo, mesmo depois do ajuste para valores de carga viral basal e de outras variáveis, embora os investigadores não considerem este facto como clinicamente significativo.
Apenas alguns estudos anteriores tinham analisado a resposta à terapêutica de acordo com o sub-tipo do VIH, agrupando os sub-tipos não B e comparando-os com o sub-tipo B. Dada a crescente diversidade de sub-tipos de VIH no Reino-Unido – e mundialmente – os investigadores pretenderam avaliar se a resposta à terapêutica de primeira linha diferia em função do sub-tipo e analisaram separadamente os sub-tipos mais frequentes no Reino Unido.
O estudo incluiu todos os doentes naive dos últimos 16 anos com um teste de resistências prévio ao início da terapêutica, que iniciaram pela primeira vez uma combinação com pelo menos 3 medicamentos anti-retrovirais e que tinham mais de 12 meses de seguimento. Os doentes com intermédio ou alto nível de resistência a um ou mais dos medicamentos da combinação de primeira linha foram excluídos da análise.
Para além da resposta na contagem de células CD4, foram analisados o tempo até atingir valores indetectáveis de carga viral e o tempo que mediou o aparecimento de carga viral detectável ou rebound, sendo este definido como duas medições consecutivas superiores a 100 cópias/ml ou um valor superior a 1000 cópias/ml após a alteração da terapêutica.
Dos 2116 doentes incluídos, 1550 (73%) estavam infectados com sub-tipo B, 272 (13%) com sub-tipo C, 66 (3%) com sub-tipo A, 57 (3%) eram portadores de um vírus recombinante CRF_AG, 41 (2%) tinham sub-tipo D e 130 (6%) tinham vários outros sub-tipos.
Um total de 89% dos doentes infectados com sub-tipo B atingiu carga viral indetectável aos 12 meses, com um tempo médio de 3 meses.
Em contraste, 94% dos participantes infectados com sub-tipo C e 97% dos que tinham sub-tipo A atingiu carga viral indetectável aos 12 meses, com um tempo médio até à supressão viral de 2.3 e 2.1 meses, respectivamente.
Os outros sub-tipos analisados tinham respostas semelhantes ao sub-tipo B: 89% no grupo com sub-tipo recombinante AG, 90% no sub-tipo D e 91% nos outros sub-tipos, tendo atingido carga viral indetectável ao fim de 12 meses com um tempo médio até à supressão viral de, respectivamente, 2.8 mês, 2.6 e 2.9 meses.
Os investigadores encontraram na análise multivariável, ajustada para a idade, hospital, ano, combinação terapêutica, carga viral e contagem de células CD4, uma associação estatisticamente significativa entre o sub-tipo de VIH e o tempo que demorou a obter carga viral indetectável, tendo verificado uma supressão mais rápida no sub-tipo A (OR 1.7; p=0.02) e no sub-tipo C (OR 1.2; p=0.04), quando comparados com o sub-tipo B.
Contudo, a Drª Linda Harrison, do MRC Clinical Trials Unit, afirmou que embora as diferenças fossem estatisticamente significativas, estas eram de apenas algumas semanas entre os mais rápidos e os mais lentos a atingir supressão viral, e que pareciam ter “pouco significado clínico” entre os diferentes sub-tipos de VIH.
Na análise multivariável, ajustada para a carga viral e contagem de células CD4 de base, hospital, combinação terapêutica, ano e tempo que demorou a atingir carga viral indetectável, verificou-se que nos 20% de doentes que apresentaram rebound, tal ocorreu com mais rapidez no sub-tipo C do que no sub-tipo B (OR 1.4; p=0.05).
Contudo, depois de uma análise mais exaustiva que realçou a possibilidade de dificuldades de adesão à terapêutica, os investigadores concluíram que estes dados “estão provavelmente mais associação à adesão do que a outros factores que pudessem causar falência virológica”.
Os autores não encontraram diferenças na contagem de células CD4 entre os diferentes sub-tipos após 3 meses de inicio de terapêutica anti-retroviral (p=0.47) ou subsequentemente (p=0.68), embora os doentes infectados com sub-tipo B tivessem contagens de CD4 de base mais elevadas que os outros sub-tipos.
Esta análise estatística não permitiu ajustar para a etnia ou comportamento de risco, devido a uma associação muito importante entre estes factores e o sub-tipo, o que foi considerado ser uma limitação. Por exemplo, 86% das pessoas infectadas com sub-tipo B eram brancas e 90% eram homossexuais, enquanto que a vasta maioria das pessoas infectadas com sub-tipos não B era de origem africana e ou heterossexuais.
A Dr. Harrison concluiu afirmando que a resposta à combinação terapêutica de primeira linha parece ser excelente nas pessoas infectadas com qualquer sub-tipo de VIH, mas uma vez que as variáveis etnia e comportamento de risco não podiam ser excluídas, serão necessários mais estudos que explorem a influência destes factores assim como a variável adesão.
Referência
Harrison L et al. Effect of HIV-1 subtype on virological and immunological responses to first-line HAART. 14th Annual Conference of the British HIV Association (BHIVA), Belfast. Abstract 10, 2008.
Surpreendentemente, este estudo retrospectivo de mais de 2000 doentes demonstrou que as pessoas infectadas com os sub-tipos A e C conseguiam obter carga viral indetectável (definida como inferior a 50 cópias/ml), num tempo mais curto que os doentes com sub-tipo B, num valor estatisticamente significativo, mesmo depois do ajuste para valores de carga viral basal e de outras variáveis, embora os investigadores não considerem este facto como clinicamente significativo.
Apenas alguns estudos anteriores tinham analisado a resposta à terapêutica de acordo com o sub-tipo do VIH, agrupando os sub-tipos não B e comparando-os com o sub-tipo B. Dada a crescente diversidade de sub-tipos de VIH no Reino-Unido – e mundialmente – os investigadores pretenderam avaliar se a resposta à terapêutica de primeira linha diferia em função do sub-tipo e analisaram separadamente os sub-tipos mais frequentes no Reino Unido.
O estudo incluiu todos os doentes naive dos últimos 16 anos com um teste de resistências prévio ao início da terapêutica, que iniciaram pela primeira vez uma combinação com pelo menos 3 medicamentos anti-retrovirais e que tinham mais de 12 meses de seguimento. Os doentes com intermédio ou alto nível de resistência a um ou mais dos medicamentos da combinação de primeira linha foram excluídos da análise.
Para além da resposta na contagem de células CD4, foram analisados o tempo até atingir valores indetectáveis de carga viral e o tempo que mediou o aparecimento de carga viral detectável ou rebound, sendo este definido como duas medições consecutivas superiores a 100 cópias/ml ou um valor superior a 1000 cópias/ml após a alteração da terapêutica.
Dos 2116 doentes incluídos, 1550 (73%) estavam infectados com sub-tipo B, 272 (13%) com sub-tipo C, 66 (3%) com sub-tipo A, 57 (3%) eram portadores de um vírus recombinante CRF_AG, 41 (2%) tinham sub-tipo D e 130 (6%) tinham vários outros sub-tipos.
Um total de 89% dos doentes infectados com sub-tipo B atingiu carga viral indetectável aos 12 meses, com um tempo médio de 3 meses.
Em contraste, 94% dos participantes infectados com sub-tipo C e 97% dos que tinham sub-tipo A atingiu carga viral indetectável aos 12 meses, com um tempo médio até à supressão viral de 2.3 e 2.1 meses, respectivamente.
Os outros sub-tipos analisados tinham respostas semelhantes ao sub-tipo B: 89% no grupo com sub-tipo recombinante AG, 90% no sub-tipo D e 91% nos outros sub-tipos, tendo atingido carga viral indetectável ao fim de 12 meses com um tempo médio até à supressão viral de, respectivamente, 2.8 mês, 2.6 e 2.9 meses.
Os investigadores encontraram na análise multivariável, ajustada para a idade, hospital, ano, combinação terapêutica, carga viral e contagem de células CD4, uma associação estatisticamente significativa entre o sub-tipo de VIH e o tempo que demorou a obter carga viral indetectável, tendo verificado uma supressão mais rápida no sub-tipo A (OR 1.7; p=0.02) e no sub-tipo C (OR 1.2; p=0.04), quando comparados com o sub-tipo B.
Contudo, a Drª Linda Harrison, do MRC Clinical Trials Unit, afirmou que embora as diferenças fossem estatisticamente significativas, estas eram de apenas algumas semanas entre os mais rápidos e os mais lentos a atingir supressão viral, e que pareciam ter “pouco significado clínico” entre os diferentes sub-tipos de VIH.
Na análise multivariável, ajustada para a carga viral e contagem de células CD4 de base, hospital, combinação terapêutica, ano e tempo que demorou a atingir carga viral indetectável, verificou-se que nos 20% de doentes que apresentaram rebound, tal ocorreu com mais rapidez no sub-tipo C do que no sub-tipo B (OR 1.4; p=0.05).
Contudo, depois de uma análise mais exaustiva que realçou a possibilidade de dificuldades de adesão à terapêutica, os investigadores concluíram que estes dados “estão provavelmente mais associação à adesão do que a outros factores que pudessem causar falência virológica”.
Os autores não encontraram diferenças na contagem de células CD4 entre os diferentes sub-tipos após 3 meses de inicio de terapêutica anti-retroviral (p=0.47) ou subsequentemente (p=0.68), embora os doentes infectados com sub-tipo B tivessem contagens de CD4 de base mais elevadas que os outros sub-tipos.
Esta análise estatística não permitiu ajustar para a etnia ou comportamento de risco, devido a uma associação muito importante entre estes factores e o sub-tipo, o que foi considerado ser uma limitação. Por exemplo, 86% das pessoas infectadas com sub-tipo B eram brancas e 90% eram homossexuais, enquanto que a vasta maioria das pessoas infectadas com sub-tipos não B era de origem africana e ou heterossexuais.
A Dr. Harrison concluiu afirmando que a resposta à combinação terapêutica de primeira linha parece ser excelente nas pessoas infectadas com qualquer sub-tipo de VIH, mas uma vez que as variáveis etnia e comportamento de risco não podiam ser excluídas, serão necessários mais estudos que explorem a influência destes factores assim como a variável adesão.
Referência
Harrison L et al. Effect of HIV-1 subtype on virological and immunological responses to first-line HAART. 14th Annual Conference of the British HIV Association (BHIVA), Belfast. Abstract 10, 2008.
