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Início de depressão traduz-se em fraca adesão do tratamento para o VIH
Michael Carter, Tuesday, October 13, 2009
Segundo os investigadores norte-americanos, de um estudo publicado on-line no Journal Acquired Immune Deficiency Syndrome, o início da depressão pode levar a uma fraca adesão ao tratamento para o VIH. Os investigadores concluíram também que muitos doentes seropositivos para a infecção do VIH apresentam sintomas de depressão.

Para além dos casos de depressão, o sexo feminino, origem africana e a situação de pobreza, foram factores também associados a uma fraca adesão à terapêutica anti-retroviral.

Como se sabe, são necessários elevados níveis de adesão à terapêutica para que se verifiquem benefícios no tratamento da infecção pelo VIH. Os investigadores consideram que os melhores resultados são observados em doentes que tomam, pelo menos, 95% das doses prescritas. Contudo, muitos doentes consideram difícil alcançar este nível de adesão.

Estudos anteriores demonstraram que a depressão constitui um dos factores que pode afectar a adesão ao tratamento. Mas os estudos que investigam esta relação têm sido limitados devido ao seu desenho transversal. Além disso, esses estudos não exploraram a relação entre o início da depressão e a adesão.

Os investigadores do US Nutrition and Healthy Living Study desenharam um estudo que procura determinar a relação entre o início da depressão e a adesão à terapêutica anti-retroviral durante um período que inclui quatro consultas de rotina.

Foram desenvolvidas escalas validadas para diagnosticar a depressão e a adesão através dos relatos dos doentes. A adesão sub-óptima foi definida como adesão inferior a 95% das tomas, nos sete dias anteriores à consulta.

Os investigadores examinaram também quais os factores associados à fraca adesão.

Os doentes foram rastreados para a depressão nas clínicas e elegíveis para inclusão no estudo caso não apresentassem nenhum sintoma de depressão nas duas primeiras consultas. Um total de 223 doentes foi elegível para o estudo.

Três quartos dos participantes do estudo eram do sexo masculino, 40% não eram caucasianos e a maioria (89%) tinha completado o ensino secundário. A contagem média das células CD4 era abaixo das 400/ml no término do estudo, em 63% dos participantes.

Dos 225 doentes sem sintomas de depressão no final das duas primeiras consultas, 51 destes (22%) tinham desenvolvido sintomas de depressão no período da terceira e quarta consulta. Os que desenvolveram sintomas de depressão tinham maior probabilidade de serem do sexo feminino (37% vs 18%, p=0.005), de viverem em condições de pobreza (com um rendimento anual de USD $10.000, 58% vs 36%, p=0.005), de apresentarem mais sintomas da infecção pelo VIH (p=0.001) e menor apoio social (p=0.0001).

Entre os 177 doentes considerados com boa adesão ao tratamento nas primeiras duas consultas, dos que desenvolveram depressão, 34% tinham uma adesão sub-óptima nas terceiras e quartas consultas, quando comparados com os 19% dos doentes sem sintomas de depressão (p=0.05).

A análise estatística que controlou possíveis factores de confusão demonstrou que o início da depressão quase duplicou o risco de adesão sub-óptima (risk ratio [RR] =1.8; 95% com intervalo de confiança [CI]: 1.1-3.0). Pessoas norte-americanas de origem africana foram um factor preditivo de fraca adesão (RR = 1.9; 95% CI: 1.2-3.3).

“A relação entre de sintomas de depressão na adesão (ao tratamento anti-retroviral) é dinâmica e não estática”, afirmam os investigadores. “As nossas conclusões que associam a depressão com a mudança para uma adesão sub-óptima fortalecem a necessidade de mais estudos que avaliem o impacto do tratamento da depressão na adesão à terapêutica anti-retroviral”.

Os investigadores acreditam também que o seu estudo “enfatiza a importância do rastreio contínuo da depressão nas mulheres e homens com VIH”.

Referência
Kacanek D et al. Incident depression symptoms are associated with poorer HAART adherence: a longitudinal analysis from the Nutrition for Healthy Living study. J Acquir Immune Defic Syndr (online edition), 2009.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA