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Tratamento com anticorpos controla SIDA em macacos
Investigadores reportaram na revista científica Nature que ao bloquear um receptor das células imunitárias, que inibe a resposta imunitária a infecções virais, usando um anticorpo concebido especialmente, conseguiram controlar o VIS em macacos, prolongar a sobrevivência dos animais e respostas imunitárias extraordinárias contra este vírus, tudo sem o tratamento anti-retroviral.
O receptor PD-1 é uma marca das células T “exaustas” e encontra-se mais frequentemente nas células T específicas para o combate dos vírus em pessoas que sofrem de infecções virais crónicas, tais como o citomegalovírus, a hepatite C e a SIDA, quando as células T específicas para o combate destas não conseguem controlar a replicação viral. Mas até agora, não tinha sido esclarecido se o nível elevado da expressão do receptor PD-1 tinha consequências sobre a doença provocada pelo VIH e se bloqueando os receptores PD-1 haveria um impacto na progressão da doença.
Numa série de experiências em animais, investigadores da Universidade de Emory, em Atlanta, em colaboração com os colegas da Escola Médica de Harvard, da Escola Médica da Universidade da Pensilvânia e do Instituto Oncológico Dana-Farber, demonstraram que ao bloquear o receptor PD-1 abre-se potencialmente um novo caminho, tanto para o tratamento da infecção pelo VIH – como talvez para a prevenção.
Os investigadores testaram um anticorpo para o receptor humano PD-1 em nove macacos que foram infectados com o VIS, o equivalente símio do VIH, em tempos diferentes. Dos nove animais, na altura do tratamento com o anticorpo, cinco tinham sido infectados há 3 meses e quatro há cerca de 21 meses.
Os macacos receberam quatro injecções com o anticorpo durante um período de dez dias, enquanto que os outros cinco macacos receberam uma vacina de controlo com um outro anticorpo.
Quatro dos cinco animais de controlo morreram com SIDA símia no espaço de quatro meses, enquanto que todos os nove animais que receberam o anticorpo para o PD-1 estavam vivos e saudáveis após sete meses e apresentaram respostas fortes das células CD8 específicas para o VIS, uma descida da carga viral do VIS e um aumento no número das células CD8 específicas para o VIS, tanto no sangue como no intestino (o maior reservatório do VIS e do VIH).
Em apenas dois dos nove animais (ambos tratados logo no início da infecção) foi observada uma descida sustentada da carga viral durante um período de pelo menos três meses; nos restantes a carga viral voltou aos níveis anteriores às injecções com o anticorpo ou começou a voltar a subir no espaço de tempo de 43 dias após o tratamento.
O anticorpo para o receptor PD-1 mostrou ser seguro durante o curto período do estudo, sem efeitos secundários observáveis após a sua administração, nem mudanças nos marcadores tais como as enzimas do fígado, os lípidos ou as contagens dos glóbulos vermelhos e brancos no sangue. Havia o receio de que o anticorpo para o PD-1, qualquer que fosse o seu uso, pudesse causar problemas auto-imunes devido a uma estimulação excessiva da actividade das células CD8.
Actualmente, o bloqueamento do receptor PD-1 está a ser investigado para o tratamento do cancro e da hepatite C; a Medarex tem dois medicamentos em ensaios clínicos precoces. De acordo com a Nature News, uma outra empresa farmacêutica espera vir a conseguir a autorização para iniciar, em 2009, ensaios com um anticorpo para o PD-1 em pessoas infectadas pelo VIH.
O consórcio de investigação existente planeia ulterior trabalho com o anticorpo para o PD-1 para testar os seus efeitos em combinação com a terapêutica anti-retroviral, bem como os efeitos de uma administração prolongada.
Referências
Vijayakumar V et al.Enhancing SIV-specific immunity in vivo by PD-1 blockade. Nature (on-line publicação avançada, 10 de Dez. de 2008). Doi:10.1038/nature07662
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
O receptor PD-1 é uma marca das células T “exaustas” e encontra-se mais frequentemente nas células T específicas para o combate dos vírus em pessoas que sofrem de infecções virais crónicas, tais como o citomegalovírus, a hepatite C e a SIDA, quando as células T específicas para o combate destas não conseguem controlar a replicação viral. Mas até agora, não tinha sido esclarecido se o nível elevado da expressão do receptor PD-1 tinha consequências sobre a doença provocada pelo VIH e se bloqueando os receptores PD-1 haveria um impacto na progressão da doença.
Numa série de experiências em animais, investigadores da Universidade de Emory, em Atlanta, em colaboração com os colegas da Escola Médica de Harvard, da Escola Médica da Universidade da Pensilvânia e do Instituto Oncológico Dana-Farber, demonstraram que ao bloquear o receptor PD-1 abre-se potencialmente um novo caminho, tanto para o tratamento da infecção pelo VIH – como talvez para a prevenção.
Os investigadores testaram um anticorpo para o receptor humano PD-1 em nove macacos que foram infectados com o VIS, o equivalente símio do VIH, em tempos diferentes. Dos nove animais, na altura do tratamento com o anticorpo, cinco tinham sido infectados há 3 meses e quatro há cerca de 21 meses.
Os macacos receberam quatro injecções com o anticorpo durante um período de dez dias, enquanto que os outros cinco macacos receberam uma vacina de controlo com um outro anticorpo.
Quatro dos cinco animais de controlo morreram com SIDA símia no espaço de quatro meses, enquanto que todos os nove animais que receberam o anticorpo para o PD-1 estavam vivos e saudáveis após sete meses e apresentaram respostas fortes das células CD8 específicas para o VIS, uma descida da carga viral do VIS e um aumento no número das células CD8 específicas para o VIS, tanto no sangue como no intestino (o maior reservatório do VIS e do VIH).
Em apenas dois dos nove animais (ambos tratados logo no início da infecção) foi observada uma descida sustentada da carga viral durante um período de pelo menos três meses; nos restantes a carga viral voltou aos níveis anteriores às injecções com o anticorpo ou começou a voltar a subir no espaço de tempo de 43 dias após o tratamento.
O anticorpo para o receptor PD-1 mostrou ser seguro durante o curto período do estudo, sem efeitos secundários observáveis após a sua administração, nem mudanças nos marcadores tais como as enzimas do fígado, os lípidos ou as contagens dos glóbulos vermelhos e brancos no sangue. Havia o receio de que o anticorpo para o PD-1, qualquer que fosse o seu uso, pudesse causar problemas auto-imunes devido a uma estimulação excessiva da actividade das células CD8.
Actualmente, o bloqueamento do receptor PD-1 está a ser investigado para o tratamento do cancro e da hepatite C; a Medarex tem dois medicamentos em ensaios clínicos precoces. De acordo com a Nature News, uma outra empresa farmacêutica espera vir a conseguir a autorização para iniciar, em 2009, ensaios com um anticorpo para o PD-1 em pessoas infectadas pelo VIH.
O consórcio de investigação existente planeia ulterior trabalho com o anticorpo para o PD-1 para testar os seus efeitos em combinação com a terapêutica anti-retroviral, bem como os efeitos de uma administração prolongada.
Referências
Vijayakumar V et al.Enhancing SIV-specific immunity in vivo by PD-1 blockade. Nature (on-line publicação avançada, 10 de Dez. de 2008). Doi:10.1038/nature07662
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
