YOU ARE HERE:
Prevenção do VIH para utilizadores de drogas na China prejudicada pela actuação da polícia
Keith Alcorn, Tuesday, December 30, 2008
A polícia Chinesa e as forças de segurança estão a forçar os utilizadores de drogas injectáveis (UDIs) para longe dos serviços de prevenção, prejudicando os esforços do país para conter uma epidemia crescente entre os utilizadores de droga na China, de acordo com um novo relatório lançado esta semana pelo Human Rights Watch.

“O governo aumentou os programas de tratamento e prevenção para utilizadores de droga,” disse Joe Amon, director do programa VIH/SIDA no Human Rights Watch. “Mas ao mesmo tempo, a polícia está a deter utilizadores de droga que tentam aceder aos serviços e a colocá-los nos chamados “centros de reabilitação” onde não é fornecido qualquer tratamento para a dependência de droga e nenhum serviço de prevenção ou tratamento do VIH.”

“O governo Chinês afirma que os utilizadores de droga são enviados para aquelas instalações para tratamento da dependência de drogas,” diz Amon. “Mas em vez de tratamento, eles são colocados em celas sobrelotadas, é-lhes negado tratamento médico, são espancados e forçados a fazer trabalho escravo. E acima de tudo, as famílias são forçadas a pagar pela “terapêutica” que recebem.”

A China tem entre três a seis milhões de UDI’s e cerca de metade de todas as infecções pelo VIH na China, ocorreram neste grupo. O governo Chinês abriu mais de 500 clínicas de tratamento com metadona para ajudar os consumidores de heroína a não recorrer à injecção de droga, fornecendo igualmente tratamento anti-retroviral para os utilizadores de droga infectados pelo VIH.

As políticas chinesas têm sido consideradas progressistas em comparação com as da Rússia onde a terapêutica de substituição com opiáceos, por exemplo a metadona, é rejeitada pelo governo e pelos sistemas de saúde pública.

No entanto, numa investigação realizada entre pessoas chave na província de Guanxi, que faz fronteira com o Vietname e que tem a terceira taxa mais alta de infecções por VIH na China, o Human Rights Watch soube que os UDI’s evitavam os serviços que forneciam seringas estéreis, equipamento de injecção ou metadona devido à vigilância policial. Os UDI’s temiam serem detidos por períodos até três anos em centros de “reeducação pelo de trabalho” se fossem identificados como utilizadores de droga, ou compelidos a serem internados compulsivamente em instalações de desintoxicação.

Os investigadores também descobriram que os utilizadores de droga não tinham acesso a cuidados médicos por rotina, nomeadamente à avaliação do sistema imunitário ou à terapêutica anti-retroviral quando confinados nestas instalações, não eram aconselhados sobre a redução de riscos, nem lhes era dado acesso a preservativos e seringas esterilizadas, apesar de existir consumo de drogas e sexo não-seguro muitas vezes envolvendo os guardas e mulheres presas. Algumas pessoas reportaram interrupções no acesso à terapêutica anti-retroviral enquanto estavam detidos, estando o fornecimento contínuo de medicamentos dependente dos caprichos dos guardas.

O Human Rights Watch também chamou a atenção das agências das Nações Unidas e dos doadores internacionais no sentido de apoiarem os esforços para a reforma das leis e regulações anti-narcóticos Chinesas e para promoverem os direitos à liberdade de expressão, informação e à associação de pessoas que vivem com o VIH/SIDA e organizações que os representem. A China deteve e intimidou repetidamente os activistas na área da SIDA que tentaram promover os esforços de tratamento e prevenção e falar sobre as políticas de VIH do governo.

“A incapacidade do governo Chinês em garantir que os utilizadores de droga presos recebam um tratamento eficaz para a dependência de drogas e tenham acesso à prevenção da infecção pelo VIH e aos serviços de tratamento viola os direitos, contribui para a mortalidade e destroi a possibilidade de sucesso dos objectivos da China para o VIH,” disse Amon.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA