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A maioria dos homossexuais pondera a PrEP para possíveis exposições ao VIH
Três quartos dos homossexuais e homens que têm sexo com homens (HSH) estão dispostos a tomar profilaxia pré-exposição para prevenir a infecção pelo VIH, segundo um relatório de investigadores americanos publicado na primeira edição do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, de Janeiro. Os autores do estudo esperam que a sua investigação ajude a identificar homens que queiram participar em estudos sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP) ou que beneficiem de programas baseados nesta intervenção.
Nos Estados unidos foram diagnosticados cerca de um milhão de casos de VIH. A maioria destas infecções foi em homossexuais e HSH e existe uma necessidade urgente de desenvolver novos métodos de prevenção para o VIH nesta população.
A pesquisa para o desenvolvimento de uma vacina não tem sido bem sucedida e o progresso dos microbicidas tem sido lento.
Todavia, estudos em animais e humanos sugerem que a profilaxia com medicamentos anti-retrovirais pode revelar-se um meio eficaz de prevenção da infecção pelo VIH. A profilaxia pós-exposição ocupacional é largamente utilizada e tem sido alargada a potenciais exposições à infecção pelo VIH de carácter sexual e não ocupacional.
Existe investigação em curso para avaliar a segurança e eficácia da PrEP. Esta estratégia envolve pessoas seronegativas com um risco elevado de se infectarem com VIH tomando diariamente terapêutica anti-retroviral para prevenir a infecção pelo vírus.
Os investigadores pretendiam determinar a aceitação e a informação sobre PrEP na população homossexual e de HSH, que tinha um risco elevado de se infectar pelo VIH e que tinha declarado ter tido sexo anal desprotegido com um parceiro do sexo masculino no ano anterior.
O estudo foi conduzido em 2007 e envolveu 227 homens da área de Boston. Todos os homens tiveram uma entrevista presencial com um investigador onde lhes foi solicitada informação demográfica, detalhes sobre o seu comportamento sexual e sobre o seu conhecimento e predisposição para usar a profilaxia pós-exposição e pré-exposição.
A idade média dos participantes situou-se nos 41 anos, 46% dos homens eram caucasianos e 44% afro-americanos. A maioria tinha habilitações literárias a nível do secundário ou inferiores e declarou rendimentos anuais baixos (inferiores a $12.000 anuais).
Só 41% dos homens se identificaram como homossexuais, sendo 40% bissexuais, 2% heterossexuais e 16% foram definiram-se como “outros” (e.g. não responde, não sabe).
Todos os homens declararam ter tido sexo anal com outros homens no ano anterior. Para além disso, três quartos afirmaram ter tido sexo anal receptivo ou insertivo desprotegido com pelo menos um parceiro monogâmico nos últimos doze meses.
Apenas um homem declarou ter usado PrEP anteriormente, tendo sido esta obtida através do seu irmão seropositivo. Cinco homens (2%) afirmaram conhecer alguém que tinha usado PrEP. Os investigadores ficaram preocupados com o facto de que, apesar do risco elevado de infecção pelo VIH, somente 19% dos homens tinham ouvido falar de PrEP.
Porém, os homens que tinham ouvido falar de PrEP pareciam ser os que tinham corrido mais riscos de infecção pelo VIH . Os factores associados à informação prévia sobre PrEP incluíam ter usado profilaxia pós-exposição (p = 0.004), ter tido sexo anal desprotegido com um parceiro não-monogâmico no ano anterior (p = 0.02), ter usado metanfetaminas durante o acto sexual (p = 0.02) e conhecer parceiros sexuais online (p = 0.004).
As habilitações literárias e status social foram associadas à informação prévia sobre PrEP, a informação sobre a existência da terapêutica foi associada à educação universitária ou mais alta e a um rendimento acima dos $60.000 anuais (p = 0.009).
No total, 74% dos homens afirmou estar predisposto a usar a PrEP no futuro tendo sido informados sobre o seu potencial de prevenir a infecção pelo VIH.
Numa primeira análise realizada, os investigadores descobriram que os factores que se seguem estavam associados à predisposição para considerar o uso de PrEP: um rendimento entre $25.000-$30.000 anuais; acesso gratuito à PrEP; desconhecimento em relação a efeitos secundários; menos de dez parceiros anónimos no ano anterior; auto-identificação como um “barebacker” (sexo anal desprotegido com outro homem); nenhuma infecção sexualmente transmissível declarada; uso de cannabis durante o acto sexual; e ser pouco optimista em relação ao tratamento para o VIH.
Contudo, numa análise multivariável controlada para os factores, idade e raça, os seguintes factores foram associados de forma significativa à predisposição para usar PrEP:
Os investigadores centraram-se então em situações hipotéticas em que o homem estaria disponível para considerar a PrEP. Descobriram que 86% tomaria mais facilmente este tratamento diariamente se estivesse convencido que este prevenia a infecção pelo VIH, sendo que 85% afirmou que estaria disponível para fazer a profilaxia pré-exposição e a pós-exposição depois de um encontro “escaldante” e 89% afirmou que estaria disposto a usar a PrEP em todas as situações de sexo anal desprotegido.
A esmagadora maioria (86%) declarou que estaria disposta a fazer a PrEP mesmo que isso envolvesse tomar mais que um comprimido por dia.
“O uso de terapêutica anti-retroviral para a prevenção do VIH era desconhecida nesta amostra de homens que têm sexo com homens em alto risco, contudo o potencial de crescimento do uso da PrEP pareceu ser muito viável”, segundo os investigadores.
Concluíram que o seu estudo demonstrou que “os investigadores, os responsáveis pela saúde pública e os media devem ser cautelosos no planeamento de programas de educação comunitária que reflictam os resultados de futuros ensaios ou dos ainda estão em curso sobre a eficácia da PrEP e devem antecipar a forma como diversas variáveis-chave, incluindo a eficácia, perfil de efeitos secundários e custos são explicados às populações mais vulneráveis, de forma a assegurar o uso apropriado da PrEP, se os estudos demonstrarem eficácia parcial.”
Referência
Mimiaga MJ et al. Preexposure antiretroviral prophylaxis attitudes in high-risk Boston area men who report having sex with men: limited knowledge and experience but potential for increased utilization after education. J Acquir Immune Defic Syndr 50: 77-83, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Nos Estados unidos foram diagnosticados cerca de um milhão de casos de VIH. A maioria destas infecções foi em homossexuais e HSH e existe uma necessidade urgente de desenvolver novos métodos de prevenção para o VIH nesta população.
A pesquisa para o desenvolvimento de uma vacina não tem sido bem sucedida e o progresso dos microbicidas tem sido lento.
Todavia, estudos em animais e humanos sugerem que a profilaxia com medicamentos anti-retrovirais pode revelar-se um meio eficaz de prevenção da infecção pelo VIH. A profilaxia pós-exposição ocupacional é largamente utilizada e tem sido alargada a potenciais exposições à infecção pelo VIH de carácter sexual e não ocupacional.
Existe investigação em curso para avaliar a segurança e eficácia da PrEP. Esta estratégia envolve pessoas seronegativas com um risco elevado de se infectarem com VIH tomando diariamente terapêutica anti-retroviral para prevenir a infecção pelo vírus.
Os investigadores pretendiam determinar a aceitação e a informação sobre PrEP na população homossexual e de HSH, que tinha um risco elevado de se infectar pelo VIH e que tinha declarado ter tido sexo anal desprotegido com um parceiro do sexo masculino no ano anterior.
O estudo foi conduzido em 2007 e envolveu 227 homens da área de Boston. Todos os homens tiveram uma entrevista presencial com um investigador onde lhes foi solicitada informação demográfica, detalhes sobre o seu comportamento sexual e sobre o seu conhecimento e predisposição para usar a profilaxia pós-exposição e pré-exposição.
A idade média dos participantes situou-se nos 41 anos, 46% dos homens eram caucasianos e 44% afro-americanos. A maioria tinha habilitações literárias a nível do secundário ou inferiores e declarou rendimentos anuais baixos (inferiores a $12.000 anuais).
Só 41% dos homens se identificaram como homossexuais, sendo 40% bissexuais, 2% heterossexuais e 16% foram definiram-se como “outros” (e.g. não responde, não sabe).
Todos os homens declararam ter tido sexo anal com outros homens no ano anterior. Para além disso, três quartos afirmaram ter tido sexo anal receptivo ou insertivo desprotegido com pelo menos um parceiro monogâmico nos últimos doze meses.
Apenas um homem declarou ter usado PrEP anteriormente, tendo sido esta obtida através do seu irmão seropositivo. Cinco homens (2%) afirmaram conhecer alguém que tinha usado PrEP. Os investigadores ficaram preocupados com o facto de que, apesar do risco elevado de infecção pelo VIH, somente 19% dos homens tinham ouvido falar de PrEP.
Porém, os homens que tinham ouvido falar de PrEP pareciam ser os que tinham corrido mais riscos de infecção pelo VIH . Os factores associados à informação prévia sobre PrEP incluíam ter usado profilaxia pós-exposição (p = 0.004), ter tido sexo anal desprotegido com um parceiro não-monogâmico no ano anterior (p = 0.02), ter usado metanfetaminas durante o acto sexual (p = 0.02) e conhecer parceiros sexuais online (p = 0.004).
As habilitações literárias e status social foram associadas à informação prévia sobre PrEP, a informação sobre a existência da terapêutica foi associada à educação universitária ou mais alta e a um rendimento acima dos $60.000 anuais (p = 0.009).
No total, 74% dos homens afirmou estar predisposto a usar a PrEP no futuro tendo sido informados sobre o seu potencial de prevenir a infecção pelo VIH.
Numa primeira análise realizada, os investigadores descobriram que os factores que se seguem estavam associados à predisposição para considerar o uso de PrEP: um rendimento entre $25.000-$30.000 anuais; acesso gratuito à PrEP; desconhecimento em relação a efeitos secundários; menos de dez parceiros anónimos no ano anterior; auto-identificação como um “barebacker” (sexo anal desprotegido com outro homem); nenhuma infecção sexualmente transmissível declarada; uso de cannabis durante o acto sexual; e ser pouco optimista em relação ao tratamento para o VIH.
Contudo, numa análise multivariável controlada para os factores, idade e raça, os seguintes factores foram associados de forma significativa à predisposição para usar PrEP:
- Habilitações literárias baixas (p = 0.04),
- Rendimentos entre $25.000-$30.000 anuais (p = 0.04),
- Desconhecimento dos efeitos secundários da PrEP (p = 0.001),
- Acesso gratuito à PrEP (p = 0.05).
Os investigadores centraram-se então em situações hipotéticas em que o homem estaria disponível para considerar a PrEP. Descobriram que 86% tomaria mais facilmente este tratamento diariamente se estivesse convencido que este prevenia a infecção pelo VIH, sendo que 85% afirmou que estaria disponível para fazer a profilaxia pré-exposição e a pós-exposição depois de um encontro “escaldante” e 89% afirmou que estaria disposto a usar a PrEP em todas as situações de sexo anal desprotegido.
A esmagadora maioria (86%) declarou que estaria disposta a fazer a PrEP mesmo que isso envolvesse tomar mais que um comprimido por dia.
“O uso de terapêutica anti-retroviral para a prevenção do VIH era desconhecida nesta amostra de homens que têm sexo com homens em alto risco, contudo o potencial de crescimento do uso da PrEP pareceu ser muito viável”, segundo os investigadores.
Concluíram que o seu estudo demonstrou que “os investigadores, os responsáveis pela saúde pública e os media devem ser cautelosos no planeamento de programas de educação comunitária que reflictam os resultados de futuros ensaios ou dos ainda estão em curso sobre a eficácia da PrEP e devem antecipar a forma como diversas variáveis-chave, incluindo a eficácia, perfil de efeitos secundários e custos são explicados às populações mais vulneráveis, de forma a assegurar o uso apropriado da PrEP, se os estudos demonstrarem eficácia parcial.”
Referência
Mimiaga MJ et al. Preexposure antiretroviral prophylaxis attitudes in high-risk Boston area men who report having sex with men: limited knowledge and experience but potential for increased utilization after education. J Acquir Immune Defic Syndr 50: 77-83, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
