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A resposta virológica ao tratamento do VIH difere segundo a etnia nos doentes americanos
Investigadores do exército dos E.U.A., relatam, num estudo publicado na edição on-line do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes, que os Afro-americanos têm uma probabilidade 40% inferior em relação às pessoas de descendência europeia de terem uma carga viral indetectável àa 6a e 12a semanas após terem iniciado o tratamento para a infecção pelo VIH.
Quase metade dos doentes do estudo iniciou o tratamento para a infecção pelo VIH com um inibidor da protease não potenciado e os investigadores confirmaram que houve resultados virológicos inferiores nos doentes cujo regime inicial da terapêutica anti-retroviral incluía estes medicamentos em vez de um ITRNN.
Sugerem, portanto, que “ligeiras diferenças na absorção, distribuição, metabolismo ou na eliminação destes regimes terapêuticos mais antigos entre etnicidades pode ter levado a diferentes efeitos secundários, toxicidades ou potência e podem ter contribuído para as diferenças na supressão virológica”.
Vários estudos mostraram que os doentes Afro-americanos têm uma probabilidade inferior, em relação aos de origem europeia, de conseguir e manter uma carga viral indetectável após o início do tratamento ARV.
No entanto, estes resultados são limitados pelo facto de que os Afro-americanos são desproporcionalmente afectados pela pobreza e há menor probabilidade de acederem ao tratamento ARV e cuidados de saúde do que os doentes de descendência europeia.
Os membros do Exército dos E.U.A tem acesso ao tratamento ARV e aos cuidados de saúde gratuitos, têm alojamento e comida assegurada e estão proibidos de usar drogas. Portanto, proporcionam uma população em que a eficácia virológica do tratamento ARV pode ser estudada de acordo com as etnias, com factores aleatórios mínimos. Além disso, a realização de testes para o VIH e o seguimento regulares permitem aos investigadores ter à disposição dados importantes sobre a duração da infecção para o VIH e a progressão da doença.
Os investigadores analisaram a resposta virológica à terapêutica ARV nos militares que iniciaram tratamento entre 1996 e 2007.
O estudo incluiu cerca de 650 Afro-americanos e 650 Euro-americanos.
Os doentes Afro-americanos eram mais jovens, tinham menor probabilidade de serem oficiais, tinham maior probabilidade de ter uma co-infecção com hepatite viral e tinham tanto um nadir da contagem das células CD4 como contagens das células CD4 mais baixas quando iniciaram o tratamento ARV.
Seis meses após o início do tratamento para o VIH, 63% dos Afro-americanos tinham uma carga viral indetectável (abaixo de 400 cópias/ml) em comparação com 75% dos Euro-americanos. Esta diferença foi significativa (p < 0.001) e permanece um ano após o início da terapêutica ARV.
As diferenças na resposta virológica mantiveram-se presentes quando os investigadores restringiram a análise aos doentes que não mudaram de tratamento ARV.
Além disso, os investigadores constataram que os Afro-americanos tinham descidas inferiores na carga viral em comparação com os doentes de origem europeia (1.6 log10 vs. 1.9 log10).
Após o ajuste a possíveis factores aleatórios, constatou-se que os Afro-americanos tinham uma probabilidade 40% inferior de terem uma resposta virológica ao tratamento ARV seis (índice de probabilidades, 0,6; 95% IC: 0,4-0,8, p < 0,001) e doze meses (índice de probabilidades, 0,6; 95% IC: 0,4-0,8, p = 0,002), após o início do tratamento com medicamentos anti-retrovirais.
No entanto, uma vez atingida a supressão viral tanto os Afro-americanos como os Euro-americanos mantiveram uma carga viral indetectável durante o mesmo período de tempo.
Segundo os investigadores, “Este estudo acrescenta um conjunto de evidências de que os Afro-americanos não têm a mesma resposta virológica à TARc que os Euro-americanos”.
Os autores concluem “é urgente que se compreenda porque é que as taxas de resposta à TARc são mais baixas entre os Afro versus ou Euro-americanos, no sentido de optimizar a terapêutica a todos os doentes infectados pelo VIH. É necessário concentrar mais esforços na identificação das diferencias psicológicas, sociais, culturais e genéticas entre as etnias e de que forma é que estas podem ter um impacto sobre a resposta à terapêutica”.
Referências
Weintrob AC et al. Virologic response differences between African Americans and European Americans initiating highly active antiretroviral therapy with equal access to care. J Acquir Immune Defic Syndr (edição online), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Quase metade dos doentes do estudo iniciou o tratamento para a infecção pelo VIH com um inibidor da protease não potenciado e os investigadores confirmaram que houve resultados virológicos inferiores nos doentes cujo regime inicial da terapêutica anti-retroviral incluía estes medicamentos em vez de um ITRNN.
Sugerem, portanto, que “ligeiras diferenças na absorção, distribuição, metabolismo ou na eliminação destes regimes terapêuticos mais antigos entre etnicidades pode ter levado a diferentes efeitos secundários, toxicidades ou potência e podem ter contribuído para as diferenças na supressão virológica”.
Vários estudos mostraram que os doentes Afro-americanos têm uma probabilidade inferior, em relação aos de origem europeia, de conseguir e manter uma carga viral indetectável após o início do tratamento ARV.
No entanto, estes resultados são limitados pelo facto de que os Afro-americanos são desproporcionalmente afectados pela pobreza e há menor probabilidade de acederem ao tratamento ARV e cuidados de saúde do que os doentes de descendência europeia.
Os membros do Exército dos E.U.A tem acesso ao tratamento ARV e aos cuidados de saúde gratuitos, têm alojamento e comida assegurada e estão proibidos de usar drogas. Portanto, proporcionam uma população em que a eficácia virológica do tratamento ARV pode ser estudada de acordo com as etnias, com factores aleatórios mínimos. Além disso, a realização de testes para o VIH e o seguimento regulares permitem aos investigadores ter à disposição dados importantes sobre a duração da infecção para o VIH e a progressão da doença.
Os investigadores analisaram a resposta virológica à terapêutica ARV nos militares que iniciaram tratamento entre 1996 e 2007.
O estudo incluiu cerca de 650 Afro-americanos e 650 Euro-americanos.
Os doentes Afro-americanos eram mais jovens, tinham menor probabilidade de serem oficiais, tinham maior probabilidade de ter uma co-infecção com hepatite viral e tinham tanto um nadir da contagem das células CD4 como contagens das células CD4 mais baixas quando iniciaram o tratamento ARV.
Seis meses após o início do tratamento para o VIH, 63% dos Afro-americanos tinham uma carga viral indetectável (abaixo de 400 cópias/ml) em comparação com 75% dos Euro-americanos. Esta diferença foi significativa (p < 0.001) e permanece um ano após o início da terapêutica ARV.
As diferenças na resposta virológica mantiveram-se presentes quando os investigadores restringiram a análise aos doentes que não mudaram de tratamento ARV.
Além disso, os investigadores constataram que os Afro-americanos tinham descidas inferiores na carga viral em comparação com os doentes de origem europeia (1.6 log10 vs. 1.9 log10).
Após o ajuste a possíveis factores aleatórios, constatou-se que os Afro-americanos tinham uma probabilidade 40% inferior de terem uma resposta virológica ao tratamento ARV seis (índice de probabilidades, 0,6; 95% IC: 0,4-0,8, p < 0,001) e doze meses (índice de probabilidades, 0,6; 95% IC: 0,4-0,8, p = 0,002), após o início do tratamento com medicamentos anti-retrovirais.
No entanto, uma vez atingida a supressão viral tanto os Afro-americanos como os Euro-americanos mantiveram uma carga viral indetectável durante o mesmo período de tempo.
Segundo os investigadores, “Este estudo acrescenta um conjunto de evidências de que os Afro-americanos não têm a mesma resposta virológica à TARc que os Euro-americanos”.
Os autores concluem “é urgente que se compreenda porque é que as taxas de resposta à TARc são mais baixas entre os Afro versus ou Euro-americanos, no sentido de optimizar a terapêutica a todos os doentes infectados pelo VIH. É necessário concentrar mais esforços na identificação das diferencias psicológicas, sociais, culturais e genéticas entre as etnias e de que forma é que estas podem ter um impacto sobre a resposta à terapêutica”.
Referências
Weintrob AC et al. Virologic response differences between African Americans and European Americans initiating highly active antiretroviral therapy with equal access to care. J Acquir Immune Defic Syndr (edição online), 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
