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A circuncisão não oferece protecção contra as ISTs uretrais
De acordo com os resultados de um ensaio controlado e randomizado, publicados na edição online da Sexually Transmitted Infections, a circuncisão não protege os homens de infecções uretrais sexualmente transmitidas, como a gonorreia e a clamídia. Contudo, o estudo mostrou que a circuncisão masculina conferia alguma protecção contra a trichomonas vaginalis e os investigadores sugerem que esta pode ser uma das razões pelas quais a circuncisão confere alguma protecção contra a infecção pelo VIH.
Alguns resultados do mesmo estudo - conduzido em Orange Farm, na África do Sul -, publicados noutros locais, mostram que a circuncisão oferece uma protecção parcial contra o VIH e o vírus do papiloma humano (VPH).
A gonorreia, a clamídia e a trichomonas vaginalis são infecções do tipo bacteriano que causam uma significativa morbilidade (isto é, patologias), todos os anos, em homens e mulheres de todo o mundo. Muita desta patologia ocorre em África.
Uma vez que se mostrou que a circuncisão masculina reduzia o risco de infecção pelo VIH nos homens, os investigadores procuraram perceber se ela também apresentava um efeito protector contra aquelas três infecções bacterianas uretrais.
Assim, entre 2002 e 2004, um total de 3 274 adultos jovens do sexo masculino foram recrutados para o estudo de Orange Farm, e randomizados de modo a serem imediatamente circuncizados ou a efectuarem a circuncisão apenas no fim dos 21 meses de follow up (seguimento) do estudo.
Depois, aos meses 3, 12 e 21, procedeu-se à realização de um exame físico, análises sanguíneas e à análise do comportamento sexual referido pelos participantes no estudo.
No sub-estudo onde se investigava a eventual presença das 3 infecções já referidas, procedeu-se à colheita de 1 757 amostras de urina. O objectivo era, precisamente, detectar a presença das 3 infecções: gonorreia, clamídia ou trichomonas.
Os resultados da análise destas amostras mostraram não haver diferença na incidência de gonorreia nos homens circuncizados (10%) e não circuncizados (10%). Também não se registou qualquer diferença entre os dois grupos no que à clamídia dizia respeito (3% de cada grupo).
Porém, os investigadores descobriram que os homens não circuncizados apresentavam uma probabilidade significativamente maior (3%) de apresentar infecção uretral por trichomonas vaginalis do que os circuncizados (2%) (odds ratio ajustado de 0.47, 95% IC: 0.25-0.92, p = 0.027).
“Este estudo demonstra que a circuncisão masculina não apresenta um efeito protector em relação à aquisição de clamídia”, referem os investigadores, que acrescentam “não se ter encontrado também evidência de um efeito protector da circuncisão para a gonorreia”.
Os investigadores referem, porém, o efeito protector da circuncisão contra a trichomonas. E sugerem que este efeito se pode dever ao facto desta infecção afectar a pele por baixo do prepúcio, para além da uretra.
“Assim, o efeito da circuncisão masculina sobre a aquisição do VIH nos homens jovens adultos pode em parte dever-se ao efeito da circuncisão sobre a trichomonas vaginalis”, escrevem os investigadores. Que concluem que se os seus achados forem apoiados por outros ensaios controlados randomizados actualmente em curso, eles poderão “reforçar a declaração da OMS-ONUSIDA que recomenda a implementação de programas de circuncisão masculina nos países africanos com uma baixa prevalência de circuncisão e uma elevada aceitação masculina desta prática”.
Referência
Sobngwi-Tambekou J et al. Male circumcision and Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, and Trichomonas vaginalis: observations in the aftermath of a randomised controlled trial for HIV prevention. Sex Transm Infect (online edition), 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Alguns resultados do mesmo estudo - conduzido em Orange Farm, na África do Sul -, publicados noutros locais, mostram que a circuncisão oferece uma protecção parcial contra o VIH e o vírus do papiloma humano (VPH).
A gonorreia, a clamídia e a trichomonas vaginalis são infecções do tipo bacteriano que causam uma significativa morbilidade (isto é, patologias), todos os anos, em homens e mulheres de todo o mundo. Muita desta patologia ocorre em África.
Uma vez que se mostrou que a circuncisão masculina reduzia o risco de infecção pelo VIH nos homens, os investigadores procuraram perceber se ela também apresentava um efeito protector contra aquelas três infecções bacterianas uretrais.
Assim, entre 2002 e 2004, um total de 3 274 adultos jovens do sexo masculino foram recrutados para o estudo de Orange Farm, e randomizados de modo a serem imediatamente circuncizados ou a efectuarem a circuncisão apenas no fim dos 21 meses de follow up (seguimento) do estudo.
Depois, aos meses 3, 12 e 21, procedeu-se à realização de um exame físico, análises sanguíneas e à análise do comportamento sexual referido pelos participantes no estudo.
No sub-estudo onde se investigava a eventual presença das 3 infecções já referidas, procedeu-se à colheita de 1 757 amostras de urina. O objectivo era, precisamente, detectar a presença das 3 infecções: gonorreia, clamídia ou trichomonas.
Os resultados da análise destas amostras mostraram não haver diferença na incidência de gonorreia nos homens circuncizados (10%) e não circuncizados (10%). Também não se registou qualquer diferença entre os dois grupos no que à clamídia dizia respeito (3% de cada grupo).
Porém, os investigadores descobriram que os homens não circuncizados apresentavam uma probabilidade significativamente maior (3%) de apresentar infecção uretral por trichomonas vaginalis do que os circuncizados (2%) (odds ratio ajustado de 0.47, 95% IC: 0.25-0.92, p = 0.027).
“Este estudo demonstra que a circuncisão masculina não apresenta um efeito protector em relação à aquisição de clamídia”, referem os investigadores, que acrescentam “não se ter encontrado também evidência de um efeito protector da circuncisão para a gonorreia”.
Os investigadores referem, porém, o efeito protector da circuncisão contra a trichomonas. E sugerem que este efeito se pode dever ao facto desta infecção afectar a pele por baixo do prepúcio, para além da uretra.
“Assim, o efeito da circuncisão masculina sobre a aquisição do VIH nos homens jovens adultos pode em parte dever-se ao efeito da circuncisão sobre a trichomonas vaginalis”, escrevem os investigadores. Que concluem que se os seus achados forem apoiados por outros ensaios controlados randomizados actualmente em curso, eles poderão “reforçar a declaração da OMS-ONUSIDA que recomenda a implementação de programas de circuncisão masculina nos países africanos com uma baixa prevalência de circuncisão e uma elevada aceitação masculina desta prática”.
Referência
Sobngwi-Tambekou J et al. Male circumcision and Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, and Trichomonas vaginalis: observations in the aftermath of a randomised controlled trial for HIV prevention. Sex Transm Infect (online edition), 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
