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Três milhões de pessoas que usam drogas injectáveis estão infectadas pelo VIH
Calcula-se que no mundo existam 16 milhões de pessoas que injectam drogas e que 3 milhões estejam infectadas pelo VIH, de acordo com o estudo publicado em Setembro na vigésima quarta edição da revista The Lancet. Observou-se uma prevalência muito elevada nos injectores de droga do Sudoeste Asiático, da Europa de Leste e da América Latina. No entanto, este estudo tem limitações como por exemplo, falta de dados fiáveis em muitos países, principalmente na África Subsaariana, o que demonstra que as medidas de prevenção para o VIH entre pessoas que injectam de drogas continuam negligenciadas.
A injecção de drogas causa problemas de saúde em todo o mundo, principalmente a transmissão de infecções por via parentérica, com grande relevo para a infecção VIH. Estimativas precisas e fiáveis sobre o número de pessoas que usam drogas injectadas e a prevalência da infecção VIH nesta população são absolutamente necessárias para programar intervenções de promoção de saúde dirigidas e que sejam eficazes.
Tais estimativas estão, neste momento, quatro anos atrasadas. Existem, claro, dificuldades em obter tais estimativas. Porque os injectores de droga têm um comportamento ilegal e estigmatizado, as estimativas a partir de inquéritos populacionais são muitas vezes subcalculadas. Um outro problema é o facto de que muitos países em desenvolvimento não têm sistemas de vigilância implementados.
Um grupo de investigadores de Sidney, na Austrália, levaram a cabo em Agosto de 2007, uma revisão de literatura para tentar estabelecer o número global de utilizadores de drogas injectáveis entre os 15 e os 64 anos e a prevalência da infecção VIH neste grupo. Esta pesquisa incluiu artigos revistos por pares e a chamada “literatura cinzenta” – cujas estimativas não tinham sido sujeitas a uma análise rigorosa pela revisão dos pares.
Esta mostrou que o uso de drogas injectáveis estava reportado em 148 países. A informação da vigilância epidemiológica era extremamente fragmentada em muitas regiões do mundo e apenas 6 dos 15 países das Caraíbas reportam o uso de drogas injectadas e o mesmo acontece em 13 dos 47 países da África Subsaariana.
Mesmo nos países ricos encontraram-se muitas debilidades nos dados da vigilância epidemiológica disponível. A informação sobre o número de pessoas que injectam drogas da Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Itália, Espanha e Suíça são todas anteriores ao ano 2000.
Apesar disso, os investigadores calcularam que 0,363% da população nos países com dados disponíveis eram utilizadores de drogas injectáveis. Estimativas do número de utilizadores de drogas injectáveis em países individuais variaram entre apenas 0,02% na Índia e no Cambodja e 5% em Azerbaijão. Houve, também, variações consideráveis nas estimativas regionais, com 0,056% da população estimada de utilizadores de drogas injectáveis no Sul da Ásia, mas 1,5% da população na Europa Oriental. No Reino Unido, foi estimado que 0,39% da população utiliza drogas injectáveis.
Baseando-se nestes dados, os investigadores estimaram que existem 15,9 milhões de indivíduos em todo o mundo que injectam drogas.
Em seguida, os investigadores calcularam a prevalência do VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis. Esta estimativa baseou-se nos dados de 128 países. Os investigadores notaram que 85% das suas estimativas relacionadas com a prevalência do VIH são baseadas em informação contida na “literatura cinzenta”.
A prevalência varia consideravelmente entre países, variando de 0,1% em oito países a mais de 72% na Estónia. Em nove países, a prevalência do VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis era superior a 40%, incluindo a Argentina (49,7%), Brasil (48%), Quénia (42,9%), Nepal (41,39%) e Tailândia (42,5%). A prevalência em mais 5 países foi entre 20% - 40% incluindo o Cambodja (22,8%), Rússia (37.15%) e Espanha (39.7%). No Reino Unido, estima-se que 2,3% de utilizadores de drogas utilizáveis são seropositivos para o VIH.
A prevalência do VIH variou significativamente em alguns países. Na Rússia, 0,3% dos utilizadores de drogas injectáveis estão infectados com VIH em Pskov, comparado com 12% em Moscovo, 32% em São Petersburgo e 74% em Biysk.
Ao todo, os investigadores calcularam que 3 milhões de utilizadores de drogas injectáveis em todo o mundo têm infecção VIH, estando as maiores populações de utilizadores de droga infectados com VIH localizadas na Europa Oriental, Sul e Sudeste Asiático e na América Latina.
Os investigadores expressam preocupação pela falta de informação em relação à dimensão do uso de drogas injectáveis em algumas regiões no mundo, particularmente na África Subsaariana, a região mundial com maior prevalência de VIH, onde os investigadores acreditam que exista “uma miríade de factores de risco” para o aumento do uso de drogas injectáveis.
Também assinalaram o dinamismo da epidemia de VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis. No final de 1990 existiam poucas infecções por VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis na Estónia, mas um estudo recente sugere que 72% estão agora infectados.
“Existe um claro mandato para investir em actividades de prevenção da transmissão do VIH, tais como, programas de troca de agulhas e de seringas e tratamento de substituição opiácea, e para prestar tratamentos e cuidados aos que vivem com VIH/SIDA”, concluem os investigadores. Adicionam igualmente que, “a magnitude do risco não está de acordo com o pouco investimento feito na investigação para quantificar o problema.”
“A tendências preocupantes da prevalência da infecção VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis deveria tornar imperativo que os países em desenvolvimento e doadores internacionais implementassem em larga escala programas baseados em evidências para a prevenção do VIH, sempre que houvesse indicação de aumento do uso de drogas injectáveis.”
Referência
Mathers B.M. et al. Global epidemiology of injecting drug use and HIV among people who inject drugs: a systematic review. The Lancet (online edition), September 24th, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
A injecção de drogas causa problemas de saúde em todo o mundo, principalmente a transmissão de infecções por via parentérica, com grande relevo para a infecção VIH. Estimativas precisas e fiáveis sobre o número de pessoas que usam drogas injectadas e a prevalência da infecção VIH nesta população são absolutamente necessárias para programar intervenções de promoção de saúde dirigidas e que sejam eficazes.
Tais estimativas estão, neste momento, quatro anos atrasadas. Existem, claro, dificuldades em obter tais estimativas. Porque os injectores de droga têm um comportamento ilegal e estigmatizado, as estimativas a partir de inquéritos populacionais são muitas vezes subcalculadas. Um outro problema é o facto de que muitos países em desenvolvimento não têm sistemas de vigilância implementados.
Um grupo de investigadores de Sidney, na Austrália, levaram a cabo em Agosto de 2007, uma revisão de literatura para tentar estabelecer o número global de utilizadores de drogas injectáveis entre os 15 e os 64 anos e a prevalência da infecção VIH neste grupo. Esta pesquisa incluiu artigos revistos por pares e a chamada “literatura cinzenta” – cujas estimativas não tinham sido sujeitas a uma análise rigorosa pela revisão dos pares.
Esta mostrou que o uso de drogas injectáveis estava reportado em 148 países. A informação da vigilância epidemiológica era extremamente fragmentada em muitas regiões do mundo e apenas 6 dos 15 países das Caraíbas reportam o uso de drogas injectadas e o mesmo acontece em 13 dos 47 países da África Subsaariana.
Mesmo nos países ricos encontraram-se muitas debilidades nos dados da vigilância epidemiológica disponível. A informação sobre o número de pessoas que injectam drogas da Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Itália, Espanha e Suíça são todas anteriores ao ano 2000.
Apesar disso, os investigadores calcularam que 0,363% da população nos países com dados disponíveis eram utilizadores de drogas injectáveis. Estimativas do número de utilizadores de drogas injectáveis em países individuais variaram entre apenas 0,02% na Índia e no Cambodja e 5% em Azerbaijão. Houve, também, variações consideráveis nas estimativas regionais, com 0,056% da população estimada de utilizadores de drogas injectáveis no Sul da Ásia, mas 1,5% da população na Europa Oriental. No Reino Unido, foi estimado que 0,39% da população utiliza drogas injectáveis.
Baseando-se nestes dados, os investigadores estimaram que existem 15,9 milhões de indivíduos em todo o mundo que injectam drogas.
Em seguida, os investigadores calcularam a prevalência do VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis. Esta estimativa baseou-se nos dados de 128 países. Os investigadores notaram que 85% das suas estimativas relacionadas com a prevalência do VIH são baseadas em informação contida na “literatura cinzenta”.
A prevalência varia consideravelmente entre países, variando de 0,1% em oito países a mais de 72% na Estónia. Em nove países, a prevalência do VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis era superior a 40%, incluindo a Argentina (49,7%), Brasil (48%), Quénia (42,9%), Nepal (41,39%) e Tailândia (42,5%). A prevalência em mais 5 países foi entre 20% - 40% incluindo o Cambodja (22,8%), Rússia (37.15%) e Espanha (39.7%). No Reino Unido, estima-se que 2,3% de utilizadores de drogas utilizáveis são seropositivos para o VIH.
A prevalência do VIH variou significativamente em alguns países. Na Rússia, 0,3% dos utilizadores de drogas injectáveis estão infectados com VIH em Pskov, comparado com 12% em Moscovo, 32% em São Petersburgo e 74% em Biysk.
Ao todo, os investigadores calcularam que 3 milhões de utilizadores de drogas injectáveis em todo o mundo têm infecção VIH, estando as maiores populações de utilizadores de droga infectados com VIH localizadas na Europa Oriental, Sul e Sudeste Asiático e na América Latina.
Os investigadores expressam preocupação pela falta de informação em relação à dimensão do uso de drogas injectáveis em algumas regiões no mundo, particularmente na África Subsaariana, a região mundial com maior prevalência de VIH, onde os investigadores acreditam que exista “uma miríade de factores de risco” para o aumento do uso de drogas injectáveis.
Também assinalaram o dinamismo da epidemia de VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis. No final de 1990 existiam poucas infecções por VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis na Estónia, mas um estudo recente sugere que 72% estão agora infectados.
“Existe um claro mandato para investir em actividades de prevenção da transmissão do VIH, tais como, programas de troca de agulhas e de seringas e tratamento de substituição opiácea, e para prestar tratamentos e cuidados aos que vivem com VIH/SIDA”, concluem os investigadores. Adicionam igualmente que, “a magnitude do risco não está de acordo com o pouco investimento feito na investigação para quantificar o problema.”
“A tendências preocupantes da prevalência da infecção VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis deveria tornar imperativo que os países em desenvolvimento e doadores internacionais implementassem em larga escala programas baseados em evidências para a prevenção do VIH, sempre que houvesse indicação de aumento do uso de drogas injectáveis.”
Referência
Mathers B.M. et al. Global epidemiology of injecting drug use and HIV among people who inject drugs: a systematic review. The Lancet (online edition), September 24th, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
