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Os africanos que vivem em Inglaterra enfrentam sérios obstáculos à realização do teste de despistagem do VIH
Uma considerável minoria de pessoas africanas tem falhas significativas na compreensão do teste de despistagem e do tratamento do VIH, o que parece ter um efeito marcado no acesso aos centros de despistagem, de acordo com o estudo BASS Line, o maior estudo alguma vez realizado sobre as necessidades de prevenção da comunidade africana residente em Inglaterra.
Um quarto dos participantes que referiu querer realizar o teste de despistagem afirmou que não sabia onde o poderia fazer e um quinto desconhece a existência do tratamento anti-retroviral (TARV). Estes resultados realçam a necessidade de informação e de prevenção dirigida às pessoas africanas, de acordo com os investigadores do estudo.
O estudo Bass Line foi desenvolvido pela Sigma Research e pelo Programa Nacional de Prevenção do VIH para os africanos (NAHIP), com o objectivo de avaliar as necessidades de prevenção entre os adultos que se identificam como africanos e que vivem em Inglaterra. O inquérito de auto-preenchimento, em forma de brochura, foi distribuído nos serviços de saúde e esteve disponível online, tendo sido promovido pela comunidade africana e por sites comerciais.
Obtiveram-se um total de 4.712 respostas. Os dados demográficos e os resultados relacionados com as práticas de sexo seguro podem ser encontrados no site da aidsmap.com.
Quase metade dos inquiridos (47%) nunca tinha realizado um teste de despistagem do VIH. Cerca de um terço referiu ter um resultado negativo e 16% de todos os participantes afirmou ser seropositivo para o VIH.
Embora a percentagem de 16% de pessoas seropositivas seja muito mais elevada que a estimativa de 4% de prevalência da Health Protection Agency’s para a população adulta africana, os investigadores referem que a sobre-representação das pessoas seropositivas se deve à distribuição do questionário pelos serviços de prevenção, tratamento e ONGs relacionadas com a infecção pelo VIH.
O inquérito concluiu igualmente que um terço dos que não tinham realizado o teste de despistagem do VIH, gostariam de o fazer (ou repetir ou fazer pela primeira vez). Contudo, 28% referiu que não sabia onde poderia realizar o teste, chamando a atenção para a necessidade de mais informação sobre este tipo de serviço.
Aos participantes foi igualmente apresentada uma série de factos sobre a despistagem e o tratamento da infecção pelo VIH, tendo-lhes sido perguntado se já tinham este tipo de informação. Por um lado, mais de nove em cada 10 participantes sabia que o VIH é um vírus que provoca a SIDA ou que o VIH não se transmite através dos contactos sociais do dia-a-dia. Contudo, alguns dos inquiridos não sabiam ou não tinham a certeza sobre algumas afirmações chave, tais como:
Os investigadores realçaram que estas lacunas no conhecimento podem desencorajar as pessoas em relação à realização do teste de despistagem.
Entre as pessoas que nunca tinham realizado a despistagem, pode eventualmente existir um sentimento irrealista de que não estão infectadas pelo VIH. Metade da amostra pensa que “definitivamente” é seronegativa para o VIH e um quarto acha que “provavelmente” o é. Só um quinto dos que nunca se submeteram à despistagem do VIH afirmou que não sabia ou que não tinha a certeza de qual era o seu estatuto serológico.
De forma semelhante, a maioria dos participantes desconhecia o facto de que cerca de um em cada africano que vive na Grã-Bretanha está infectado pelo VIH.
Para além disto, quando se perguntou aos participantes que nunca tinham realizado um teste de despistagem a razão pela qual nunca o tinham feito, uma resposta ressaltou como a mais frequente: o inquirido não tinha razão para pensar que era seropositivo (69%). Todas as outras respostas obtiveram 12% ou menos da amostra.
Os investigadores recomendam que, no sentido de facilitar a despistagem, “é necessário aumentar a ambivalência ou dúvida sobre a possibilidade que cada um dos indivíduos tem de poder estar infectado pelo VIH.”
Entre as pessoas que afirmam ser seropositivas, foi igualmente possível identificar a existência de alguma confusão sobre o resultado do teste. Aos inquiridos foi perguntado, “Qual é que acha que é o seu actual estatuto serológico (tenha ou não realizado um teste)?”. Entre os que tinham respondido anteriormente que o seu teste de despistagem do VIH era positivo, um certo número afirmou que era seronegativo (9%) e 3% referiu que não tinha a certeza de qual era o seu estatuto serológico.
Angelina Namiba do Programa Nacional de Prevenção do VIH para os africanos comentou o seguinte: “O relatório reafirma a importância de facilitar o acesso aos serviços de despistagem, de prevenção e de tratamento da infecção pelo VIH.”
Referência
Dodds C et al. BASS Line 2007 Survey : assessing the sexual HIV prevention needs of African people in England. Sigma Research, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Um quarto dos participantes que referiu querer realizar o teste de despistagem afirmou que não sabia onde o poderia fazer e um quinto desconhece a existência do tratamento anti-retroviral (TARV). Estes resultados realçam a necessidade de informação e de prevenção dirigida às pessoas africanas, de acordo com os investigadores do estudo.
O estudo Bass Line foi desenvolvido pela Sigma Research e pelo Programa Nacional de Prevenção do VIH para os africanos (NAHIP), com o objectivo de avaliar as necessidades de prevenção entre os adultos que se identificam como africanos e que vivem em Inglaterra. O inquérito de auto-preenchimento, em forma de brochura, foi distribuído nos serviços de saúde e esteve disponível online, tendo sido promovido pela comunidade africana e por sites comerciais.
Obtiveram-se um total de 4.712 respostas. Os dados demográficos e os resultados relacionados com as práticas de sexo seguro podem ser encontrados no site da aidsmap.com.
Quase metade dos inquiridos (47%) nunca tinha realizado um teste de despistagem do VIH. Cerca de um terço referiu ter um resultado negativo e 16% de todos os participantes afirmou ser seropositivo para o VIH.
Embora a percentagem de 16% de pessoas seropositivas seja muito mais elevada que a estimativa de 4% de prevalência da Health Protection Agency’s para a população adulta africana, os investigadores referem que a sobre-representação das pessoas seropositivas se deve à distribuição do questionário pelos serviços de prevenção, tratamento e ONGs relacionadas com a infecção pelo VIH.
O inquérito concluiu igualmente que um terço dos que não tinham realizado o teste de despistagem do VIH, gostariam de o fazer (ou repetir ou fazer pela primeira vez). Contudo, 28% referiu que não sabia onde poderia realizar o teste, chamando a atenção para a necessidade de mais informação sobre este tipo de serviço.
Aos participantes foi igualmente apresentada uma série de factos sobre a despistagem e o tratamento da infecção pelo VIH, tendo-lhes sido perguntado se já tinham este tipo de informação. Por um lado, mais de nove em cada 10 participantes sabia que o VIH é um vírus que provoca a SIDA ou que o VIH não se transmite através dos contactos sociais do dia-a-dia. Contudo, alguns dos inquiridos não sabiam ou não tinham a certeza sobre algumas afirmações chave, tais como:
- “Existe uma análise que pode determinar se uma pessoa está ou não infectada pelo VIH”: 12% referiu não saber ou não ter a certeza.
- “As pessoas podem estar infectadas pelo VIH e não saber”: 19 % respondeu que não sabia ou não que tinha a certeza
- “Existem medicamentos que podem ajudar as pessoas seropositivas de forma a manterem-se saudáveis”: 19% respondeu que não sabia ou que não tinha a certeza
- “Os africanos NÃO são deportados da Grã-Bretanha só porque estão infectados pelo VIH”: 42% afirmou desconhecer ou não ter a certeza
Os investigadores realçaram que estas lacunas no conhecimento podem desencorajar as pessoas em relação à realização do teste de despistagem.
Entre as pessoas que nunca tinham realizado a despistagem, pode eventualmente existir um sentimento irrealista de que não estão infectadas pelo VIH. Metade da amostra pensa que “definitivamente” é seronegativa para o VIH e um quarto acha que “provavelmente” o é. Só um quinto dos que nunca se submeteram à despistagem do VIH afirmou que não sabia ou que não tinha a certeza de qual era o seu estatuto serológico.
De forma semelhante, a maioria dos participantes desconhecia o facto de que cerca de um em cada africano que vive na Grã-Bretanha está infectado pelo VIH.
Para além disto, quando se perguntou aos participantes que nunca tinham realizado um teste de despistagem a razão pela qual nunca o tinham feito, uma resposta ressaltou como a mais frequente: o inquirido não tinha razão para pensar que era seropositivo (69%). Todas as outras respostas obtiveram 12% ou menos da amostra.
Os investigadores recomendam que, no sentido de facilitar a despistagem, “é necessário aumentar a ambivalência ou dúvida sobre a possibilidade que cada um dos indivíduos tem de poder estar infectado pelo VIH.”
Entre as pessoas que afirmam ser seropositivas, foi igualmente possível identificar a existência de alguma confusão sobre o resultado do teste. Aos inquiridos foi perguntado, “Qual é que acha que é o seu actual estatuto serológico (tenha ou não realizado um teste)?”. Entre os que tinham respondido anteriormente que o seu teste de despistagem do VIH era positivo, um certo número afirmou que era seronegativo (9%) e 3% referiu que não tinha a certeza de qual era o seu estatuto serológico.
Angelina Namiba do Programa Nacional de Prevenção do VIH para os africanos comentou o seguinte: “O relatório reafirma a importância de facilitar o acesso aos serviços de despistagem, de prevenção e de tratamento da infecção pelo VIH.”
Referência
Dodds C et al. BASS Line 2007 Survey : assessing the sexual HIV prevention needs of African people in England. Sigma Research, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
