YOU ARE HERE:
Novo medicamento para a tuberculose multirresistente com bons resultados em ensaio clínico
De acordo com os resultados de um ensaio randomizado e controlado com placebo publicados na edição de 4 de Junho da revista New England Journal of Medicine, o TMC207 é um medicamento seguro e eficaz no tratamento da tuberculose multirresistente (TB-MR).
De facto, os doentes que receberam este tratamento, tinham uma probabilidade significativamente maior de apresentar uma cultura negativa após oito semanas de tratamento, do que os doentes que foram medicados com o tratamento padrão de segunda linha.
O autor do editorial acompanhante descreve o desenvolvimento deste novo fármaco como “um avanço importante na quimioterapia da tuberculose”.
Em 2006, houve mais de 9 milhões de casos de tuberculose diagnosticados em todo o mundo e 1.7 milhões de mortes devido à infecção. Muitos doentes com TB estão também infectados com VIH, constituindo a TB a principal causa de morte entre as pessoas seropositivas em todo o mundo.
O tratamento da TB consiste na administração de múltiplos fármacos, por pelo menos seis meses. Entretanto, têm surgido desde há vários anos algumas estirpes de TB que são resistentes (TB-MR) a dois fármacos cruciais de primeira linha, a rifampicina e a isoniazida. Além destas, outras estirpes apresentam também resistência aos fármacos de segunda-linha – fenómeno denominado por TB extensamente resistente (TB-XR).
O TMC207 é uma substância em investigação pertencente à classe das diarilquinolinas. Os testes realizados in vitro mostraram que a substância apresentava uma actividade considerável contra a TB resistente.
Os investigadores desenharam então a fase II do seu estudo, que consistiu num ensaio controlado com placebo, envolvendo doentes com TB-MR recém-diagnosticada, com exame da expectoração positivo, de forma a avaliar a segurança, efeitos secundários, farmacocinética e acção anti-bacteriana do TMC207.
O estudo envolveu 47 doentes hospitalizados na África do Sul, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos. Todos os doentes receberam uma combinação de cinco medicamentos para o tratamento da TB-MR.
Os 47 elementos do grupo foram depois distribuídos aleatoriamente (randomizados) em dois sub-grupos, um que foi medicado com TMC207 (400mg/dia durante duas semanas, seguidos de 200mg, três vezes por semana, durante seis semanas), e outro, que recebeu placebo.
A maioria dos doentes (74%) era do sexo masculino, 55% eram negros e 13% eram seropositivos para o VIH. A adesão foi boa, tendo sido tomadas 97% das doses, tanto num como no outro braço do estudo.
Uma proporção semelhante de doentes dos dois braços terminou o estudo (87%).
Não se verificaram interrupções prematuras devido a efeitos secundários. O perfil destes efeitos foi semelhante nos dois braços do estudo, com excepção das náuseas, referidas em maior número pelos doentes do grupo medicado com TMC207 (26% vs. 4%, p = 0.04).
A expectoração tornou-se negativa significativamente mais depressa nos doentes tratados com TMC207, do que nos que receberam placebo. Quarenta e oito por cento dos doentes a receber a nova substância atingiram uma cultura negativa, por oposição a 9% dos do grupo do placebo.
“Os nossos dados mostram evidência de que o TMC207, em combinação com um regime de segunda linha composto por cinco fármacos, apresentou um perfil de efeitos secundários aceitável; reduziu o tempo de conversão da cultura da expectoração em doentes com TB-MR, com esfregaço positivo, recém-diagnosticada; e aumentou significativamente a proporção de doentes com culturas negativas ao fim de oito semanas”, comentam os investigadores.
O autor do editorial acompanhante acredita que tanto a nova substância como o ensaio clínico são “muito encorajadores”. Contudo, o autor pensa que o uso do fármaco será provavelmente restringido à terapêutica de segunda-linha, o que se deve ao facto de os dados sobre segurança disponíveis serem limitados e “estarem a precisar de ser urgentemente ampliados”. Além disso, a substância é metabolizada através da via do citocromo P450, via também utilizada pelo importante fármaco anti-TB, rifampicina, levantando a possibilidade de uma interacção negativa entre as duas substâncias.
As interacções com anti-retrovirais como o efavirenze e a nevirapina – também processados através desta via metabólica – serão investigadas pela empresa que tem desenvolvido o novo fármaco, a Tibotec, uma companhia da Johnson & Johnson.
Referência
Diacon AH et al. The diarylquinoline TMC207 for multidrug-resistant tuberculosis. N Engl J Med 360: 2397-2405, 2009.
Barry CE Unorthodox approach to the development of a new antituberculosis therapy. N Engl J Med 360: 2466-67, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
De facto, os doentes que receberam este tratamento, tinham uma probabilidade significativamente maior de apresentar uma cultura negativa após oito semanas de tratamento, do que os doentes que foram medicados com o tratamento padrão de segunda linha.
O autor do editorial acompanhante descreve o desenvolvimento deste novo fármaco como “um avanço importante na quimioterapia da tuberculose”.
Em 2006, houve mais de 9 milhões de casos de tuberculose diagnosticados em todo o mundo e 1.7 milhões de mortes devido à infecção. Muitos doentes com TB estão também infectados com VIH, constituindo a TB a principal causa de morte entre as pessoas seropositivas em todo o mundo.
O tratamento da TB consiste na administração de múltiplos fármacos, por pelo menos seis meses. Entretanto, têm surgido desde há vários anos algumas estirpes de TB que são resistentes (TB-MR) a dois fármacos cruciais de primeira linha, a rifampicina e a isoniazida. Além destas, outras estirpes apresentam também resistência aos fármacos de segunda-linha – fenómeno denominado por TB extensamente resistente (TB-XR).
O TMC207 é uma substância em investigação pertencente à classe das diarilquinolinas. Os testes realizados in vitro mostraram que a substância apresentava uma actividade considerável contra a TB resistente.
Os investigadores desenharam então a fase II do seu estudo, que consistiu num ensaio controlado com placebo, envolvendo doentes com TB-MR recém-diagnosticada, com exame da expectoração positivo, de forma a avaliar a segurança, efeitos secundários, farmacocinética e acção anti-bacteriana do TMC207.
O estudo envolveu 47 doentes hospitalizados na África do Sul, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos. Todos os doentes receberam uma combinação de cinco medicamentos para o tratamento da TB-MR.
Os 47 elementos do grupo foram depois distribuídos aleatoriamente (randomizados) em dois sub-grupos, um que foi medicado com TMC207 (400mg/dia durante duas semanas, seguidos de 200mg, três vezes por semana, durante seis semanas), e outro, que recebeu placebo.
A maioria dos doentes (74%) era do sexo masculino, 55% eram negros e 13% eram seropositivos para o VIH. A adesão foi boa, tendo sido tomadas 97% das doses, tanto num como no outro braço do estudo.
Uma proporção semelhante de doentes dos dois braços terminou o estudo (87%).
Não se verificaram interrupções prematuras devido a efeitos secundários. O perfil destes efeitos foi semelhante nos dois braços do estudo, com excepção das náuseas, referidas em maior número pelos doentes do grupo medicado com TMC207 (26% vs. 4%, p = 0.04).
A expectoração tornou-se negativa significativamente mais depressa nos doentes tratados com TMC207, do que nos que receberam placebo. Quarenta e oito por cento dos doentes a receber a nova substância atingiram uma cultura negativa, por oposição a 9% dos do grupo do placebo.
“Os nossos dados mostram evidência de que o TMC207, em combinação com um regime de segunda linha composto por cinco fármacos, apresentou um perfil de efeitos secundários aceitável; reduziu o tempo de conversão da cultura da expectoração em doentes com TB-MR, com esfregaço positivo, recém-diagnosticada; e aumentou significativamente a proporção de doentes com culturas negativas ao fim de oito semanas”, comentam os investigadores.
O autor do editorial acompanhante acredita que tanto a nova substância como o ensaio clínico são “muito encorajadores”. Contudo, o autor pensa que o uso do fármaco será provavelmente restringido à terapêutica de segunda-linha, o que se deve ao facto de os dados sobre segurança disponíveis serem limitados e “estarem a precisar de ser urgentemente ampliados”. Além disso, a substância é metabolizada através da via do citocromo P450, via também utilizada pelo importante fármaco anti-TB, rifampicina, levantando a possibilidade de uma interacção negativa entre as duas substâncias.
As interacções com anti-retrovirais como o efavirenze e a nevirapina – também processados através desta via metabólica – serão investigadas pela empresa que tem desenvolvido o novo fármaco, a Tibotec, uma companhia da Johnson & Johnson.
Referência
Diacon AH et al. The diarylquinoline TMC207 for multidrug-resistant tuberculosis. N Engl J Med 360: 2397-2405, 2009.
Barry CE Unorthodox approach to the development of a new antituberculosis therapy. N Engl J Med 360: 2466-67, 2009.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
