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Prevalência alta de clamídia anal entre os homossexuais seropositivos para o VIH na Suíça
Michael Carter, Thursday, November 12, 2009
Existe uma grande proporção de homossexuais seropositivos para o VIH com infecções ano-rectais de clamídia, segundo um relatório publicado na 15a edição da Clinical Infectious Diseases. Os investigadores crêem que as infecções anais por clamídia não diagnosticadas podem estar a contribuir para a propagação do VIH entre os homossexuais na Suíça.

Os homossexuais bem como os homens que têm sexo com homens continuam a ser o grupo mais afectado pelo VIH em muitos países industrializados, incluindo a Suíça. As infecções sexualmente transmissíveis afectam também de forma desproporcional os homossexuais. Se não tratadas, estas infecções, incluindo a clamídia, podem aumentar significativamente o risco de infecção pelo VIH. Como relatado no aidsmap.com, investigadores britânicos descobriram que muitas das infecções por clamídia em homossexuais se davam no recto, que os que eram seropositivos para o VIH eram desproporcionalmente afectados por esta.

Investigadores da coorte Suíça de VIH defendem que a infecção por clamídia ano-rectal pode estar a contribuir para a epidemia de VIH entre homossexuais no seu país.

Por essa razão efectuaram despistagens em 147 homens seropositivos para o VIH que declararam ter tudo sexo anal receptivo desprotegido nos dois anos anteriores à infecção. Os objectivos do estudo eram determinar a prevalência, os sintomas da clamídia e identificar factores de risco associados à infecção.

O estudo foi conduzido durante doze meses entre 2007 e 2008. As amostras ano-rectais foram recolhidas durante as consultas de rotina para o VIH.

Houve um total de 16 amostras (11%) positivas para a clamídia. Uma das infecções envolvia linfogranuloma venéreo (LGV) que é causado por uma estirpe da clamídia. Para além disso quatro homens tinham gonorreia ano-rectal.

Só três dos homens diagnosticados com clamídia tinham sintomas de proticte (por exemplo dor, descargas, sangue nas fezes ou obstipação). A LGV está associada a sintomas desagradáveis e o paciente com esta infecção relatou um historial longo de dor, sangue nas fezes e cãibras.

O único factor que os investigadores conseguiram identificar como estando associado à infecção por clamídia ano-rectal foi um número maior de parceiros sexuais. Os homens que tiveram dois ou mais parceiros nos dois anos prévios tinham significativamente mais probabilidades de serem diagnosticados com a infecção do que os homens que declararam menos parceiros (p=0,001).

“A prevalência alta juntamente com uma associação forte aos múltiplos parceiros sexuais... indica um possível papel da infecção por clamídia ano-rectal na manutenção da epidemia do VIJ entre homens que têm sexo com homens na Suíça”, comentaram os investigadores.

Relembrando que a despistagem da infecção foi simples de efectuar, os autores sugerem que os resultados “subestimam o papel potencial de uma despistagem mais abrangente à clamídia rectal” como parte dos cuidados de rotina para o VIH. Recomendam ainda que os testes para esta infecção deviam ser propostos mesmo quando os doentes não declaram nenhum dos sintomas de infecção.

Referência
Dang T et al. High prevalence of anorectal chlamydial infection in HIV-infected men who have sex with men in Switzerland. Clin Infect Dis 49: 1532-35, 2009.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA