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Quase metade das pessoas de origem africana infectadas pelo VIH no Reino Unido é diagnosticada tardiamente
Kelly Morris, Thursday, November 27, 2008
Os números divulgados este mês pela UK Health Protection Agency (HPA) demonstram que, em 2007, 42% das pessoas de origem africana a viver no Reino Unido e com infecção pelo VIH foram diagnosticadas tardiamente. Tal significa que apenas lhes foi diagnosticada a infecção quando já tinham, ou estavam em risco de desenvolver uma doença grave relacionada com o VIH e o diagnóstico tardio é muitas vezes o factor determinante de muitas mortes verificadas no Reino Unido relacionadas com este vírus. O relatório levanta várias preocupações com a saúde pública e recomenda medidas para melhorar o acesso e os serviços para grupos específicos.

“Quanto mais cedo a infecção pelo VIH e outras doenças sexualmente transmitidas forem diagnosticadas e tratadas, menos provável será que continue a contágio”, disse o professor Mike Catchpole, director do Center for Infections da HPA. As preocupações chave de saúde pública evidenciadas no relatório foram apresentadas por Deborah Jack, Chefe Executiva do National Aids Trust, que comentou: “A proporção alarmante dos diagnósticos tardios de VIH entre pessoas de origem africana no Reino Unido resulta num aumento de doença e mortes, bem como no risco acrescido de transmissão”.

De acordo com o relatório, em 2007, 42% dos Africanos negros diagnosticados com VIH no Reino Unido, são diagnósticos tardios (definido quando a contagem de CD4 é inferir a 200 células/mm3 ou quando uma doença definidora de SIDA existe na altura do diagnóstico). Uma alta taxa de diagnósticos tardios - 27% – foi observada também em afro-caribianos.

O relatório também demonstrou que as pessoas de origem africana de etnia negra tinham a mais alta prevalência de infecção pelo VIH entre todos os grupos étnicos do Reino Unido. A prevalência do VIH era de 3,7% para estes, 0,4% para os afro-caribianos e 0,09% para a população caucasiana.

Ao todo, 2 691 pessoas de origem africana foram diagnosticadas com VIH em 2007, embora tal represente uma queda significativa comparando com anos anteriores, 40% de todas as novas infecções por VIH no Reino Unido ainda se encontram nesta população. A maioria infectou-se por via heterossexual e em África. Os novos diagnósticos em afro-caribianos permaneceram baixos, 189 casos, e mais de metade dos heterossexuais infectaram-se no Reino Unido. No entanto, este grupo foi desproporcionalmente afectado por infecções bacterianas sexualmente transmissíveis (ISTs), tais como a gonorreia. O relatório nota que as maiores taxas de ISTs nas duas populações significam que “embora os níveis de comportamento sexual de alto risco sejam semelhantes aos de outras comunidades, existe um risco aumentado de contrair uma infecção”.

Titise Kode, Chefe Oficial Executivo do African HIV Policy Network, que analisa as necessidades de saúde e aborda as desigualdades que exacerbam o impacto da infecção pelo VIH comentou: “O relatório do HPA ilustra a necessidade premente de uma resposta dirigida e baseada na evidência e que se baseia na informação dada pelas pessoas africanas, especialmente pessoas que vivem com VIH. O facto de que um número significativo de pessoas Africanas está a ser diagnosticado tardiamente também indica que as pessoas não estão a ter todos os benefícios do tratamento de que precisam para viver.”

“Os esforços para reforçar as campanhas de despistagem e a avaliação de estratégias bem sucedidas estão no centro do nosso trabalho, reforçando o papel dos Africanos afectados pelo VIH,” diz Kode.

As linhas orientadoras actualizadas para a despistagem do VIH foram recentemente publicadas com o objectivo de facilitar o acesso aos testes de detecção do VIH e diminuir a taxa de diagnósticos tardios. Deborah Jack sugeriu que “os clínicos gerais necessitam de começar a propor o teste do VIH e de reconhecer melhor os sinais e sintomas desta infecção.” Além disso, para responder às necessidades dos afro-caribianos, Deborah recomenda que as Strategic Health Authorities e a Primary Care Trusts utilizem os dados da HPA local para planear e executar as estratégias de apoio e prevenção do VIH.

O relatório da HPA conclui que o acesso fácil a serviços de saúde sexual que podem prestar aconselhamento, exames e tratamentos para ISTs incluindo o VIH, deve ser garantido para ambas as comunidades. “O teste de rastreio do VIH deveria ser promovido em larga escala entre as pessoas de origem africana, porque o diagnóstico precoce é benéfico para o indivíduo, porque o prognóstico para os que sabem ser seropositivos é melhor e em relação à comunidade reduz a taxa de transmissão do VIH,” diz o relatório. Além disso, é necessário melhorar as intervenções com base na evidência disponível e é necessário vigiar a sua eficácia continuamente.

O relatório recomenda também que: “as necessidades em termos de saúde sexual dos africanos negros e afro-caribianos que têm sexo com homens precisam de ser avaliadas para que os serviços que se dirigem a estes grupos possam ser melhorados,” e que “uma estratégia de prevenção das ISTs deve ser implementada para as comunidades de afro-caribianos.”

Referência
Sexually transmitted infections in black African and black Caribbean communities in the UK 2008, Health Protection Agency

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA