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Um relatório da ONU mostra que se deve expandir os programas de despistagem do VIH para mães e crianças
Keith Alcorn, Friday, December 19, 2008
As agências da ONU reportam, que o acesso aos testes para o VIH e aos medicamentos anti-retrovirais para prevenir a transmissão mãe-filho cresceu substancialmente nos últimos quatro anos nos países mais gravemente afectados pela epidemia do VIH, mas cerca de 40% das mulheres em países com elevada prevalência do VIH na África Austral não têm acesso ao teste para o VIH durante a gravidez.

A realização do teste de despistagem do VIH é essencial durante a gravidez para que as mulheres e os recém-nascidos possam beneficiar da profilaxia anti-retroviral, que previne a transmissão mãe-filho.

Em 2007, sessenta por cento das mulheres em países com elevada prevalência do VIH de África realizaram este teste durante a gravidez, comparado com 33% em 2004, mas na região mais vasta do Leste e do Sul da África estima-se que apenas 43% das mulheres com VIH recebam medicamentos anti-retrovirais para a prevenção da transmissão mãe-filho, comparado com 11% em 2003.

Na África do Sul a cobertura anti-retroviral foi de 57% (comparado com 15% em 2004) e em Moçambique 46% (comparado a 3% em 2004), no entanto, a cobertura é ainda muito baixa na Etiópia: apenas 10% das mulheres com VIH receberam profilaxia anti-retroviral em 2007, talvez devido ao nível muito baixo de acesso a cuidados pré-natais (apenas 28% das mulheres têm acesso) do país.

O acesso à profilaxia anti-retroviral é muito reduzido no Oeste e Centro da África, onde apenas 11% das mulheres infectadas pelo VIH receberam os medicamentos em 2007.

Em 60 países com baixos e médios rendimentos, apenas 26% das mulheres em tratamento com profilaxia anti-retroviral conseguem uma terapêutica com dois medicamentos, apesar da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que afirma que, sempre que for possível, as mulheres devem receber um tratamento curto de um ou dois medicamentos para além de uma dose única de nevirapina, porque as evidências mostram uma redução muito maior na transmissão mãe-filho quando são usados múltiplos medicamentos (apenas 8% recebem uma combinação de três medicamentos).

O estado do acesso à prevenção da transmissão mãe-filho e do tratamento pediátrico para o VIH está resumido no “Children and AIDS: Third stocktaking report” (Crianças e SIDA: Terceiro relatório de Avaliação da Situação), publicado pala UNICEF, ONUSIDA, OMS e UNFPA (em Português, FNUAP, Fundo das Nações Unidas para a População).

O relatório também inclui o progresso no acesso ao tratamento anti-retroviral para as crianças. A OMS e a ONUSIDA estimam que, em 2007, cerca de 2 milhões de crianças viviam com a infecção pelo VIH e 370 000 recém-nascidos foram infectados pelo VIH no mesmo ano.

Enquanto que o relatório mostra que há um progresso na disponibilização do tratamento anti-retroviral às crianças - de 75.000 crianças em tratamento em 2005 para 198.000 em 2007 – a cobertura fica ainda muito aquém das necessidades estimadas, devido sobretudo à falta de diagnóstico precoce.

O diagnóstico da infecção pelo VIH nos recém-nascidos é um desafio nos países em desenvolvimento, porque requer o uso de um teste para detectar o ADN-VIH até a idade de 18 meses, quando os anticorpos anti-VIH podem ser detectados de modo fidedigno. O teste para o ADN-VIH requer um teste laboratorial chamado PCR do ADN que apenas pode ser efectuado por profissionais de laboratório bem treinados no uso de equipamento especialisado.

Os países estão a tentar melhorar as taxas de diagnóstico da infecção VIH em recém-nascidos recolhendo amostras de sangue em papel de filtro e enviando-as para um laboratório central, onde o sangue é analisado usando um PCR do ADN. O número de países a utilizarem este método aumentou de 17 para 30, desde 2005, e o teste dos recém-nascidos está a tornar-se possível até em regiões remotas.

No entanto, o relatório nota que em muitos países os testes de rotina dos recém-nascidos de mães seropositivas para o VIH não são efectuados, devido à insuficiente ligação entre os serviços que proporcionam o acesso à prevenção da transmissão e os serviços de saúde pediátricos. Em vez disso, as crianças são diagnosticadas apenas quando chegam aos hospitais gravemente doentes.

Mas muitas doenças infantis provocadas pelo VIH poderiam ser prevenidas por duas intervenções cuja eficácia está provada: a profilaxia com o antibiótico de baixo custo cotrimaxazole ou, onde está disponível, a terapêutica anti-retroviral iniciada o mais tardar no terceiro mês de vida.

No entanto, o relatório sublinha que se estima que no mundo apenas 4% dos recém-nascidos de mães seropositivas para o VIH estejam em tratamento com cotrimoxazole, embora alguns países tenham conseguido tornar o medicamento acessível (uma cobertura de 83% no Botsuana e 63% na Ucrânia).

Na maioria dos países, os medicamentos anti-retrovirais estão a chegar apenas a uma pequena minoria de crianças (cerca de 5% na Etiópia, 10% na África do Sul e 8% na Tanzânia).

O relatório recomenda que é necessário um incremento dos diagnósticos precoces.

Realça, também, as necessidades dos adolescentes, incluindo os que já estão infectados pelo VIH, com uma chamada de atenção para focar com mais vigor na vulnerabilidade das raparigas para a infecção pelo VIH, um papel importante para o sector da educação em países com elevada prevalência de infecção pelo VIH e a necessidade de dar mais atenção ao modo como a circuncisão pode ser efectuada em rapazes adolescentes, quando esta é parte de um programa nacional de prevenção da infecção pelo VIH.

Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA