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A superinfecção é frequente em casais heterossexuais na Zâmbia
De acordo com um estudo feito na Zâmbia, apresentado na 48th Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy, em Washington DC., a superinfecção entre os casais heterossexuais na África subsaariana pode ser surpreendentemente frequente.
Investigadores do Zambia Emory HIV Research Project apresentaram provas de que 3 em 34 pessoas entre casais Zambianos heterossexuais foram superinfectados durante o decurso do estudo. Tal representa uma prevalência consideravelmente superior de super infecção e à encontrada em outros estudos.
A superinfecção, ou reinfecção, ocorre quando um indivíduo com infecção VIH é infectado com uma estirpe nova e distinta do VIH em adição à da infecção existente. Daí resulta um aumento da diversidade viral no mesmo indivíduo, o que pode tornar mais difícil de controlar a infecção pelo sistema imunitário, provocando aumentos na carga viral e possivelmente uma rápida progressão da doença.
Este estudo observou casais heterossexuais coabitantes na Zâmbia que estavam originalmente infectados com estirpes geneticamente distintas de VIH da clade C. Estes casais foram “retirados” do Zambia Emory HIV Research Project (ZEHRP), uma cohort de casais serodiscordantes. Embora os esforços para a prevenção tenham reduzido a transmissão entres casais na cohort da ZEHRP, os parceiros não infectados ainda se infectam a uma taxa anual de incidência de 8%. Aproximadamente 15% dessas novas infecções vêm de alguém que não é o parceiro que coabita com o participante.
Este sub-estudo da superinfecção observou 17 casais, nos quais ambos os parceiros estavam infectados com VIH, mas com vírus genotípicamente distintos. Três dos 34 indivíduos no estudo (cerca de 9%) foram confirmados como estando superinfectados. Num caso, o parceiro masculino, que já estava cronicamente infectado, ficou superinfectado por um parceiro “de fora”. Ele foi a fonte da infecção inicial da sua mulher; ela então ficou super infectada por um outro parceiro “de fora”. Num terceiro caso, o parceiro masculino ficou super infectado pela sua mulher, cronicamente infectada.
Os casos de superinfecção foram identificados por uma análise genotípica em duas fases. Primeiro, um novo exame (Heteroduplex Mobility Assay, ou HMA) onde se procuram variações na proteína gp41 do VIH. Em seguida foi feita uma análise filogenética do gene env do VIH. Estas análises confirmaram a emergência de infecções distintas e geneticamente não relacionadas em cada uma das três pessoas em momentos no tempo após a infecção original. As análises também demonstraram que as superinfecções resultaram em novas e recombinantes estirpes de VIH em todas as pessoas superinfectadas. Em dois casos a superinfecção foi acompanhada por um aumento em dez vezes do valor da carga viral.
Os investigadores concluíram que, neste estudo retrospectivo de uma pequena e específica população, “a superinfecção parece ser frequente,” observado em 3 de 34 indivíduos estudados.
Estas descobertas foram retiradas de um grupo particular de casais heterossexuais Zambianos. Não há razão para assumir que possam ser extrapolados para outras populações, uma vez que muitos factores podem variar. (Ex: o subtipo C do VIH observado em todos os casais desta cohort é apenas um de muitos subtipos virais que é tendencialmente muito localizado.) No entanto, estes resultados indicam que, em pelo menos algumas populações, a superinfecção pode ser muito mais comum do que se supunha.
Referência
Kraft CS et al. HIV-1 superinfection in cohabiting Zambian heterosexual couples. 48th Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy, poster abstract H-4049, Washington DC, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
Investigadores do Zambia Emory HIV Research Project apresentaram provas de que 3 em 34 pessoas entre casais Zambianos heterossexuais foram superinfectados durante o decurso do estudo. Tal representa uma prevalência consideravelmente superior de super infecção e à encontrada em outros estudos.
A superinfecção, ou reinfecção, ocorre quando um indivíduo com infecção VIH é infectado com uma estirpe nova e distinta do VIH em adição à da infecção existente. Daí resulta um aumento da diversidade viral no mesmo indivíduo, o que pode tornar mais difícil de controlar a infecção pelo sistema imunitário, provocando aumentos na carga viral e possivelmente uma rápida progressão da doença.
Este estudo observou casais heterossexuais coabitantes na Zâmbia que estavam originalmente infectados com estirpes geneticamente distintas de VIH da clade C. Estes casais foram “retirados” do Zambia Emory HIV Research Project (ZEHRP), uma cohort de casais serodiscordantes. Embora os esforços para a prevenção tenham reduzido a transmissão entres casais na cohort da ZEHRP, os parceiros não infectados ainda se infectam a uma taxa anual de incidência de 8%. Aproximadamente 15% dessas novas infecções vêm de alguém que não é o parceiro que coabita com o participante.
Este sub-estudo da superinfecção observou 17 casais, nos quais ambos os parceiros estavam infectados com VIH, mas com vírus genotípicamente distintos. Três dos 34 indivíduos no estudo (cerca de 9%) foram confirmados como estando superinfectados. Num caso, o parceiro masculino, que já estava cronicamente infectado, ficou superinfectado por um parceiro “de fora”. Ele foi a fonte da infecção inicial da sua mulher; ela então ficou super infectada por um outro parceiro “de fora”. Num terceiro caso, o parceiro masculino ficou super infectado pela sua mulher, cronicamente infectada.
Os casos de superinfecção foram identificados por uma análise genotípica em duas fases. Primeiro, um novo exame (Heteroduplex Mobility Assay, ou HMA) onde se procuram variações na proteína gp41 do VIH. Em seguida foi feita uma análise filogenética do gene env do VIH. Estas análises confirmaram a emergência de infecções distintas e geneticamente não relacionadas em cada uma das três pessoas em momentos no tempo após a infecção original. As análises também demonstraram que as superinfecções resultaram em novas e recombinantes estirpes de VIH em todas as pessoas superinfectadas. Em dois casos a superinfecção foi acompanhada por um aumento em dez vezes do valor da carga viral.
Os investigadores concluíram que, neste estudo retrospectivo de uma pequena e específica população, “a superinfecção parece ser frequente,” observado em 3 de 34 indivíduos estudados.
Estas descobertas foram retiradas de um grupo particular de casais heterossexuais Zambianos. Não há razão para assumir que possam ser extrapolados para outras populações, uma vez que muitos factores podem variar. (Ex: o subtipo C do VIH observado em todos os casais desta cohort é apenas um de muitos subtipos virais que é tendencialmente muito localizado.) No entanto, estes resultados indicam que, em pelo menos algumas populações, a superinfecção pode ser muito mais comum do que se supunha.
Referência
Kraft CS et al. HIV-1 superinfection in cohabiting Zambian heterosexual couples. 48th Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy, poster abstract H-4049, Washington DC, 2008.
Tradução
GAT - Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
