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Os níveis de ribavarina após quatro semanas de terapêutica são um bom indicador de resposta ao tratamentoda hepatite C nos doentes co-infectados
Michael Carter, Tuesday, July 15, 2008
Segundo um estudo espanhol apresentado no 4º Workshop sobre Co-infecção VIH-VHC, em Madrid, no passado mês de Junho, os níveis séricos de ribavirina após quatro semanas de tratamento podem predizer que doentes co-infectados, a receber “tratamento de resgate” para a hepatite C irão, com probabilidade, apresentar uma boa resposta a esse tratamento.

Num estudo diferente, apresentado pela mesma equipa em Madrid, os investigadores descobriram, porém, que o aumento da dose diária de ribavirina para 2000 mg não aumentou a probabilidade de os doentes alcançarem uma resposta mantida à terapêutica.

Um número significativo de pessoas co-infectadas haviam recebido terapêutica da hepatite C com o que agora seria considerado um tratamento “sub-ótimo”, que consistia em interferão standard (em vez da forma peguilada da substância) e/ou uma dose baixa de ribavirina (600 mg diários, em vez dos actualmente recomendados 1000 mg ou 1200 mg, dependendo do peso).

Os investigadores pretenderam analisar se seria possível voltar a tratar estes indivíduos com as doses actualmente recomendadas, tendo apresentado os dados de um estudo piloto envolvendo 61 pessoas, 50 das quais completaram o tratamento.

Os doentes apresentavam uma idade média de 50 anos, 82% eram homens e 78% estavam infectados com os genótipos 1 e 4 do vírus (VHC), os mais difíceis de tratar.
Além disso, 90% dos participantes estava a fazer tratamento anti-retroviral (ARV), com bons resultados. A contagem de CD4s média era de 680 células/mm3 e 90% apresentava uma carga viral (do VIH) indetectável.

A terapêutica da hepatite C produziu uma resposta virológica mantida em 32% dos doentes – uma taxa de resposta comparável à observada em doentes cronicamente co-infectados a receber tratamento anti-hepatite C pela primeira vez.

Muitos dos factores associados a uma maior probabilidade de sucesso terapêutico têm sido bem estabelecidos em estudos anteriores, e incluem infecção pelos genótipos 2 e 3 do vírus VHC (p=0,002) e uma carga viral do VHC de base inferior a 500 000 cópias UI/ml (p=0,02).

Mas os investigadores descobriram que os doentes que demonstravam uma boa resposta à terapêutica apresentavam concentrações plasmáticas significativamente mais elevadas de ribavirina, quatro semanas após o início do tratamento (2.57 ug/ml vs. 1.92 ug/ml, p = 0.02), e, em análises multi-factoriais, concentrações mais elevadas de ribavirina nessa altura constituíam um factor preditivo independente de um tratamento anti-hepatite C bem sucedido (p = 0.01).

Os autores optaram por monitorizar os níveis de ribavirina às 4 semanas, para garantir que os níveis da substância tinham atingido um “nível mantido”. Mas alguns delegados presentes na conferência expressaram alguma preocupação, por recearem que a monitorização nessa altura poderia ser tardia de mais, uma vez que é já possível dizer que doentes tiveram uma rápida resposta à terapêutica e responderão com sucesso ao tratamento.

Assim, foi sugerido que os níveis de ribavirina poderiam ser monitorizados logo 24 h depois de iniciado o tratamento com a substância. A avaliação dos níveis do fármaco nesta altura daria às doses mais elevadas de ribavirina a oportunidade de influenciar os resultados.

Os resultados do estudo espanhol envolvendo doentes previamente tratados foram reforçados pelos de um estudo francês, apresentado num poster do encontro. Este estudo envolveu 68 pessoas com co-infecção, iniciando tratamento anti-hepatite C pela primeira vez. Os níveis de ribavirina à quarta semana estavam significativamente associados a uma subsequente resposta virológica mantida à terapêutica.

Mas existe, de facto, alguma vantagem em aumentar as doses de ribavirina? Os resultados do mesmo grupo de investigadores sugerem que não.
Eles desenharam um estudo envolvendo 147 pessoas com co-infecção VIH/VHC, randomizados em dois braços. O primeiro braço recebeu tratamento standard para a hepatite C, com interferão-peguilado associado a uma dose de ribavirina calculada em função do peso (1 000 mg/dia para as pessoas com < 75kg e 1 200 mg/dia para > 75kg).

O outro braço do estudo também recebeu interferão-peguilado mas, durante 4 semanas, foi medicado com 2 000 mg de ribavirina/dia. Dado que a anemia pode ser um efeito adverso da ribavirina, os doentes receberam também eritropoietina (EPO) semanal, um medicamento que faz aumentar o número de glóbulos vermelhos.

Quatro semanas depois de iniciado o estudo, os investigadores concluíram que os níveis de ribavirina eram iguais nos dois braços do estudo. Além disso, a taxa de resposta virológica rápida – um indicador fiável de uma subsequente resposta virológica mantida – era também idêntica nos dois braços do estudo (23%).

Os factores associados aos resultados finais haviam sido estabelecidos em estudos anteriores: genótipo do vírus, carga viral do VHC e grau de fibrose.

Mas, doses mais elevadas de ribavirina (apoiadas pela EPO) demonstraram ser, aparentemente, seguras: com efeito, as taxas de anemia e de anemia grave foram comparáveis nos dois braços do estudo, tendo sido também semelhante o número de doentes nos dois braços a ajustar a sua dose de ribavirina devido aos efeitos adversos.

Referência

Labarga P. et al. Ribavirin plasma levels are predictive of HCV clearance after rescue therapy with peg-interferon-a2a plus weight-adjusted ribavirin in HIV/HCV co-infected patients. Fourth International Workshop on HIV and Hepatitis Coinfection, Madrid, abstract 13, 2008.

Dominguez S. et al. Early therapeutic drug monitoring of ribavirin is predictive of tolerability and sustained virological response in HIV-HCV coinfected patients. Fourth International Workshop on HIV and Hepatitis Coinfection, Madrid, abstract 41, 2008.

Labarga P. et al. Early virological efficacy and haematological safety of pegIFN alpha-2a plus high doses of ribavirin in HIV/HCV-coinfected patients (PERICO Study). Fourth International Workshop on HIV and Hepatitis Coinfection, Madrid, abstract 15, 2008.