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Análise dos dados de uma coorte alargada nos E.U.A. demonstra que a terapêutica anti-retroviral não aumenta o risco de doença do coração
Michael Carter, Tuesday, March 18, 2008
A terapêutica anti-retroviral tem um “risco para a saúde pública negligenciável” em relação aos acidentes cardiovasculares, segundo um estudo realizado nos E.U.A. e publicado em Março, na 1ª edição do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndrome. Os investigadores descobriram que a terapêutica anti-retroviral reduz o risco de mortalidade para todas as causas, sem aumentar o risco de hospitalizações devido a enfartes do miocárdio ou cirurgias bypass.

Investigadores do Departament of Veterans Affairs (Departamento de Assuntos dos Veteranos) dos E.U.A já tinham publicado resultados obtidos a partir de 38.000 doentes seropositivos que provavam que a terapêutica anti-retroviral não aumenta o risco de doença cardiovascular ou AVC. Mas desde que estes dados foram publicados, outros estudos sugeriram uma relação entre o tratamento com medicamentos anti-retrovirais, em particular os inibidores da protease, e um risco aumentado de doença cardíaca.

Os investigadores repetiram os estudos, aumentando o período de análise em 2,5 anos. A análise retrospectiva incluiu mais de 41.000 doentes seropositivos que receberam tratamento anti-retroviral e foram seguidos entre 1993 e 2003. Como na análise anterior, os resultados do estudo tinham em conta a morte por todas as causas, a hospitalização devido a enfarte de miocárdio, cirurgia de bypass coronário, a admissão no hospital ou a morte devido a doença cardiovascular grave ou AVC.

A maioria dos doentes eram homens (98%), 44% eram brancos. Apenas cerca de um quarto tinha recebido tratamento para doença cardiovascular, diabetes, dislipidémia ou tabagismo antes do diagnóstico para o VIH e 6% com tratamento prévio para doença vascular.

Os doentes foram seguidos em média durante quatro anos e registaram-se 17.558 mortes, 1735 admissões no hospital por enfarte de miocárdio ou cirurgia bypass e 19.898 ocorrências de morte ou admissões para acidentes cardiovasculares graves ou AVC.

A morte por qualquer causa desceu de 21 mortes por 100 doentes por ano em 1995, para 5 mortes por 100 pessoas por ano em 2003. A admissão de doentes devida a enfarte ou cirurgia bypass não mudou ao longo dos dez anos de análise. Além disso, a morte ou a admissão no hospital motivada por acidente cardiovascular grave ou AVC desceu logo após a introdução da terapêutica anti-retroviral e continuou a descer desde então.

Os factores associados à admissão no hospital por acidentes cardiovasculares graves foram a idade avançada e a doença vascular pré-existente.

Em comparação com o não tratamento, o uso da terapêutica anti-retroviral reduziu o risco de morte para 0,18 após 72 meses (95% CI:0,15 – 0,23), mas o risco de admissão no hospital devido a doença grave cardiovascular permaneceu inalterado após 12, 24, 48 e 72 meses de tratamento anti-retroviral.

“Os nossos resultados continuam a ser consistentes com um risco negligenciável para a saúde pública devido a complicações cardiovasculares da terapêutica anti-retroviral ”, concluem os investigadores e acrescentam que os resultados “são de novo consistentes com um benefício de sobrevivência devido à terapêutica anti-retroviral. Isto sublinha a importância do acesso à terapêutica anti-retroviral administrada correctamente e do tratamento dos factores de risco para a co-morbilidade e a mortalidade.”

Referências
Bozzette SA et al. Long-term survival and serious cardiovascular events in HIV-infected patients treated with highly active antiretroviral therapy. J Acquir Immune Defic Syndr 47: 338-341, 2008

Tradução pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT)