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Sexo não protegido
Diz-se sexo não protegido a qualquer forma de contacto sexual anal, oral ou vaginal que não envolva o uso de preservativo masculino ou feminino ou uma barreira semelhante. Muitas doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) são transmitidas por sexo não protegido. O sexo não protegido com penetração (inserção do pénis no corpo de outra pessoa) anal e vaginal tem o maior risco de DST’s contudo as infecções podem ser transmitidas também por sexo oral (boca com genitais) e sexo oral-anal (boca com ânus). Para o sexo oral algumas pessoas usam preservativos com sabores. Para o sexo anal é muito importante que os preservativos sejam usados com bastante lubrificante aquoso, dado que não devem ser nunca usados lubrificantes oleosos porque enfraquecem a borracha dos preservativos. Os espermicidas com nonoxynol-9 devem ser evitados porque causam irritação fazendo com que seja mais fácil que se dê o contágio do VIH ou outras DST’s.
Sexo não protegido com pessoas VIH negativas ou não testadas
Se você é VIH positivo se usar preservativos durante o sexo com pessoas que sabem ser VIH negativas ou que não estejam seguras do seu estado VIH permite proteger o seu parceiro contra o VIH e a ambos contra outras DST’s.
Mesmo que esteja a tomar antiretrovirais e tenha cargas virais indetectáveis no seu sangue pode ter vírus no seu sémen ou nos fluídos vaginais que transmitam o VIH. Deve também saber que nalguns países e em certos estados dos EUA é legalmente obrigatório revelar o seu estado VIH ao seu parceiro sexual.
Sexo com outras pessoas VIH positivas
Se você é VIH positivo e tiver sexo com outra pessoa que seja também VIH positiva muitos especialistas em saúde e médicos sexólogos recomendam que continue a usar preservativos por dois motivos.
- Há um risco de gravidez como consequência de sexo vaginal não protegido entre um homem e uma mulher. Há um risco de transmissão para o bebé quando uma homem VIH positivo tem sexo não protegido com uma mulher VIH negativa que está grávida ou que amamenta. Ver Folheto 31 “Transmissão Materno-Fetal” e 54 “Gravidez e Contracepção”.
- Há uma evidência crescente de que é possível ser super-infectado com novas estirpes ou tipos de VIH, que podem ser mais agressivos ou resistentes aos medicamentos. Isto pode levar à falência dos tratamentos que poderiam ser eficazes. Isto aplica-se a homens e a mulheres.
- O sexo não protegido coloca-o no risco de contrair outras doenças sexualmente transmissíveis. Isto aplica-se a homens e a mulheres.
Doenças sexualmente transmissíveis (Ver Folheto 25-Herpes, 57-Clamydia, 58-Gonorrhoea, 59-Sifilis, 60-Úlceras Genitais, 37-Hepatitis B, 38-Hepatitis C).
As DST’s de origem bacteriana tal como a gonorreia e a clamídia podem ser tratadas facilmente e com sucesso tanto na maior parte das pessoas com VIH como nas que são VIH negativas desde que sejam diagnosticadas e tratadas. A falha no tratamento precoce pode levar à infertilidade e nalguns casos à lesão de órgãos internos. A sífilis, particularmente em pessoas com alterações graves do sistema imune, pode tornar o diagnóstico e a cura mais difíceis e pode ser mais agressiva quando o sistema inume está danificado. Tem havido recrudescimento de sífilis, em geral, entre homossexuais masculinos na Europa ocidental e na América do Norte nos anos passados e os jovens homossexuais masculinos com VIH têm sido desproporcionadamente afectados. Na Europa ocidental e na maior parte do mundo a sífilis afecta predominantemente os heterossexuais e está também associado ao aumento do risco de infecção pelo VIH, tal como com outras doenças ulcerosas tratáveis como o cancro mole e o linfogranuloma venéreo.
Há também DST’s de origem viral. O herpes genital e as verrugas (condilomas) genitais não são curáveis mesmo nas pessoas que são VIH negativas. Se bem que ambas as infecções respondam ao tratamento elas podem recidivar e serem de controle difícil se houver uma alteração grave do sistema imune. O herpes genital está associado a um aumento do risco de transmissão do VIH especialmente se houver úlceras. Algumas das espécies de vírus que causam as verrugas genitais estão associadas ao desenvolvimento de cancro genital e anal.
Os vírus da hepatite A e B e (menos facilmente) o C podem também transmitir-se sexualmente e ter consequências mais complicadas em pessoas com VIH. A hepatite pode causar alterações no fígado que limitam as opções com o tratamento para o VIH e que o fazem não se sentir bem nestes aspectos. Há vacinas para a hepatite A e B (mas não para a C) que devem ser disponibilizadas para si no seu local de tratamento. Os homossexuais masculinos devem ser particularmente incentivados a ser vacinados contra a hepatite A e B. Após ter sido vacinado é importante que saiba regularmente se ficou com imunidade contra a hepatite A e B dado que as vacinas não dão uma protecção permanente.
Algumas das infecções oportunistas que afectam as pessoas com VIH podem ser transmitidas por via sexual. O sarcoma de Kaposi é capaz de ser transmitido sexualmente sob a forma de um vírus herpes. Tanto as pessoas VIH positivas como as negativas podem ser afectadas por infecções intestinais pela Giardia, por amibas (pequenos parasitas que vivem no intestino e que causam diarreia), pelo criptosporidium e microsporidium que podem transmitir-se por contacto oral-anal ou qualquer outra actividade sexual que levem material fecal contaminado em contacto com a boca. Estas infecções podem causar diarreia grave particularmente em pessoas com diminuição acentuada do sistema imune.
Uma DST activa e não tratada aumenta a quantidade de VIH nas secreções vaginais tornando mais fácil a passagem do VIH se houver sexo não protegido.
É recomendável que todas as pessoas sexualmente activas façam um controle de saúde periódico. Muitos centros de tratamento para o VIH têm apoio psicológico e fazem testes que são confidenciais.
