segunda-feira, 30 de outubro de 2017

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Espanha faz progressos na eliminação do VHC nas pessoas que vivem com VIH

Juan Berenguer e Juan González do GeSIDA na EACS 2017. Crédito da imagem: @GeSIDA

O uso generalizado do tratamento para o vírus da hepatite C com antivirais de ação direta (AAD) alcançou uma redução de quase 50% na prevalência desta infeção entre as pessoas que vivem com VIH em Espanha, de acordo com os dados apresentados na 16ª Conferência Europeia sobre SIDA, em Milão, Itália.  

A investigação envolveu 43 centros de tratamento de VIH em Espanha. A proporção de pessoas com VHC crónico desceu de 22% no final de 2015, para 11,6% no final de 2016. Se se tiver em consideração as pessoas atualmente sob tratamento, a percentagem poderá corresponder a menos de 9%.

Desde o início de 2016 que a terapêutica com AAD é disponibilizada a todas as pessoas que vivem com VHC com fibrose F2 e acima, e também a pessoas em risco de transmitir a infeção, independentemente do estadio da fibrose.

A proporção de pessoas coinfetadas pelo VIH e VHC em Espanha tem diminuído desde 2002. Parte desta descida pode ser explicada através da descida do número de pessoas que se infetaram pelo VIH através do uso de drogas injetadas: de 55% em 2002 para 30% em 2016.

Contudo, é claro que o tratamento para a hepatite C é também um fator muito importante. A proporção de pessoas que recebeu tratamento aumentou de 23% em 2002, para 59% em 20015 e para 74% em 2016. 

Os resultados desta análise indicam que o uso de AAD está a ajudar a Espanha a alcançar excelentes resultados face à eliminação do VHC entre as pessoas que vivem com VIH.

A cascata de tratamento para a hepatite C na Europa

Sarah Amele oradora da EACS 2017. Crédito da imagem: @ProfJLundgren

Um estudo conduzido pela EuroSIDA que envolveu pessoas coinfetadas pelo VIH e hepatite C (VHC) na Europa ocidental, Sul e leste demonstrou que há perda de doentes em cada uma das fases de seguimento da cascata de tratamento para o VHC. As conclusões foram apresentadas durante a conferência.

A investigação envolveu aproximadamente 7 000 pessoas que tiveram um resultado positivo ao teste de anticorpos para o VHC antes de janeiro de 2015. Um quinto destas pessoas nunca tinham tido um teste confirmatório de RNA do VHC – o primeiro passo para determinar a presença ativa da infeção pelo VHC.

Apenas 46% das pessoas da Europa de leste tinham um teste de RNA em comparação com 94% das pessoas da Europa ocidental. As pessoas pertencentes a comunidades migrantes tinham menor probabilidade de fazer o teste, mas as pessoas que usam drogas por via injetada tinham maior probabilidade de o fazer em comparação com a população geral.

Um total de 5 027 pessoas tinha resultado positivo no teste de RNA e 57% da amostra do estudo tinha RNA positivo a partir de janeiro de 2015.  

Apenas 45% destas fizeram o teste de genotipagem. Menos de metade de todas as pessoas com VHC crónico submeteram-se a tratamento e apenas 9% recebeu a terapêutica AAD sem interferão.

No geral, um numero substancial de pessoas estava a ser perdido em cada uma das fases do tratamento continuo para a hepatite C.

Taxa elevada de reinfeção pelo VHC entre homens gay e bissexuais

Cerca de um em sete homens gay e bissexuais curados do vírus da hepatite C (VCH) num grande centro tratamento na Alemanha foi reinfetado desde 2014, segundo uma apresentação na conferência.

Todas as reinfeções ocorreram no período dos 18 meses após o término da terapêutica.

O risco de reinfeção foi mais elevado nos homens que partilharam material de injeção de drogas durante as praticas sexuais – chemsex.

Contudo, o uso de drogas injetadas explicou cerca de um quarto do numero de casos de reinfeção. Não há certeza sobre o papel exato do uso de drogas injetadas e relações sexuais desprotegidas, tais como o fisting, na epidemia do VHC entre os homens gay.

A investigação aponta que a transmissão do vírus da hepatite C pode acontecer durante a atividade sexual entre homens quando esta envolve o contacto com sémen, muco retal ou sangue.

Uma investigação anterior demonstrou que entre 7 a 10% dos homens gay curados para o vírus da hepatite C são rapidamente reinfectados.

Tratamento experimental para o VIH extremamente resistente bem-sucedido na fase de ensaio

Apresentação do fostemsavir por Max Lataillade na EACS 2017. Crédito da imagem: @chloe_orkin

Metade dos doentes com resistência extensiva à terapêutica antirretroviral alcançou supressão viral quando tratados com fostemsavir, um inibidor de ligação experimental, em combinação com outros medicamentos antirretrovirais selecionados após a realização do teste de resistências.

O estudo – desenhado para levar à eventual aprovação do fármaco – recrutou pessoas com muito poucas opções terapêuticas.

Os participantes foram randomizados para tomar fostemsavir ou placebo, administrado com o anterior regime terapêutico sem êxito durante sete dias. Seguidamente todos os participantes mudaram para o fostemsavir com uma combinação de medicamentos selecionados após fazerem o teste de resistências. Um outro grupo de pessoas, sem opção de tratamento, recebeu fostemsavir com terapêutica otimizada.

O principal objetivo do estudo foi o de medir alterações na carga viral durante a primeira semana de tratamento. No dia 8, as pessoas sob fostemsavir tinham descidas mais elevadas da carga viral em comparação com as pessoas sob placebo.

Após seis meses de tratamento com fostemsavir/regime otimizado, 54% das pessoas tinha carga viral indetetável e outros 32% tinha carga viral acima das 40 cópias/ml mas ainda continuavam a tomar o medicamento.

Os efeitos secundários mais comuns foram dor de cabeça, vómitos, diarreia e fraqueza, e 66% das pessoas interrompeu a terapêutica devido a efeitos adversos.

O medicamento é esperado ser aprovado pelos Estados Unidos da América no início de 2018.

A combinação do comprimido Symtuza® é segura e eficaz nas pessoas que iniciam o tratamento antirretroviral

Chloe Orkin oradora da EACS 2017. Crédito da imagem: Francesc Martínez, gTt-VIH.org

O regime de comprimido único com darunavir, cobicistat, tenofovir alafenamide e emtricitabina (Symtuza®) é tão segura e eficaz como a terapêutica de um único comprimido para as pessoas que iniciam o tratamento pela primeira vez, segundo uma apresentação na conferência.

O Symtuza® já foi aprovado para tratar pessoas que vivem com VIH.

O estudo mais recente comparou o Symtuza® um regime de comprimido único composto por darunavir, cobicistat, emtricitabina e a formulação anterior do tenofovir (tenofovir disoproxil). Todos os participantes estavam a iniciar o tratamento antirretroviral pela primeira vez.

As pessoas eram igualmente randomizadas para receber symtuza ou a terapêutica de controlo.

Após 48 semanas, 91% das pessoas sob Symtuza® tinha carga viral indetetável comparadas com 88% das pessoas sob o tratamento de comparação.

Os efeitos secundários mais comuns foram diarreia, rash e náuseas. As pessoas sob Symtuza® tinham menor probabilidade de interromper a terapêutica do que as pessoas sob outro regime terapêutico (2 vs 4%), apesar de a taxa dos efeitos secundários ser semelhante entre os dois braços (5 vs 6%).

O Symtuza® apresentou vantagens em termos da função renal e densidade óssea, contudo, a terapêutica foi associada a níveis de colesterol ligeiramente mais elevados que o braço do tratamento de controlo.

Estudo sobre qualidade de vida indica que muitas pessoas que vivem com VIH continuam pessimistas acerca das suas perspetivas

Imagem do site HIV is: Expectations from Life': http://campaigns.visit-gbu.eu/expectations-from-life

Um estudo europeu revelou que muitas pessoas que vivem com VIH ainda esperam morrer prematuramente e também temem o estigma relacionado com a infeção pelo VIH.

O estudo foi financiado pela companhia farmacêutica Gilead Sciences e conduzido no final de 2016.

Um total de 522 pessoas que vivem com VIH foram recrutadas e comparadas a 2 723 pessoas seronegativas para o VIH da população geral.

A esperança média de vida das pessoas que vivem com VIH é agora excelente. Contudo, é claro que muitas pessoas que vivem com VIH continuam pessimistas quanto ao seu prognóstico. Um terço das pessoas que vive com VIH, comparado com 10% do grupo controlo, afirmou que esperava morrer mais cedo que os seus amigos, pares ou irmãos.

As pessoas que vivem com VIH também eram menos propensas, em comparação com as pessoas da população geral, a avaliar a saúde como excelente ou boa (44 vs 69%).

As pessoas com VIH eram mais propensas, em comparação com o grupo de controlo, a priorizar o amor e uma vida sexual saudável em relação à estabilidade financeira.

Mais de metade das pessoas com VIH pensava que o vírus era uma potencial barreira para encontrar um parceiro, sendo um dos motivos para tal a divulgação do estatuto serológico positivo. Pouco menos de metade (47%) de todas as pessoas com VIH e 38% daqueles com carga viral indetetável tinham medo de transmitir a infeção pelo VIH.  

Novo site: PrEP na Europa

Um novo site, PrEP na Europa, foi oficialmente lançado na EACS 2017.

O site é gerido pelo PrEP in Europe Initiative, uma parceria entre seis organizações na área da prevenção do VIH e advocacia que trabalham na Europa, incluindo a NAM aidsmap. O site PrEP na Europa fornece informação sobre a eficácia e disponibilidade da profilaxia-pré exposição(PrEP), notícias e conselhos em como fortalecer a advocacia em torno da PrEP na Europa.

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Tradução disponibilizada por:

GAT – Grupo de Ativistas em Tratamentos

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