Segundo a ONUSIDA, o mundo enfrenta várias epidemias de VIH em evolução

Roger Pebody
Published: 04 December 2009

De acordo com um relatório conjunto da OMS e da ONUSIDA, há múltiplas epidemias do VIH em evolução.

O relatório mais recente AIDS Global Epidemic da responsabilidade do Projecto da Nações Unidas sobre VIH/SIDA (ONUSIDA) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que a África subsaariana continua a ser a região mais afectada pelo VIH. A juntar a estes dados, o número de novas infecções na Europa de Leste e na Ásia Central aumentaram intensamente desde 2001, e a incidência do VIH entre os homossexuais permanece elevada nos países ocidentais.

Em 2008, os países da África subsaariana contabilizavam 67% de infecções pelo VIH a nível global e 72% de mortes associadas à SIDA. Contudo, o número de novas infecções é cerca de 25% inferior ao de 1995.

O relatório aponta que os resultados positivos se devem ao aumento no acesso ao tratamento, mas refere também as disparidades existentes - a cobertura anti-retroviral é estimada em 48% no Sul e no Leste de África, mas na África Ocidental e Central é de 30% (e é muito inferior nas crianças, em comparação com os adultos).

Em termos de programas de prevenção em África, o relatório aponta uma falha comum nos esforços em direccionar os programas para grupos chave, como casais heterossexuais idosos, casais serodiscordantes e pessoas que vivem com VIH.

O relatório refere também uma evolução da epidemia na Ásia, estando esta a aumentar de forma consistente entre a população considerada de baixo risco, através da transmissão por via sexual pelos parceiros que se encontram em situação de maior vulnerabilidade (utilizadores de droga, trabalhadores sexuais e respectivos clientes e homens que têm sexo com homens). O Bangladesh é conhecido por se situar numa fase transitória de um baixo nível epidemiológico para uma epidemia concentrada entre os utilizadores de droga.

A Europa de Leste e a Ásia Central são a única região onde se pensa que a prevalência do VIH continua em crescimento (uma subida de 66% desde 2001). A Ucrânia e a Federação Russa enfrentam uma situação especialmente grave e um crescimento da epidemia a nível nacional.

Enquanto que os utilizadores de droga permanecem a primeira via de transmissão nesta região, em muitos países estes praticam sexo comercial, transmitindo a infecção a outros parceiros. O acesso à terapêutica anti-retroviral tende a ser baixo, em particular, neste grupo.

Nas Caraíbas, a região com a prevalência mais elevada a seguir ao continente africano, o número de novas infecções parece já não estar a diminuir, tendo estabilizado. A situação está, também, relativamente estável na América Latina, contudo, o relatório aponta que nesta região, embora a epidemia esteja concentrada entre os homens que têm sexo com homens, utilizadores de droga e trabalhadores de sexo, apenas uma pequena percentagem do financiamento é gasto em programas de prevenção para o VIH especificamente direccionado para estes grupos.

Na América do Norte, Europa Ocidental e Central, apesar da incidência do VIH ter estabilizado, ou ter aumentado ligeiramente nestes países nos últimos anos, os padrões da epidemia evoluíram consideravelmente. Em particular, os dados indicam que o número de novas infecções entre os homens que têm sexo com homens aumentou na última década, enquanto que as taxas de novas infecções entre utilizadores de droga diminuíram. As minorias étnicas são fortemente afectadas pela epidemia em comparação com a população em geral.

Os benefícios da terapêutica anti-retroviral têm marcado os países desenvolvidos, com uma estimativa de ganho de 7,2 milhões anos de vida desde 1996.

O relatório aponta fraquezas nos sistemas de vigilância em muitos países e refere que este problema é especialmente grave no Médio Oriente e no Norte de África. A falta de dados epidemiológicos e comportamentais actualizados e fiáveis dificulta a compreensão das dinâmicas relacionadas com o VIH e as tendências na região.