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Quinta-feira, 12 de Fevereiro 2009
Factores de risco em doentes controlados que podem estar associados a um risco aumentado de morte
Desde 1999, que o estudo D:A:D tem vindo a reunir informações sobre a segurança dos tratamentos para o VIH bem como sobre as doenças e as mortes ocorridas entre os participantes do estudo. Mais de 33 000 doentes foram observados e contribuíram para uma análise equivalente a quase 160 000 pessoas/ano.
Foram registadas quase 2 200 mortes desde o início do estudo. Os investigadores constataram que a taxa anual de mortes desceu de 1,6% (valor inicial) para 1%.
As doenças relacionadas com o VIH continuaram a constituir a causa de morte mais comum (32%), seguida de doença hepática (14%), cancros não relacionados com o VIH (12%) e doença cardiovascular (11%).
Alguns factores que não podem ser alterados, como a idade e o sexo, foram associados a um aumento do risco de morte.
Mas os investigadores concluíram que alguns factores passíveis de ser alterados também aumentaram a probabilidade de morte dos participantes do estudo. Factores como a perda de peso, fumar, ter diabetes, tensão arterial elevada ou ser co-infectado pelo VHC.
A contagem baixa de células CD4 e a carga viral elevada foram igualmente identificadas como factores de risco.
Co-infecção VIH/VHC
O tratamento prolongado pode trazer benefícios
O estudo envolveu mais de 300 doentes co-infectados com VIH/VHC, que foram tratados com interferão peguilado e doses de ribavirina adaptadas ao peso.
A resposta ao tratamento foi avaliada 12 semanas após o seu início. Os doentes que obtiveram RVP (descida igual ou inferior a 2 log na carga viral do VHC ou que atingiram uma carga viral indetectável) continuaram a fazer o tratamento durante 72 semanas. Este período é maior do que as 48 semanas geralmente prescritas às pessoas co-infectadas pelo VIH e VHC.
A RVP foi obtida por 56% dos doentes e destes, 51% conseguiram atingir uma resposta virológica sustentada (RVS) – isto é, carga viral indetectável do VHC, seis meses após o término da terapêutica.
As pessoas com os genótipos do VHC mais fáceis de tratar (2 e 3), bem como aquelas com carga viral indetectável após 12 semanas de tratamento, tiveram maior probabilidade de eliminar a infecção.
No entanto, muitas doentes tiveram dificuldade em lidar com os efeitos secundários do tratamento. Cerca de um terço (35%) interrompeu a terapêutica antes das 72 semanas, principalmente, devido à fadiga e à má qualidade de vida.
Mais internamentos e baixas
Muitos estudos, incluindo o D:A:D (já referido anteriormente) demonstraram que as lesões hepáticas provocadas pelos vírus das hepatites B ou C são das principais causas de doença e morte nas pessoas seropositivas para o VIH.
A investigação incluiu mais de 3 000 doentes que vivem com VIH e destes, 359 (12%) eram co-infectados VIH/VHC.
Independentemente da contagem de células CD4, os doentes co-infectados passam mais tempo hospitalizados do que os doentes mono-infectados.
Além disso, os investigadores também concluíram que os doentes co-infectados, qualquer que fosse o nível da contagem de células CD4, procuravam os serviços de urgência com maior frequência e precisavam de mais dias de baixa (quer ficassem acamados ou apenas sem poder cumprir com as suas obrigações diárias e/ou laborais).
Os investigadores concluíram que os doentes co-infectados “têm taxas significativamente mais elevadas de utilização dos serviços de saúde e de dias de baixa, acrescentando um custo substancial ao sistema de cuidados de saúde dos doentes infectados pelo VIH”.
Tratamento para o VIH e Tuberculose (TB) – Corticosteróides/corticóides melhoram resultados em doentes que estão a desenvolver IRIS
Fazer ao mesmo tempo o tratamento para o VIH e para a Tuberculose pode causar o desenvolvimento da Síndroma de Reconstituição Inflamatória Imune, conhecida por IRIS. Inclui sintomas desagradáveis e pode, em alguns casos, ser perigosa.
Um total de 110 doentes com IRIS foi incluído no estudo, conduzido na Cidade do Cabo, África do Sul. Os doentes foram randomizados para tomarem prednisona ou placebo.
Os que receberam prednisona permaneceram hospitalizados durante menos tempo e também necessitaram de menos intervenções médicas devido à IRIS. Melhoras significativas nos sintomas de IRIS foram igualmente observadas nestes doentes.
O tratamento com corticosteróides não foi associado a um risco aumentado de efeitos secundários ou à recrudescência de infecções anteriores.
Durante o CROI, os investigadores afirmaram, “Recomendamos o uso de prednisona para tratar os doentes com IRIS – TB”.
Terapêutica anti-retroviral administrada a mães com baixas contagens de células CD4 diminui o risco de transmissão durante a fase de amamentação
O estudo envolveu mais de 2 300 crianças que eram seronegativas para o VIH, 14 semanas após o nascimento. Foram acompanhadas até atingirem os 24 meses de idade.
Um total de 130 crianças (6%) foi infectado pelo VIH durante este período. A taxa de transmissão mãe-filho foi mais elevada (11 em 100 pessoas/ano) nos bebés cujas mães apresentavam uma contagem de células CD4 inferior a 250 células/mm3 mas que não estavam a fazer o tratamento. No entanto, esta taxa era de apenas 2 em 100 pessoas/ano se a mãe com uma contagem de células CD4 inferior a 250 células/mm3 estivesse em tratamento. Isto representou uma diminuição do risco de infecção em 82%.
Teste e aconselhamento para o VIH - estudo constata benefícios de uma abordagem domiciliária
O primeiro estudo revelou que os familiares das pessoas que recebem a terapêutica anti-retroviral (TAR) em casa, tinham maior probabilidade de fazer o teste para o VIH quando comparados com os familiares de doentes que recebiam a TAR nos hospitais.
O segundo estudo analisou o teste voluntário para o VIH e aconselhamento de porta-a-porta. Os investigadores concluíram que esta abordagem não só melhorou as taxas de adesão ao teste para o VIH, mas também reduziu preconceitos e o estigma associado à doença. Contudo, o comportamento sexual de risco não diminuiu.