Tratamento para a hepatite C sem interferão resulta em pessoas em metadona ou buprenorfina

Daniel Cohen, of AbbVie, presenting at AIDS 2014. Photo by Liz Highleyman, hivandhepatitis.com.
Published: 26 July 2014

As pessoas com infeção crónica para a hepatite C que estão sob tratamento com metadona ou buprenorfina para gerir uma dependência opiácea podem ser tratadas de forma segura e eficaz com o 3D, da AbbVie, um regime terapêutico oral de ação direta com ribavirina, com uma taxa de cura de 97%, de acordo com relatórios apresentados na 20ª Conferência Internacional sobre SIDA, em Melbourne.

O vírus da hepatite C (VHC) é transmitido de forma rápida através da partilha de seringas ou outro material de consumo de drogas por via injetada e as pessoas que consomem drogas por esta via têm elevadas taxas de infeção em todo o mundo. Contudo, normalmente só uma pequena parte desta população recebe tratamento para o VHC devido a receios – quer reais, quer infundados – relacionados com tolerância, adesão e uma eficácia inferior à desejada.

Os novos agentes antivirais de ação direta que atacam diferentes etapas do ciclo de vida do VHC trouxeram uma revolução no tratamento da hepatite C. Estudos recentes demonstraram que a combinação de dois ou mais AAD sem interferão pode resultar em taxas de cura que rondam os 90% na maior parte das populações.

O regime do 3D da AbbVie consiste no ABT-450, um inibidor da protéase do VHC, numa dose de 100 mg de ritonavir potenciado e no ombitasvir, um inibidor NS5S (anteriormente conhecido como ABT-267) numa co-formulação de dose fixa diária, tomada em conjunto com o dasabuvir (ABT-333), um inibidor da polimerase do VHC de dose dupla diária e ribavirina. Tal como reportado anteriormente, esta combinação curou 96% de pacientes que nunca tinham feito o tratamento e de pessoas experientes para o tratamento com o genótipo 1.

Daniel Cohen, da AbbVie, apresentou as conclusões de um estudo de fase 2 que avaliava a segurança e eficácia da combinação 3D em pessoas com infeção crónica para o VHC de genótipo 1 que estavam sob terapêutica de substituição opiácea estável, quer com metadona, quer com buprenorfina, com e sem naloxona. Os anteriores estudos sobre interações medicamentosas concluíram que o medicamento da AbbVie não tinha qualquer efeito significativo nos farmacocinéticos metadona ou buprenorfina.

A análise incluiu 38 participantes de oito locais da América do Norte. Dois terços eram homens, quase todos caucasianos e a idade média era de 48 anos. 68% tinha VHC de subtipo 1a difícil de tratar, os restantes 1b.  Um terço tinha a variante genética IL28B. A maioria (95%) nunca tinha feito anteriormente o tratamento para a hepatite C.

A maior parte dos participantes tinha fibrose hepática ausente a leve (estágios F0-F1) mas 16% tinham fibrose moderada (estágio F2) e 5% fibrose avançada (estágio F3); o estudo não incluiu pessoas com cirrose (estágio F4). As pessoas com VIH ou coinfeção pela hepatite B também foram excluídas.

Todos os participantes no estudo aberto – divididos de forma igual entre aqueles que tomam metadona e os que tomam buprenorfina – foram tratados com a combinação 3D mais ribavirina (em dose calculada de acordo com o peso) ao longo de 12 semanas. Foram acompanhados ao longo das 24 semanas seguintes após a conclusão da terapia para determinar uma resposta virológica sustentada ou uma carga viral indetetável continuada (SVR24). Um RNA do VHC indetetável às 12 semanas após o tratamento (SVR 12) é considerado cura.

À exceção de um, todos os doentes tinham um RNA do VHC indetetável no final do tratamento e mantiveram esta resposta nas 24 semanas seguintes, resultando em taxas de SVR12 e SVR24 de 97%. Os restantes participantes desistiram do estudo à segunda semana. Não existiram casos de avanço viral ou relapso pós-tratamento.

O regime 3D mais ribavirina foi, regra geral, seguro e fácil de tolerar. Apenas dois participantes (5.3%) tiveram reações adversas graves (enfarte e cancro), incluindo os doentes acima mencionados que descontinuaram o tratamento mais cedo por este motivo. O efeito secundário mais comum é náusea (50%), fadiga (47%), enxaqueca (32%), insónia (18%) e rash (16%). Duas pessoas tinham níveis baixos de hemoglobina – um conhecido efeito da ribavirina – mas nenhum desenvolveu anemia grave.

Não foi necessário que nenhum participante ajustasse a dose de metadona ou buprenorfina durante o tratamento para a hepatite C.

“O regime 3D + ribavirina atingiu uma taxa de SVR24 de 97.4% entre estes 38 pacientes infetados com o genótipo 1 e sob terapêutica de substituição opiácea”, concluíram os investigadores. Estas conclusões eram “comparáveis a resultados reportados anteriormente em pacientes com genótipo 1, quer naïve para o tratamento, quer experientes para o mesmo”.

“Um regime oral de 12 semanas, altamente eficaz e bem tolerado pode ser uma opção de tratamento atrativa para pacientes infetados com o genótipo 1 que se encontrem sob terapêutica de substituição opiácea”, sugeriram, afirmando que “os pacientes sob terapêutica de substituição opiácea estável podem ser indicados para o tratamento para o VHC exclusivamente oral”.

Cohen afirmou que os estudos anteriores comprovaram que o regime 3D é altamente eficaz em pessoas com cirrose mas as interações com metadona ou buprenorfina “podem ser imprevisíveis em pessoas com doença hepática em estado avançado”.

Notou também que os participantes demonstraram uma “adesão muito boa”, de acordo com as contagens de medicamentos, indicando que as preocupações sobre a possibilidade de as pessoas que usam drogas não conseguirem manter-se sob terapêutica não são um motivo para impedir o tratamento com novos e eficazes regimes livres de interferão.

Referência

Lalezari J et al (Cohen D presenting). Interferon-free 3 DAA plus ribavirin regimen in HCV genotype 1-infected patients on methadone or buprenorphine. 20ª Conferência Internacional sobre SIDA, abstract MOAB0103, Melbourne, 2014.

Consulte o abstract do estudo online

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