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Quarta-feira, 13 de março de 2013

Conteúdos

Tratamento para a hepatite C em pessoas co-infetadas pelo VIH

Douglas Dieterich, Mt Sinai School of Medicine, Nova Iorque. © Liz Highleyman / hivandhepatitis.com

Vários estudos apresentados durante a conferência demonstraram que os mais recentes inibidores da protease para o tratamento da hepatite C apresentaram bons resultados em pessoas co-infetadas pelo VIH/VHC, e com menos efeitos secundários comparativamente aos inibidores da protease atualmente disponíveis.

Acrescentar o inibidor da protease em investigação, simeprevir, à combinação de interferão peguilado/ribavirina fez com que se alcançasse uma taxa de resposta de 75% nas pessoas co-infetadas pelo VIH/VHC.

O estudo envolveu 106 pessoas co-infetadas estando a maioria destas sob tratamento antirretroviral.

A maioria (80%) tinha o genótipo 1a da hepatite C, o mais difícil de tratar 12% fibrose avançada e 9% cirrose.

Todos receberam tratamento de combinação tripla para a hepatite C, com simeprevir, interferão peguilado e ribavirina prescrita de acordo com o peso.

As taxas de resposta doze semanas após o fim do tratamento foram elevadas, com 75% das pessoas que nunca tinham estado sob tratamento para a hepatite C anteriormente e de 80% para as pessoas que previamente tinham tido uma resposta parcial ao tratamento.

No geral, 75% dos participantes que completaram a terapêutica tiveram uma reposta virológica sustentada (a hepatite C foi considerada curada).

Apenas 4% dos participantes interromperam o tratamento devido a efeitos secundários.

A melhoria da resposta nas pessoas co-infetadas foi também observada quando o inibidor da protease faldaprevir foi adicionado à terapêutica padrão para a hepatite C.

O estudo envolveu 308 pessoas, um quinto das quais com recidiva após o tratamento prévio para a hepatite C.  

Na quarta semana, 60% das pessoas que não tinha estado sob tratamento anteriormente e três quartos das pessoas que tinham recidivado, apresentaram carga viral indetetável para a hepatite C. A proporção aumentou de 82 para 91% na décima segunda semana.

Os efeitos secundários mais comuns foram náuseas, cansaço, diarreia, dor de cabeça e fraqueza.  

A anemia foi observada em 18% dos participantes com semelhante proporção a desenvolver rash e 16% neutropenia.

Os investigadores pensam que tal demonstra que o faldaprevir é menos tóxico que os inibidores da protease existentes.

Os médicos presentes no CROI acreditam que esta segunda geração de inibidores da protease representa uma melhoria real da classe de medicamentos disponível. Ambos os fármacos estarão disponíveis para uso com interferão peguilado e ribavirina dentro de 18 meses nos Estados Unidos da América e em alguns países europeus.

Estratégias de tratamento para a infeção pelo VIH

Karen Tashima, Brown University, no CROI 2013. © Liz Highleyman / hivandhepatitis.com

Investigação que envolveu doentes experimentados para o tratamento demonstrou que é possível combinar regimes terapêuticos eficazes que não incluam medicamentos da classe dos inibidores nucleósidos da transcriptase reversa (INRT).

A melhoria nos tratamentos significa que alcançar carga viral indetetável é um objetivo realista para quase todas as pessoas, incluindo as que mudaram de tratamento várias vezes (algumas vezes, referido como sendo extensivamente experimentadas no tratamento antirretroviral) e que têm estirpes de vírus resistentes aos medicamentos.

As combinações para pessoas fortemente experimentadas no tratamento são selecionadas após a realização do teste de resistência. Muitas vezes, este teste abrange medicamentos que o doente tomou anteriormente (medicamentos “reciclados”), incluindo agentes INTR que são com frequência apenas parcialmente eficazes.

Contudo, esta estratégia aumenta o número de comprimidos a tomar (o “peso” do tratamento) e pode levar a mais efeitos secundários.

Os médicos nos E.U.A. pretendiam observar se era possível combinar um tratamento antirretroviral eficaz que não precisasse de incluir INTR.

Assim, desenharam um estudo que envolveu 360 pessoas que precisavam de mudar o tratamento antirretroviral por falência terapêutica. Todos estavam sob terapêutica antirretroviral baseada em inibidores da protease e tinham carga viral acima de 1 000 cópias/ml.

Cerca de metade tinha tropismo CCR5 e era, desta forma, candidato à terapêutica com maraviroc (Celsentri®, Selzentry®).

As combinações mais usadas continham o inibidor da integrase raltegravir (Isentress®), o inibidor da protease darunavir (Prezista®) potenciado com ritonavir e o ITRNN etravirina (Intelence®).

Os médicos e participantes do estudo selecionaram então os INTR que mais gostariam de usar.

Os participantes foram randomizados para receber ou suprimir estes INTR do seu regime terapêutico.

Após um ano de tratamento, os resultados foram semelhantes entre as pessoas que tomaram o INTR e aquelas que omitiram esta classe de medicamentos. Proporções semelhantes tinham carga viral detetável (26 vs 30%) e ganhos semelhantes de células CD4.

Suprimir os INTR não pareceu ter qualquer benefício em termos de efeitos secundários.

Um dos investigadores do estudo concluiu que “Não é preciso incluir INTR quando novos agentes ativos estão presentes.”

A investigação conduzida em locais com poucos recursos demonstrou ainda a eficácia de regimes terapêuticos antirretrovirais de segunda linha que suprimiram os INTR.

O estudo foi conduzido em África, Ásia, América Latina e Austrália.

Os doentes receberam uma combinação com lopinavir/ritonavir (Kaletra®, Aluvia®) e raltegravir (Isentress®).

O estudo foi desenhado para observar se esta combinação oferecia uma alternativa viável para o regime de tratamento de segunda linha em locais com recursos limitados, advogado pela Organização Mundial de Saúde (OMS): lopinavir potenciado com ritonavir ou atazanavir (Reyataz®) e com dois INTR que poderiam ser reciclados do regime de primeira linha.

O estudo envolveu 558 adultos em que o tratamento antirretroviral tinha falhado em suprimir a carga viral.

Um ano após a mudança para a terapêutica de segunda linha, 66% dos participantes sob raltegravir e 66% sob INTR tinham carga viral indetetável.

Os ganhos de células CD4 foram superiores com o regime poupador de INTR.

Os investigadores acreditam que o regime terapêutico baseado no raltegravir é eficaz, simples e tolerável.

Novo medicamento antirretroviral dolutegravir

O novo inibidor da integrase dolutegravir parece ultrapassar os resultados do raltegravir (Isentress®) no tratamento de doentes experimentados com resistência a dois ou mais medicamentos antirretrovirais.

O dolutegravir teve bons resultados em ensaios clínicos e está atualmente a aguardar aprovação regulatória na Europa, Canadá e E.U.A..

O presente estudo envolveu 715 pessoas com carga viral detetável apesar de estarem sob terapêutica antirretroviral.

Todos tinham resistência a dois ou mais fármacos antirretrovirais. Contudo, nenhum tinha recebido terapêutica com um inibidor da integrase.

Os participantes foram randomizados para tomar dolutegravir ou raltegravir como parte do esquema terapêutico antirretroviral.

Após seis meses, 79% dos participantes do estudo que estavam sob dolutegravir tinha carga viral indetetável em comparação com 70% daqueles que estavam sob raltegravir.

Os resultados foram especialmente favoráveis para o dolutegravir entre as pessoas com carga viral elevada no início do estudo.

O tratamento foi interrompido por 2% dos participantes no grupo do dolutegravir em comparação com 4% sob raltegravir.

Uma vantagem do dolutegravir é o facto de este ser de toma única diária em oposição ao raltegravir que necessita de duas tomas diárias.

Monitorização clínica em locais com recursos limitados

Dr Frederick Sawe do Kenya Medical Research Institute no CROI 2013.

A monitorização de rotina da carga viral reduz o risco de falência virológica até metade, segundo demonstrou um estudo conduzido no Quénia.

A monitorização da carga viral é a exceção, mais do que a regra, em locais com recursos limitados. A OMS recomenda que haja teste confirmatório de carga viral quando há suspeita de falência terapêutica, e monitorização semestral se tal for possível.

Os investigadores pretendiam perceber melhor os benefícios da monitorização semestral.

Desenharam um estudo que envolveu 820 pessoas que tinham iniciado o tratamento antirretroviral pela primeira vez. Metade foi randomizada para ter a carga viral monitorizada duas vezes ao ano.

O risco de falência virológica foi reduzido em 46% entre as pessoas que receberam monitorização de rotina da carga viral.

Apenas 1% das pessoas do grupo de monitorização da carga viral precisou iniciar o regime terapêutico de segunda linha devido a falência virológica; tal foi comparado aos 7% das pessoas que receberam o tratamento padrão.

Os delegados do CROI ouviram também falar sobre estratégias como ultrapassar as barreiras ao teste da carga viral.

Outras notícias

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Dra. Chelsea Polis da USAID no CROI 2013.

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