Prevalência estável da infecção pelo VIH entre os utilizadores de droga injectável na Grã-Bretanha

Roger Pebody
Published: 18 November 2008

A prevalência da infecção pelo VIH entre os utilizadores de droga injectável (UDI) na Grã-Bretanha parece ter estabilizado, de acordo com o relatório da Agência de Protecção da Saúde. No entanto, a prevalência entre os jovens que injectam drogas está a aumentar, sendo que um em cada cem utilizadores infecta-se com o VIH nos primeiros três anos de consumo por esta via.

Comparando com outros países, a infecção pelo VIH entre os UDI na Grã-Bretanha tem uma dimensão limitada, devido ao início precoce dos programas de troca de seringas e de outras medidas de redução de riscos. No entanto, os relatórios de 2005 indicavam que a prevalência do VIH estava a aumentar e era sugerido que tal poderia ser atribuído a mudanças na política e no acesso aos serviços.

O questionário anónimo do programa de monitorização da prevalência nos utilizadores de droga injectável da Agência de Protecção da Saúde é um estudo anual que cobre 3 000 utilizadores de droga que injectam ou que já injectaram drogas no passado. O estudo decorre nos centros especializados, tais como, programas de trocas de seringas ou de administração de metadona, de Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. Os participantes preenchem um questionário e realizam um teste de despistagem do VIH na saliva.

A prevalência da infecção pelo VIH entre os participantes no questionário era de cerca de 1% no final da década de noventa, mas aumentou para 1,4% em 2004 e para 1,6 em 2005. Contudo, os dados recentes são mais encorajadores – a prevalência desceu consecutivamente nos dois últimos anos e em 2007 o estudo encontrou 1,1% de utilizadores infectados pelo VIH (41 entre 3 580 participantes).

Apesar disso, a Agência de Protecção da Saúde interpreta de forma cautelosa esta tendência, descrevendo simplesmente os dados de 2007 como “semelhantes aos verificados em anos anteriores”.

Verifica-se ainda que o número de infecções se mantêm elevado entre as pessoas que iniciaram práticas de injecção recentemente. A prevalência entre os que iniciaram este tipo de prática nos últimos três anos é considerada como um indicador de transmissão recente e permaneceu abaixo de 0,5% entre 1991 e 2002. Contudo tem vindo a aumentar e situa-se agora em 1% (5 em 484 pessoas que participaram no estudo).

O número de participantes infectados pelo VIH que não sabiam o seu estatuto serológico diminui nos últimos anos, sendo actualmente de 36%. No entanto, cerca de um terço da amostra nunca tinha realizado um teste de despistagem do VIH (excepto como parte deste estudo, onde não recebiam os resultados, dado que era anónimo).

Todos estes resultados são descritos no relatório anual da Agência de Protecção da Saúde. Outros aspectos importantes do relatório incluem:

**Cerca de um quarto dos UDI afirmaram partilhar agulhas e seringas. Este valor tem diminuído nos últimos anos, após um aumento verificado na década de noventa. A partilha de filtros, água, colheres e outro equipamento é mais comum.

**A hepatite C é a infecção mais frequente entre os utilizadores de droga injectável. Cerca de 50% está infectada com o VHC e um quinto dos participantes infectou-se nos primeiros três anos de consumo, por esta via. Cerca de metade dos UDI que têm hepatite C não sabem que estão infectados com este vírus.

**Um terço dos participantes referiram ter tido um abcesso, uma lesão ou uma ferida nos locais de injecção, no último ano. As infecções bacterianas associadas incluíam infecções a estafilococos aureus (incluindo infecções meticilino-resistentes), estreptocos do grupo A, botulismo e tétano.