Os departamentos VIH da GSK e da Pfizer formam uma nova empresa

Michael Carter
Published: 20 April 2009

A GlaxoSmithKline (GSK) e a Pfizer fundiram as secções que trabalham com o VIH para formarem uma nova entidade empresarial. Num comunicado emitido em 16 de Abril, afirmam que a nova empresa “será mais sustentável e abrangente” do que o negócio das duas companhias. A nova companhia terá um portfólio de 11 produtos anti-VIH licenciados, mais 6 medicamentos promissores em investigação, em estudos clínicos de Fase I e Fase II. Os medicamentos licenciados incluem a combinação terapêutica da GSK, o Combivir® (AZT e 3TC), o Kivexa® (abacavir 3TC) e Trizivir® (abacavir, AZT e 3TC). O único medicamento anti-VIH licenciado da Pfizer é o inibidor CCR5, o maraviroc (Celsentry®). Estes e outros produtos, nomeadamente o inibidor de protease da GSK, o fosamprenavir (Telzir®), detêm actualmente 19% do mercado dos medicamentos anti-VIH. No entanto, foram ultrapassados nos últimos anos por medicamentos com um perfil de segurança mais favorável. Devido a preocupações com o risco aumentado de perda de gordura causada pelo AZT, o Combivir® já não é uma escolha de primeira linha.

Alguns estudos ao sugeriram que o abacavir pode aumentar o risco de enfarte (o que é contestado pela GSK) e que funciona menos bem em doentes com carga viral elevada, levaram a que o Kivexa® descesse na escala de primeira linha de tratamentos para o VIH, nas guidelines americanas recentes. Embora ainda seja uma opção para tratamento de primeira linha do VIH no Reino Unido, o seu uso não é recomendado para doentes com risco de doença cardiovascular ou com carga viral superior a 100 mil cópias/ml. Embora seja uma opção importante para alguns doentes com experiência em tratamento, houve poucos pedidos para o maraviroc da Pfizer, no Reino Unido.

Os estudos não demonstraram que era equivalente ao efavirenze, adiando as esperanças de que o medicamento fosse usado no lucrativo mercado de primeira linha. As esperanças concentam-se então nos seis produtos do novo agrupamento, actualmente em desenvolvimento. Nos ensaios clínicos de Fase II estão um inibidor da integrase, dois ITRNNs e um inibidor da CCR5. O inibidor da CCR5 também se encontra em estudos de fase I, tal como está um potenciador farmacocinético. “A GSK dá um passo definitivo na renovação do nosso empenho ao introduzir mais medicamentos, mais eficientemente e para mais pessoas infectadas pelo VIH… no cerne deste negócio muito especializado está um largo portfolio de produtos e medicamentos em desenvolvimento ”, disse Andrew Witty, CEO da GSK. “Estamos a criar um novo líder global na área do VIH e a reafirmar o nosso compromisso para com o tratamento desta doença”, comentou o CEO da Pfizer, Jeff Kindler. Novas investigações também serão uma prioridade da nova empresa, que também se comprometeu a apoiar a comunidade.

A “Acção Positiva” da GSK irá ser transferida para a nova empresa. Uma nova entidade é criada para fornecer medicamentos sem fins lucrativos em países de recursos limitados.