O Ministério da Saúde Francês recusa tratamento como prevenção

Roger Pebody
Published: 03 July 2009

O conceito de tratamento como prevenção que estava para ser adoptado pelo Conselho Nacional de SIDA Francês foi recusado pelo ministério da saúde.

Em Abril, O Conselho Nacional de SIDA emitiu uma análise longa do potencial impacto do uso mais abrangente da terapêutica anti-retroviral na transmissão do VIH e sua prevenção. Recomendava campanhas para aumentar o conhecimento sobre os benefícios da despistagem do VIH e do acesso ao tratamento mais cedo e que as mensagens negativas acerca dos efeitos secundários e do número de comprimidos deviam receber menos ênfase.

O Conselho Nacional de SIDA é um corpo independente de especialistas (académicos, clínicos, políticos, etc.), que são nomeados por diversas áreas do governo e tem um papel consultivo.

Porém um comunicado emitido pela Direcção Geral de Saúde (o organismo do ministério da saúde responsável pela saúde pública) rejeitou a análise do Conselho Nacional de SIDA.

O comunicado reforçava a ideia que só o preservativo masculino e feminino pode garantir o máximo de protecção contra o VIH e outras infecções sexualmente transmissíveis, e que o preservativo deve ser usado de forma consistente nas relações sexuais ocasionais ou quando se desconhece o estatuto para o VIH de um parceiro estável. Acrescentava ainda, a propósito dos homens que têm sexo com homens, que não existe nenhuma evidência conclusiva sobre a eficácia da terapêutica anti-retroviral como estratégia de prevenção isolada ou dos riscos de desenvolvimento de resistências se mais pessoas usarem esta terapêutica.

O ministério anunciou que será solicitado a um novo grupo de especialistas que reconsiderem o tratamento como prevenção durante a revisão das estratégias de prevenção do VIH. As opiniões deste grupo deverão ser integradas na estratégia sobre VIH para os próximos três anos.

O grupo The Warning denuncia o conservadorismo da Direcção Geral de Saúde. Afirmam que o Ministério da saúde “permanece silencioso” acerca do risco residual de infecção associado ao uso do preservativo e não abordou a questão no número crescente das pessoas que nunca ou quase nunca usam o preservativo. “Demonstram que ainda acreditam na possibilidade de implementar uma estratégia de prevenção que ignora as opções e comportamentos individuais”, comenta o grupo.