No Reino Unido, está a aumentar a transmissão do VIH através do uso inseguro das drogas injectáveis

Roger Pebody
Published: 10 November 2009

A Agência de Protecção da Saúde informa, num relatório publicado esta semana, que a transmissão do VIH entre os utilizadores de drogas injectáveis (UDIs) está a ocorrer com mais frequência em relação ao início desta década. As infecções nas pessoas que começaram a injectar-se recentemente indicam transmissões recentes e que a prevalência neste grupo aumentou de modo considerável nos últimos anos. No entanto, a prevalência global nos UDIs mantém-se estável.

O levantamento anual dos Utilizadores de Drogas Injectáveis, do Programa Anónimo da Monitorização da Prevalência, da Agência de Protecção da Saúde é um estudo anual que inclui 3000 utilizadores e ex-utilizadores de drogas infectáveis. Este estudo é realizado em serviços especializados tais como nos serviços de troca das seringas e no de tratamento com metadona em Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte. Os participantes preenchem um questionário e disponibilizam uma amostra de fluido oral para o teste ao VIH.

Analisando o grupo global dos UDIs, 1,6% tinha VIH (51 de 3209 pessoas), dois terços dos quais sabiam estar infectados. A prevalência foi consideravelmente mais elevada em Londres (3,8%) do que nos outros locais.

Enquanto que os resultados do levantamento em 2006 e 2007 indicavam que a prevalência podia estar a decrescer, agora tal não se observou. A prevalência em 2008 foi exactamente igual à que foi registada em 2005.

Em relação à prevalência do VIH nos que começaram a injectar-se nos últimos três anos, esta permaneceu abaixo de 0,5%, entre 1991 e 2002. No entanto, no estudo de 2008 foi de 1,3% (5 em 391 pessoas).

Um outro indicador chave é a prevalência entre os ex-utilizadores. Em Londres, onde há a maior concentração de infecções, manteve-se estável. No entanto, nos outros locais de estudo em Inglaterra e no País de Gales aumentou de 0,25% em 2003 para 1,1% em 2008 (18 de 1604 pessoas).

Além disso, a prevalência da hepatite C manteve-se elevada. Entre os que começaram a injectar-se nos últimos três anos, 22% tinham hepatite, metade dos quais sabiam da sua infecção.

Uma nota mais optimística é que o número dos UDIs a reportar partilha de equipamento está mais baixo do que no início da década. Um total de 19% relataram partilhar agulhas e seringas e 37% partilhar colheres, caricas, filtros e água.

Referência

Shooting Up. Infections among injecting drug users in the United Kingdom 2008, an update: October 2009. London: Health Protection Agency, 2009.