Muitos doentes não se apercebem do risco que correm ao adiarem as consultas de IST’s

Michael Carter
Published: 15 October 2009

Um estudo publicado na edição de Setembro da revista International Journal of STD and AIDS sugere que mais de um terço de doentes do Reino Unido adiam ir às consultas nas clínicas de medicina genito-urinária, nas 48h (tempo-alvo) que se seguem ao aparecimento de sintomas. Compromissos para com o emprego foram o motivo mais comum para a falta às consultas.

A presença de sintomas não afectou a probabilidade dos doentes faltarem a uma consulta proposta para as 48 horas seguintes. Os investigadores também concluíram que a maioria dos doentes que não comparecem às consultas marcadas não se apercebia dos riscos de saúde que corria ao adiarem o diagnóstico e o tratamento das infecções sexualmente transmitidas.

Os autores do estudo escrevem que “existe certamente uma cohorte de doentes que têm sintomas de uma IST mas que não vêm tal facto como um risco para a sua saúde, se o exame e o tratamento forem adiados”.

O tratamento rápido de pessoas com infecções sexualmente transmitidas ajuda a evitar a doença e o desconforto e previne a transmissão de infecções.

É um objectivo do governo do Reino Unido que todos os doentes que procuraram os serviços das clínicas de saúde sexual tenham acesso a uma consulta 48 horas após a sua solicitação. Um objectivo adicional é que 95% de todos os indivíduos devam ser observados dentro de 48 h após a marcação da sua consulta, apesar de alguns clínicos terem questionado esta necessidade.

Os investigadores do Departamento da Saúde Sexual no Hospital Countess of Chester, em Chester, uma grande clínica de medicina genito-urinária no Noroeste da Inglaterra, desenharam um estudo para verificar se a escolha dos doentes para serem observados dentro de 48 horas estava relacionada com a presença de sintomas.

Também se propuseram avaliar as percepções dos doentes de acordo com as consequências de infecções sexualmente transmitidas não tratadas.

Dois grupos de doentes foram incluídos no estudo. O primeiro era composto por 110 indivíduos que preencheram os questionários na clínica. O segundo envolveu 138 doentes que foram contactados por telefone e a quem eram colocadas questões sobre a sua decisão de aceitar ou rejeitar uma consulta no prazo de 48 horas.

Os registos demonstraram que foi oferecida uma consulta dentro de 48 horas a todos os indivíduos que contactaram a clínica. Dos indivíduos entrevistados quando se dirigiram à clínica, 16% voltaram a telefonar para desmarcar a consulta proposta.

Compromissos para com o trabalho foram a razão mais comum para os indivíduos adiarem as suas consultas nas clínicas (75%).

Um total de 37% dos indivíduos entrevistados telefonicamente recusou uma consulta dentro de 48 horas. Os sintomas foram reportados por 45% dos que recusaram uma consulta imediata e os compromissos para com o trabalho foram mais uma vez a razão mais comum (87%) para negarem a consulta.

Os investigadores combinaram os resultados de dois exames. Concluíram que os indivíduos que aceitaram a consulta dentro de 48 horas tinham uma probabilidade significantemente maior de saberem que o adiamento das consultas na clínica, poderia envolver riscos para a saúde, em comparação com os doentes que as adiavam (41/80 vs. 9/60,p < 0,0001).

“Os nossos… dados sugerem que 37% dos doentes preferiram não aceitar a oferta de uma consulta dentro de 48 horas. Este número é elevado”, comentam os investigadores. Acrescentam, “os doentes desejam a possibilidade de poderem escolher uma consulta que lhes convenha e ficam satisfeitos, mesmo que seja mais do que 48 horas após a marcação.”

“Deveríamos oferecer informação sobre a importância de ser observado dentro de 48 horas”, concluem os investigadores, acrescentando “as nossas conclusões representam uma justificação clara para a necessidade de aumentar o alerta público para os perigos das infecções sexualmente transmitidas.”

Embora reconheçam a importância da escolha dos doentes em relação às marcações, os investigadores salientam que é importante que “a sua escolha seja uma escolha informada.”

Referência

Steedman NM et al. Acceptance of genitourinary medicine appointments within 48 hours is influenced by patient perception of risk but not by symptoms. International Journal of STD and AIDS 20: 644-46, 2009.