Sobre a gordura, a Dra. McComsey relembrou que o ganho de gordura nos braços e nas pernas é considerado bom, relativamente à lipoatrofia observada no passado. (As pessoas muitas vezes ganham uma pequena quantidade de gordura após iniciarem o tratamento anti-retroviral.)
O ganho de gordura dorsal ou central é muitas vezes desfavorável, mas pode também ser sinal de “regresso à saúde” em doentes com perda de peso devido ao estado avançado da infecção pelo VIH.
Ao todo, 16% dos participantes tinham uma perda de gordura nos membros de 10% ou mais (lipoatrofia como definida pelo protocolo) à semana 96, e não houve diferenças estatisticamente significativas entre quaisquer dos ITRN ou dos medicamentos base (análise com intenção-de-tratar). A frequência de lipoatrofia foi de 14,3% para o Truvada® mais efavirenze, 15,6% para o Truvada® mais atazanavir/ritonavir, 18,9% para o Kivexa® mais efavirenze e 16,3% para o Kivexa® atazanavir/ritonavir.
A Dra. McComsey afirmou numa conferência de imprensa subsequente que a medida de lipoatrofia utilizada neste estudo era muito estrita, e para que a lipoatrofia fosse visível para o doente e para o médico, deveria ocorrer uma perda de gordura de 40 a 50%. Nesta população, uma perda de gordura de 10% dos membros representa uma perda total de cerca de 1kg (2,2lbs) durante dois anos.
Os investigadores também adicionaram uma análise não planeada da percentagem de doentes que sofreram uma perda de 20% ou mais da gordura nos membros. Tal demonstrou alguma variação: 8,9%, 0%, 3,8% e 6,1%, respectivamente.
À semana 96, a quantidade média de gordura nos membros tinha aumentado para ambos os grupos com Truvada® e Kivexa®, com um ganho médio de 1,1 vs 1,7 kg, respectivamente, na análise com intenção-de-tratar, uma diferença não significativa. As mudanças de percentagens também eram estatisticamente semelhantes. Após 96 semanas, a gordura nos membros continuou a aumentar com ambas os regimes de ITRN.
Numa análise de doentes tratados (isto é, tendo em conta as descontinuações e mudanças de tratamentos), os ganhos de gordura nos membros foram de 1,2kg com Truvada® vs 2,1 Kg com Kivexa®, o que não alcançou uma significância estatística. No entanto, a diferença na mudança de percentagens permaneceu não significativa. Após 96 semanas, a gordura nos membros continuou a aumentar com o Truvada® mas desceu com o Kivexa®.
No que diz respeito aos medicamentos sem ocultação, a quantidade de gordura nos membros aumentou mais com o atazanavir/ritonavir do que com o efavirenze à semana 96 (1,9 vs 1,0 kg, respectivamente), e o aumento da percentagem foi cerca de duas vezes maior com o atazanavir/ritonavir (cerca de 15% vs 30%, respectivamente); ambos foram significativos numa análise com intenção-de-tratar. Com um follow-up mais longo, o efavirenze pareceu alcançar os resultados do outro medicamento à semana 192.
Numa análise não planeada à gordura no tronco, as quantidades medianas ganhas (cerca de 1,5 a 2,0 kg) e mudanças de percentagens (cerca de 25%) foram semelhantes nos grupos do Truvada® e do Kivexa®. Enquanto com a gordura nos membros, estas mudanças foram modestas.
A gordura no tronco aumentou significantemente mais com o atazanavir/ritonavir do que com o efavirenze (cerca de 1,2 vs 2,5 kg, ou cerca de 20% vs quase 40%, respectivamente).
Resumidamente, os investigadores concluíram que todos os regimes pareceram produzir uma perda de massa óssea inicial, com uma estabilização subsequente após a semana 48. O Truvada® levou a uma maior perda de densidade mineral óssea na coluna lombar (mas não na anca) do que o efavirenze. As fracturas foram distribuídas de forma semelhante entre os braços do estudo.
Além disso, os regimes contendo Truvada® ou Kivexa® aumentaram ambos os níveis de gordura nos membros e no tronco, e não eram significativamente diferentes numa análise com intenção-de-tratar. O atazanavir potenciado levou a um ganho maior na gordura dos membros e no tronco do que o efavirenze.
Os investigadores concluíram que a lipoatrofia – mesmo na forma definida pelo protocolo – ocorreu em cerca de 16% dos participantes, e não foi significativamente diferente entre o Truvada® e o Kivexa® ou entre o atazanavir/ritonavir e o efavirenze.
Discursando numa conferência de imprensa, a Dra. McComsey afirmou que os regimes contendo Truvada® “fizeram pior” do que os regimes contendo Kivexa®, tendo em mente que a perda de massa óssea é má e o ganho de gordura nos membros é boa.
Estas conclusões são importantes, adicionou, porque podem ajudar os clínicos a formularem regimes para os doentes que têm um maior risco de perda de massa óssea, tais como as mulheres pós-menopausa.
Tendo em atenção a gordura corporal, afirmou que as taxas de lipoatrofia eram “muito baixas” o que são “notícias muito encorajadoras” de que estes regimes modernos não causam alguns dos problemas observados com certos medicamentos mais antigos.