Investigadores descobrem agentes promissores para a cura do VIH

Keith Alcorn
Published: 10 September 2009

Investigadores da Universidade da Carolina do Norte e da Merck identificaram pistas promissoras na busca de agentes que podem ser capazes de remover o VIH das células CD4 inactivos, um dos requisitos de qualquer possível cura para a infecção pelo VIH.

A descoberta, anunciada por David Margolis e Nancie Archin na 15a edição da AIDS de Setembro, demonstra que um grupo de fármacos chamados de inibidores de HDAC de classe 1 foram os mais promissores na activação prévia de VIH latente no seio das células CD4 inactivas. Esta descoberta pode também explicar a razão pela qual estudos anteriores que usaram outro inibidor de HDAC, o ácido valpróico, um medicamento anti-epiléptico terem tido efeitos fracos.

Depois da integração no genoma do hospedeiro, o VIH pode manter-se lactente no seio das células CD4 durante muitos anos, desde que não seja estimulada a sua replicação através de sinais que atingem a sequência terminal longa repetida (LTR – Long Terminal Repeat portion) do código genético do vírus. Quando a estimulação acontece, sucede-se uma cadeia complexa de eventos dentro da célula que conduz à replicação do VIH.

Os investigadores interessados na cura da infecção pelo VIH acreditam que a única forma de o fazer é remover todos os reservatórios do vírus lactente, visto que mesmo pequenas quantidades de vírus lactente contêm material suficiente para um ressurgimento eventual da carga viral para níveis iguais ao pré-tratamento, caso a terapêutica anti-retroviral seja interrompida. A única forma possível de remover o reservatório, de acordo com o conhecimento actual, é através da activação do vírus lactente, administrando simultaneamente terapêutica anti-retroviral de forma a prevenir futuros ciclos de infecção.

O consenso geral entre investigadores é que a activação em larga escala do VIH lactente não conduzirá à perda do controle viral, pois as terapêuticas actuais são altamente eficientes em suprimir a carga viral, e também porque o tamanho dos reservatórios de células infectadas é modesto, quando comparado com o tamanho da população de vírus anterior ao tratamento.

Contudo, encontrar formas de remover o reservatório viral não será fácil. Os inibidores de HDAC (Histona deacetilase) foram sugeridos como um dos meios de o fazer. Espera-se que inibam o mecanismo celular - deacetilação de histona – explorado pelo VIH para se manter silencioso. As tentativas prévias de utilização de ácido valpróico não foram bem sucedidas, levando alguns a argumentar que esta abordagem é fraca.

Nas suas experiências, a grupo da Universidade da Carolina do Norte utilizaram vários inibidores de HDAC e testaram a sua capacidade de activar a replicação do VIH em células CD4 inactivas recolhidas de pessoas com carga viral indetectável sob terapêutica anti-retroviral.

Descobriram que nem todos os inibidores de HDAC estimulavam a replicação viral na mesma extensão, tendo então determinado que os inibidores que tinham como alvo o HDAC de classe 1 dos tipos 1, 2 e 3, bem como os de classe 2, tipo 6, podiam ser particularmente eficazes.

É provável que estas novas descobertas conduzam não só a um novo interesse em identificar inibidores do HDAC que tenham como alvo estes HDAC específicos, mas também à identificação dos mecanismos envolvidos na inibição do HDAC em cada um dos locais específicos mais afectados pelos compostos identificados.

Parte da procura centrar-se-á na identificação de compostos que interfiram o menos possível com outros processos celulares, de forma a limitar a toxicidade. Os estudos em humanos podem ser inviabilizados se as toxicidades forem substanciais ou insuficientemente conhecidas, dado que existem actualmente regimes anti-virais bem tolerados.

Inibidores de HDAC mais específicos estão neste momento a ser usados para desenvolver terapêuticas para o cancro, doença de Alzheimer, doença de Huntington, psoríase e infecções fúngicas e o trabalho nestas áreas irá certamente beneficiar a investigação na área do VIH.

Referência

Archin NM et al. Expression of latent human immunodeficiency type 1 is induced by novel and selective histone deacetylase inhibitors. AIDS 23: 1799-1806, 2009.

Community Consensus Statement on Access to HIV Treatment and its Use for Prevention

Together, we can make it happen

We can end HIV soon if people have equal access to HIV drugs as treatment and as PrEP, and have free choice over whether to take them.

Launched today, the Community Consensus Statement is a basic set of principles aimed at making sure that happens.

The Community Consensus Statement is a joint initiative of AVAC, EATG, MSMGF, GNP+, HIV i-Base, the International HIV/AIDS Alliance, ITPC and NAM/aidsmap
close