Homossexuais saudáveis, seropositivos para o VIH, têm alto risco de infecção por estafilococos aureus meticilino-resistente em Nova York

Michael Carter
Published: 29 June 2009

Os homossexuais masculinos seropositivos para o VIH têm risco acrescido de infecção por Staphylococcus Aureus Resistente à Meticilina (MRSA), mesmo sob tratamento para o VIH, segundo um relatório de investigadores norte-americanos publicado no início na primeira edição de Junho da revista Journal of Infectious Diseases.

“O nosso estudo evidencia a existência de colonização por infecção MRSA na comunidade como um problema importante entre os homens infectados pelo VIH assintomáticos, que têm sexo com homens sem supressão imunitária evidente”, escrevem os autores do estudo.

A colonização da pele por MRSA pode conduzir ao desenvolvimento de infecção por esta bactéria. A MRSA é na actualidade a principal causa de infecções da pele e tecidos moles entre pessoas seropositivas nos EUA.

Porém, existe pouca informação sobre a colonização e infecção por MRSA em pessoas seropositivas assintomáticas com um sistema imunitário forte.

Tendo isto em conta, os investigadores conceberam um estudo com um ano de duração que comparava as taxas de colonização e infecção em 107 homossexuais seropositivos e 52 homossexuais seronegativos. Os participantes do estudo foram testados para a colonização e infecção por MRSA três vezes durante o estudo.

Todos os homens seropositivos estavam em bom estado de saúde e tinham uma contagem média de células CD4 de 599/mm3. A carga viral estava indetectável em 60% dos indivíduos e 69% destes encontrava-se sob terapêutica anti-retroviral.

Não foram verificadas diferenças significativas entre os indivíduos seropositivos e seronegativos no que diz respeito à idade, etnia, educação, acesso a cuidados de saúde ou uso de drogas recreativas.

Os doentes seropositivos tinham taxas mais altas de colonização por MRSA em cada um dos pontos do estudo, em comparação com os indivíduos seronegativos (início do estudo, 5% vs 2%; fim do estudo, 8% vs. 2%). Durante o decorrer do estudo, a taxa cumulativa de portadores de MRSA foi de 17% nos doentes seropositivos e 6% nos indivíduos seronegativos, uma diferença significativa (p = 0.04).

Dos 21 isolados de MRSA recolhidos, 15 foram identificados como sendo da estirpe USA300, a estirpe predominante na comunidade nos EUA.

Durante o seguimento ao longo do ano, foram diagnosticadas dez infecções cutâneas, todas nos doentes seropositivos para o VIH. Além disso, todos os indivíduos que desenvolveram infecções cutâneas tinham colonização por MRSA.

A utilização de antibióticos nos seis meses anteriores foi associada à colonização por MRSA entre os doentes seropositivos (p = 0.04). Nenhum outro factor foi associado a um risco acrescido desta infecção nestes indivíduos. A contagem média de células CD4 das pessoas seropositivas com MRSA foi de 612/mm3. A terapêutica para o VIH estava instituída em 13 dos 18 indivíduos com a infecção, tendo a maioria carga viral indetectável. Os cinco doentes que não estavam sob terapêutica anti-retroviral tinham cargas virais abaixo das 15.000 cópias/ml.

“As nossas observações indicam que a infecção pelo VIH-1 está associada a uma taxa mais alta de colonização e infecção cutânea e de tecidos moles por MRSA”, comentaram os investigadores.

Constataram ainda que a estirpes de MRSA isoladas demonstraram susceptibilidade reduzida aos antibióticos comuns, incluindo clindamicina, eritromicina e ciprofloxacina.

“Um dos dados mas importantes deste estudo é a associação entre ser portador de MRSA e a infecção pelo VIH-1, pois 18 das 21 culturas isoladas foram recolhidas em indivíduos infectados pelo VIH-1, sem qualquer evidência de supressão imunológica”, destacam os autores.

Os autores sugerem que a “colonização e infecção por MRSA nesta população pode ser resultado de factores patogénicos de base do hospedeiro” ou de “factores socio-demográficos e factores socio-comportamentais.”

The investigators conclude by advocating “judicious use of antibiotics” in HIV-positive patients, and recommend that doctors maintain “a high level of suspicion regarding MRSA, independent of patients CD4 T lymphocyte count and treatment status.”

Os investigadores concluíram defendendo “o uso cauteloso de antibióticos” em pessoas seropositivas para o VIH, e recomendam que os médicos mantenham “um nível alto de suspeição de MRSA, independentemente da contagem de células CD4 do doente e do tratamento.”

Referência

Shet A et al. Colonization and subsequent skin and soft tissue infection due to methicillin-resistant Staphylococcus aureus in a cohort of otherwise healthy adults infected with HIV type 1. J Infect Dis 200: 88-93, 2009.