Estudo fornece informação sobre a saúde sexual de trabalhadores sexuais masculinos em Inglaterra

Michael Carter
Published: 06 January 2014

Os dados epidemiológicos das clínicas de medicina geniturinária em Inglaterra (GUM) demonstraram que os trabalhadores sexuais masculinos têm maior probabilidade de serem diagnosticados com determinadas infeções de transmissão sexual (ITS) do que outros homens. Os trabalhadores sexuais masculinos tinham três vezes mais probabilidade de serem diagnosticados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) ou clamídia e duas vezes com gonorreia quando comparados com outros homens. Aproximadamente um terço dos trabalhadores sexuais masculinos era migrante, a maioria do Brasil. Os achados foram publicados na edição online da Sexually Transmitted Infections.

Pouco se sabe sobre as caraterísticas e saúde sexual dos trabalhadores sexuais masculinos no Reino Unido, apesar de se pensar que têm maior risco de ITS quando comparados com outros homens. As diferenças na saúde sexual de acordo com o estado de migração foram observadas nos trabalhadores sexuais femininos, mas este assunto ainda não foi explorado nos trabalhadores sexuais masculinos.

Uma equipa de investigadores analisou 627 780 registos eletrónicos de homens que frequentaram serviços de saúde sexual em Inglaterra, durante 2011. Estes registos forneceram dados relativos ao trabalho sexual, idade, estado de migração, sexualidade e rastreio e diagnóstico de IST/VIH.

No geral, 411 (0,08%) frequentadores das clínicas foram identificados como trabalhadores sexuais masculinos. No entanto, os investigadores acreditam que é provável que o número seja mais alto, “devido em parte à falta de revelação. Estudos do Reino Unido têm relatado que apenas um terço dos TS [trabalhadores sexuais] revela a sua ocupação aos profissionais de saúde”.

Os trabalhadores sexuais masculinos são ligeiramente mais velhos que os outros homens (mediana de idade, 29 versus 28 anos; p=0,05) e 30% dos trabalhadores sexuais tinham idade acima dos 35. Os autores evidenciam que estes achados são contrários às “suposições de que os trabalhadores sexuais masculinos [TSM] são predominantemente um grupo jovem”.

Os dados ainda mostraram que os trabalhadores sexuais masculinos tem maior probabilidade que outros homens de serem migrantes (38 versus 19%; p<0,001) e de se identificarem como homens que têm sexo com homens (57 versus 15%; p<0,001), mas os investigadores em certa medida ficaram surpreendidos com a baixa proporção de homens que se identificaram como tal e sugerem que este achado necessita de mais esclarecimento.

Os trabalhadores sexuais masculinos migrantes relataram 50 países de origem, sendo 39% originários da América do Sul (97% destes do Brasil), 25% da Europa e 12% da Europa do Leste. Os trabalhadores sexuais masculinos que eram migrantes tinham duas vezes maior probabilidade de se identificaram como homens que têm sexo com homens quando comparados com trabalhadores sexuais masculinos não-migrantes (77 versus 35%; p<0,001).

Os trabalhadores sexuais masculinos recorreram mais vezes as clínicas que outros homens (média 4,5 versus 2,3 visitas) e os trabalhadores sexuais masculinos migrantes fizeram mais consultas do que os trabalhadores sexuais masculinos nascidos no Reino Unido (5 versus 4,4 visitas; p=0,03).

No geral 86% dos trabalhadores sexuais masculinos realizaram um rastreio da saúde sexual e 73% um teste para o VIH. Os números comparativos para os outros homens [não trabalhadores sexuais] foram de 68 e 73%, respetivamente.

As taxas de diagnóstico de clamídia eram mais altas entre trabalhadores sexuais masculinos do que em outros homens (25 versus 10%; p<0,001), tal como foram os diagnósticos de gonorreia (17 versus 3%;p<0,001) e VIH (4 versus 0,6%; p<0,001).

Após o ajuste para as variáveis de confusão como a idade e orientação sexual, os trabalhadores sexuais masculinos tinham três vezes maior probabilidade de serem diagnosticados com VIH (OR=3,37; IC 95%, 1,86-6,02; p<0,001) quando comparados com outros homens e aproximadamente três vezes maior probabilidade de receberem um diagnóstico de clamídia (p<0.001) e duas vezes maior probabilidade de gonorreia (p<0,001). Os trabalhadores sexuais masculinos migrantes tinham maior probabilidade que os não-migrantes de serem diagnosticados com clamídia (OR=2,2; IC 95%, 1,08-4,49; p<0,03).

Os trabalhadores sexuais masculinos tinham significativamente maior probabilidade de reinfeção por clamídia e gonorreia do que outros grupos de homens (9 versus 4%; 14 versus 5%).

“O nosso estudo fornece uma imagem comparativa nacional sobre a saúde sexual e o uso do serviço dos frequentadores [trabalhadores sexuais masculinos] das clínicas GUM”, concluem os autores.

Referência

McGrath-Lone L et al. The sexual health of male sex workers in England: analysis of cross-sectional data from genitourinary clinics. Sex Transm Infect, online edition. doi: 10.1136/sextrans-2013-051320, 2013.

Community Consensus Statement on Access to HIV Treatment and its Use for Prevention

Together, we can make it happen

We can end HIV soon if people have equal access to HIV drugs as treatment and as PrEP, and have free choice over whether to take them.

Launched today, the Community Consensus Statement is a basic set of principles aimed at making sure that happens.

The Community Consensus Statement is a joint initiative of AVAC, EATG, MSMGF, GNP+, HIV i-Base, the International HIV/AIDS Alliance, ITPC and NAM/aidsmap
close

This content was checked for accuracy at the time it was written. It may have been superseded by more recent developments. NAM recommends checking whether this is the most current information when making decisions that may affect your health.

NAM’s information is intended to support, rather than replace, consultation with a healthcare professional. Talk to your doctor or another member of your healthcare team for advice tailored to your situation.