De acordo com um pequeno estudo apresentado na 49th Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy (ICAAC), em S. Francisco, um regime de manutenção utilizando dois medicamentos, o inibidor da protease, atazanavir (Reyataz®) e o inibidor de integrase, raltegravir (Isentress®) foi bem tolerado e os doentes mantiveram supressão da carga viral.
Os investigadores têm explorado diferentes regimes simplificados para manter a supressão do VIH nos doentes que atingem carga viral indetectável enquanto estão a fazer uma terapêutica de combinação padrão, que geralmente consiste em dois inibidores da transcriptase reversa nucleósidos/nucleótidos (INTRs) junto com um inibidor da transcriptase reversa não-nucleosídeo (INNTR) ou um inibidor de protease. O desenvolvimento de novas classes de medicamentos tal como os inibidores da integrase oferece um vasto leque de opções.
A terapêutica de manutenção simplificada pode, potencialmente, reduzir os efeitos secundários e o custo do tratamento e, ao mesmo tempo, melhorar o bem-estar. No entanto, muitos dos esquemas de manutenção estudados até ao momento incluem inibidores da protease potenciados com ritonavir e, mesmo uma pequena dosagem deste fármaco pode causar uma baixa tolerabilidade em alguns doentes.
O atazanavir tem sido sugerido como um potencial “parceiro” para o raltegravir pois foi demonstrado que pode aumentar os níveis deste último em cerca de 40%.
O investigador Peter Ruane e os seus colegas avaliaram a segurança e a eficácia do novo regime de manutenção através de um estudo prospectivo observacional de 30 doentes, na área de Los Angeles. Todos, à excepção de um doente do sexo masculino, eram homossexuais/bissexuais, 80% dos participantes eram brancos e a idade média situava-se nos 47 anos. A contagem média de células CD4 era elevada, cerca de 700 células/mm3.
Os participantes não tinham histórico de falência terapêutica e apresentavam uma supressão da carga viral estável abaixo das 400 cópias/ml, por um período superior a quatro meses e inferior a 50 cópias/ml, no início do estudo. No entanto, no regime actual apresentavam pouca tolerabilidade caracterizada por sintomas gastrointestinais, alterações corporais, níveis anormais de gordura no sangue ou outros efeitos secundários.
Neste estudo, composto por um único braço, todos os participantes mudaram do regime actual para 400 mg de atazanavir uma vez por dia, ingeridos com alimentos em conjunto com 400 mg de raltegravir, duas vezes ao dia; não houve um braço de placebo ou um braço de controlo. A maioria dos doentes (90%) já tinha sido previamente exposta aos inibidores da protease e cerca de 60% já tinham usado o atazanavir, mas nenhum apresentou anteriormente indícios de resistência aos inibidores da protease.
O estudo está previsto continuar por 48 semanas; o Dr Ruane apresentou dados das primeiras 24 semanas no ICAAC. Em Agosto de 2009, 27 dos participantes ainda estavam no estudo e tinham acumulado dados referentes a uma média de 36 semanas de acompanhamento. A adesão foi boa, com a contagem de comprimidos demonstrando que 90% dos participantes tomaram os fármacos como indicado em mais de 85% do tempo.
Dois participantes interromperam a terapêutica um devido à subida da carga viral e outro devido à subida do nível de creatinina encontrado, valor que se normalizou após a interrupção do tratamento. Uma pessoa morreu de cancro do pulmão.
Às 24 semanas, 83% dos participantes tinham carga viral abaixo das 50 cópias/ml e 93% tinham menos de 400 cópias/ml (intenção de tratar, falha = insucesso nas análises). No entanto, várias pessoas experienciaram temporariamente um reduzido aumento da da carga viral; os investigadores afirmaram que o significado destes blips não era claro. A contagem média de células CD4 não se alterou.
Os níveis de colesterol total e de colesterol LDL (low-density lipoprotein) diminuiram significativamente após a mudança para atazanavir em conjunto com o raltegravir; os níveis de triglicéridos também desceram, mas a alteração não foi estatisticamene significativa. Às 24 semanas, poucos participantes apresentavam níveis de gordura no sangue acima dos valores considerados como indicadores de risco cardiovascualar.
Os investigadores concluíram que a terapêutica de manutenção utilizando atazanavir em conjunto com raltegravir foi “bem tolerada e eficaz na manutenção do controlo viral” nesta população com supressão virológica estável antes do tratamento.