A maioria das pessoas em monoterapia com darunavir mantém supressão total

Gus Cairns
Published: 22 November 2010

Os mais recentes dados de um ensaio europeu sobre o uso em monoterapia do darunavir potenciado com ritonavir (DRV/r) não mostrou um aumento das falências terapêuticas ou das subidas da carga viral com o tempo, mesmo quando as cargas virais abaixo do limite habitual de detectabilidade foram investigadas utilizando um teste ultrassensível.

Os resultados do estudo, de nome MONET, apresentados no recente Tenth Congress on Drug Therapy in HIV Infection, em Glasgow, contrastam com os de um estudo realizado em África, utilizando lopinavir potenciado em monoterapia (LPV/r). Este estudo, também apresentado na conferência, mostrou, ao contrário, um aumento da taxa de falência viral ao longo do tempo.

O ensaio MONET randomizou 256 pessoas que tinham tido uma carga viral inferior a 50 cópias/ml, durante, pelo menos, 6 meses, ou para tomar DRV/r em monoterapia ou para fazer a mesma monoterapia mais dois ITRNs adequados. Os resultados às 48 semanas, apresentados no ano passado na European AIDS Conference, mostravam que 87% das pessoas em monoterapia e 89% das pessoas em terapêutica de combinação mantinham uma carga viral inferior a 50 cópias/ml – uma diferença não significativa, e o resultado mais bem sucedido de sempre de um IP em monoterapia.

Outros ensaios de medicamentos em monoterapia descobriram que se os números de pessoas com carga viral detectável podiam ser semelhantes, havia ainda a registar um conjunto de pessoas nos grupos a fazer monoterapia que apresentavam cargas virais “subliminares” – ou seja, cargas virais inferiores a 50, mas detectáveis por testes ultrassensíveis.

Foi neste contexto que os resultados do ensaio MONET à semana 96 foram apresentados na Conferência Mundial da SIDA, em Viena, no último verão. Tendo mostrado que, quase dois anos após o seu início, 75% das pessoas em monoterapia e 81% das pessoas em combinação terapêutica tinham mantido uma carga viral inferior a 50 cópias/ml, sem alteração da terapêutica; quando se adicionavam ITRNs ou as pessoas mudavam para novos ITRNs, a percentagem de pessoas com carga viral inferior a 50 cópias passava para 91% no caso do grupo em combinação terapêutica e 92% no caso do grupo das pessoas que haviam estado em monoterapia.

Os dados mais recentes, apresentados na já referida Conferência de Glasgow, há poucos dias, mostraram que ao utilizarem um teste ultrassensível (capaz de detectar cargas virais tão reduzidas quanto apenas 5 cópias/ml), os investigadores descobriram que a proporção de pessoas com cargas virais baixas mas detectáveis tinha variado pouco ao longo do estudo.

Assim, à partida para o estudo, a percentagem de pessoas com uma carga viral entre 5 e 50 cópias/ml era de 13% no braço da monoterapia e 17% no braço da terapêutica de combinação. À semana 96, estes valores eram de 17% e 15%, respectivamente.

No que respeita à proporção de pessoas com carga viral inferior a cinco cópias/ml, ela mal sofreu alterações. Oitenta por cento das pessoas iniciaram o esquema de monoterapia com carga viral inferior a cinco cópias; à semana 96, esse valor era de 79%. No outro braço, o da combinação terapêutica, a proporção de doentes com carga viral inferior a 5 aumentou ligeiramente de 79% para 81%.

Nenhuma destas diferenças foi considerada estatisticamente significativa, não havendo, por isso, nenhum sinal de um aumento das cargas virais “subliminares” em pessoas a fazer monoterapia. No que respeita à resistência, verificou-se muito pouca resistência farmacológica durante o ensaio. Três pessoas adquiriam resistência aos IPs durante o ensaio, um delas no braço da combinação terapêutica. Uma outra adquiriu uma nova mutação de resistência aos ITRNs.

O investigador responsável, José Arribas, apresentou também uma nova análise custo-eficácia do ensaio, mostrando que se todos os doentes em Espanha elegíveis para o ensaio MONET – ou seja, aqueles com uma carga viral indetectável por mais de seis meses, sem história de falência terapêutica anterior, num total de 15% de todos os doentes a receber cuidados – tivessem seguido o tratamento proposto no ensaio, então, o custo de um ano de tratamento para cada pessoa seria de 12 250 EUR, em vez de 20 650 EUR. Isto representaria uma poupança de 46 milhões de EUR por ano em custos, (embora a análise não tenha contemplado os custos das análises de carga viral, os custos com pessoal de saúde, ou os custos de possíveis doenças futuras).

Finalmente, um outro estudo apresentado em Glasgow procurou avaliar a eficácia da monoterapia com LPV/r (Kaletra®) administrada em consulta, por comparação com a mesma terapêutica num ensaio. O estudo avaliou 77 doentes, em três hospitais espanhóis, acabados de mudar para monoterapia com LPV/r. Os doentes tinham apresentado CVs indetectáveis durante, em média, três anos, tinham já feito uma média de sete ARVs, e apresentavam uma contagem média de CD4s elevada (519). Após um follow up médio de 22 meses (11, no mínimo), 88% tinham mantido carga viral abaixo das 50 cópias/ml. Dos nove doentes que entraram em falência, sete admitiram baixa adesão, sendo que desses nove, oito voltaram a suprimir a carga viral do VIH após re-introdução de ITRNs.

Referências

Clumeck N et al. Low-level viraemia during treatment with darunavir/r monotherapy versus DRV/r + 2NRTIs in the MONET trial. Tenth International Congress on Drug Therapy in HIV Infection in Glasgow. Abstract O213. 2010.

Arribas JR et al. Cost-efficacy analysis of the MONET trial using Spanish antiretroviral drug prices. Tenth International Congress on Drug Therapy in HIV Infection in Glasgow. Abstract P235. 2010.

Caso A, Arranz A et al. Lopinavir/ritonavir monotherapy in clinical practice. Tenth International Congress on Drug Therapy in HIV Infection in Glasgow. Abstract P050. 2010.

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